Apelo

ByKuma

14 de Dezembro, 2025

Há momentos em que a ética e transparência jornalística cria um conflito dentro mim, enquanto cidadão e pelo apego ao meu chão querido, ocre e empoeirado onde estão enraizados todos os meus sonhos, crenças, e ligação à terra que me cala bem no mais remoto de mim.
Nunca escondi os meus sentimentos e a minha liberdade de escolha enquanto cidadão de Angola, fui militante e combatente da UNITA até 1992, mantive-me equidistante desde então, mas, ligado às amizades construídas por similitude de uma séria de vivências, umas perderam-se, outras perduram com respeito e proximidade pessoal inabaláveis.
Deixei de ser imparcial e fui seduzido pelos objectivos de João Lourenço, não sou militante do MPLA, mas mantive-me sempre atento, dentro do possível, ligado a tudo quanto despertou em mim um sentimento de busca de respostas de tantos porquês, e constatei um crescendo movimentos que uniu protagonistas de antagonismos irreversíveis, em torno de um objetivo comum: derrubar a qualquer custo o atual Presidente da República.
O meu amigo e Director proporcionou-me a participação na Tribuna de Angola, eu Alcidio Gomes, nascido no Ukuma – Huambo, sempre tido adoptado no jornalismo, livros editados, poesia e trabalhos sobre História de Angola, o pseudónimo de Kuma, escrevo hoje em nome muito pessoal para manifestar algo que me apoquenta.
Angola está a viver, hoje, um ruído mentiroso que tenta revelar um País que manifestamente não existe, não obstante as dificuldades crónicas, algumas já aliviadas e corrigidas, outras que se tornaram irresolúveis que contagiam a ideia de ingovernabilidade. Outras ainda, que alimentam a percepção no cidadão, de persistirem por incompetência, laxismo, e até cumplicidade, de titulares do Estado.
Aproxima-se um momento importante para o País, o Congresso Ordinário do MPLA, há uma natural expectativa, euforia, normal num País e num Partido que é Governo assente numa maioria parlamentar absoluta. O percurso do Presidente da Partido e simultaneamente Presidente da República, combatido por uma pseudo-elite unida por interesses pessoais e obscuros, colide com a legitimidade de um político sério, competente, que granjeou legitimidade ética, moral, intelectual e política, nacional e internacional, colocando Angola em patamares de confiança e desenvolvimento nunca antes experimentados.
Mas há uma lacuna, a meu ver, e que hoje me move num apelo ao Senhor Presidente da República, institucional e politicamente o senhor Procurador Geral da República, Hélder Pita Grós, é uma enfermidade no Estado, que pode provocar contágio pernicioso de grau “manhoso”, que pode provocar danos que não podem ser subestimados num pilar tão fundamental como a Justiça.
Urge a sua substituição, sobretudo quando se sabe publicamente, e mais particularmente em círculos de amigos nos almoços de sábado, que houve clara cumplicidade no Processo do primo Kopelipa, como haverá falhas em perspetiva com Higino Carneiro, publicamente assumido como candidato à liderança do MPLA.
Acredito e desejo que João Lourenço, dispõe de duas Instituições sólidas, respeitadas e de reconhecido mérito de competência profissional e fiéis o Estado de Direito democrático, as Forças Armadas e os Serviços de Inteligência, estão nestas instituições os quadros mais qualificados da Nação, e que podem proporcionar até 2027, com cada vez mais protagonismo pessoal que domina o mundo, cada vez mais vazio de ideologias, que tenha todas as condições, também com a Maioria Parlamentar absoluta que dispõe na Assembleia Nacional, para levar a cabo um Referendo a uma Nova Constituição da República, protagonizar uma Refundação do Estado, e, repito, com liberdade, fraternidade, meritocracia, ética e moral, e sobretudo respeito pela Coisa Pública, à implantação de uma Nova República.