Clarificação: Estado – Política – Cidadania

ByKuma

14 de Dezembro, 2025

Mais uma vez João Manuel Gonçalves Lourenço, no seguimento do que habituou o Paìs real e a Comunidade Internacional, mostrou-se claramente imune ao ruído, transmitiu segurança e tranquilidade, e durante 60 minutos calou os “papagaios” que tentam permanentemente desestabilizar e desinstitucionalizar o Estado e a Nação.
Sou particularmente sensível quando oiço um líder que se quer agregador falar de Nação, e ontem João Lourenço foi claro na separação do MPLA partidário e a Nação angolana do alto da sua representatividade de mais alto Magistrado da Nação.
João Lourenço é um institucionalista rigoroso, tem fronteiras bem definidas no espaço e no tempo, e sobretudo mostrou com clareza que, ao contrário da poluição audiovisual digital, apesar da intoxicação massiva e anárquica assente em conveniências estranhas, incompreensíveis e absurdas, está inteirado e preocupado com o País no todo, e com as assimetrias generalizadas ainda existentes.
A tranquilidade transmitida contrasta com o carnaval incipiente e com as operetas de entretenimento que desfilam alimentados de intriga, mentira, e interesses obscuros que agridem o quotidiano dos cidadãos e defraudam uma juventude cansada de promessas de um admirável mundo lunático.
Foi a mais importante intervenção de um Chefe de Estado de Angola, excluindo a Declaração de Independência, com rigor separou o Hoje e os Amanhãs com etapas constitucional e estatutariamente definidas e calendarizadas, delineou objectivos, menos Estado, mais Mercado, empregabilidade, educação e formação, desenvolvimento económico e social.
Limpou a sua intervenção de lamúrias, clarificou propósitos, mostrou-se inabalável nas suas convicções, não mandou recados, limitou-se a clarificar a normalidade democrática e a garantir a autoridade do Estado na garantia da liberdade e da Ordem Pública. Poderá ter ferido susceptibilidades aos mal intencionados, mas apresentou uma impressionante normalidade.
Mais uma vez não trouxe para a praça pública assuntos de Estado, reafirmou princípios, obras começadas, obras acabadas, ele sabe a herança que teve de obras inacabadas e cofres vazios. Lembrou que Angola tinha o CFB – Caminho de Ferro de Benguela, património colossal desde 1930, e quem e como foi destruído, escolas, colégios, estradas e um património cultural que pela nossa memória coletiva, urge recuperar e preservar.
Sinto-me particularmente satisfeito, nesta minha reta final, sentir que a ideia de rejuvenescimento político esteja na agenda do maior Partido político do País, está garantida a renovação, no tempo e espaço próprios, sei que o ruído não vai abrandar, é dele que os nefelibatas se alimentam, é no lodaçal nauseabundo que chafurdam as frustrações, mas será no País real que ontem João Lourenço os convidou a participar com urbanidade, que ao persistirem irão sepultar as suas ambições.
Uma coisa se pode extrair do pronunciamento de ontem, testemunhada por dezenas de milhares de cidadãos, escutada por milhões de angolanos, a seu tempo a porta do diálogo está aberta, a mudança fará o seu caminho, a atmosfera foi higienizada, e soprou na brisa da esperança de milhões de almas, a fragrância que exala do perfume de uma Nova República.

E.T. – Nota
Estou consternado pela morte de um nacionalista e democrata convicto, Jardo Muekalia. Bem instalado nos Estados Unidos da América, quis em estado terminal de doença fatal, regressar à sua terra, defraudado pela realidade da sua/nossa UNITA, trazer através do PRA-JA, pela sua amizade com Abel Chivukuvuku, uma mensagem de diálogo, abertura e democracia.
Ficou a mensagem. Paz à sua Alma!