Os sucessivos adiamentos na resolução de problemas nacionais condicionadoras de avanços políticos, intelectuais e de desenvolvimento, e simultaneamente de paralisia cultural, amplificam o desafio, e atingem a ingovernabilidade.A demografia e a incapacidade de resolução face aos meios necessários à sua execução, obriga, a exemplo de outras paragens, a tomada de posições drásticas, foi assim na Nigéria e Lagos, foi assim na Tanzânia com Dar-es-Salam, foi assim nos Camarões com Douala, na Costa do Marfim com Abidjan.
Os fluxos migratórios criaram uma pressão demográfica insustentável e geradora de insegurança e ingovernabilidade.A África do Sul, diante da monumental pressão do Soweto, optou por uma solução de três capitais, a Poder Executivo – Pretória, a Executiva – Cidade do Cabo, e a da Justiça – Bloemfontein . A plutocracia que governou Angola até 2017, aliada à cleptocracia que se associou e se transformou em oposição silenciosa, causaram e incentivaram um fluxo demográfico na periferia da capital, atraídos pela ilusão da ostentação dos mandantes e alienados, criando um problema no qual, vergonhosamente exploram como causas de má governação.
O problema da demografia é universal, agora mesmo o Irão, face ao êxodo provocado como estratégia política do Regime Teocrático de Teerão,para combater pela servidão e alienação religiosa a classe média do tempo da Xá, concluiu que a situação se tornou ingovernável, isto no mais antigo País do mundo. Incapacidade de abastecimento de água potável, de distribuição de energia, de saneamento básico, hospitais, escolas, segurança, enfim uma panóplia de exigência básicas que falham no quotidiano dos cidadãos.
Assim, o Poder decidiu mudar a capital do País, a exemplo de outras paragens.Nada disto é novo, o Brasil criou de raiz Brasília há 60 anos, a capital da Califórnia é Sacramento, muitos pensam ser Los Angeles, a capital do Texas é Austin, muitos pensam que é Dalas, e muitos ainda pensam que a capital da África do Sul é Joanesburgo. Pode parecer loucura, o nosso País está num estágio de desenvolvimento, ocupado internamente com questiúnculas políticas incompreensíveis e indesejáveis, com o tempo a cobrar medidas de fundo que exigem Pactos universais,na busca de desígnios de Estado, na educação, na saúde, no quadro administrativo do País, sem loucuras nem delírios, enfrentando as nossas limitações e fragilidades.
A Oposição, face à sua cada vez mais evidente fragilidade, na voz do seu líder bacharel tirano psicopata intrujão ACJ “Betinho”, e todos o seus sequazes, recorre uma vez mais às autarquias como panaceia de todos os males do País, mas não diz quantos quadros dispõe toda a Oposição para preencher umas autarquias com dignidade e competência.
São necessários 100.000 quadros qualificados em gestão, administração, engenharia, veterinária, urbanismo, médicos, enfermeiros, estruturas intermunicipais, justiça, técnicos de saneamento, eletricistas,técnicos agrícolas, etc.Terá o País capacidade para realizar umas verdadeiras autárquicas sem promover um regresso das suas gentes aos seus verdadeiros habitats?Não teremos nós, em Angola, também, de calcular os custos de um empreendedorismo para desanuviamento demográfico ou a criação de uma Nova Capital do País?
Temo ser tido como louco, mas Angola ainda arrasta consigo males coloniais, temos mais voos para Lisboa do que para qualquer província do País ou outro país africano, há ainda uma sub-colonização mental, e este complexo incha quando a oposição recorre sistematicamente aos aos apelos a Portugal e ao mundo, quando necessita de encontrar razões dos seus desvarios.João Lourenço conquistou um estatuto nunca antes conseguido, tem legitimidade para encetar internamente o que sabe serem problemas urgentes, já se pronunciou numa Revisão Constitucional em 2017, e está a permitir uma regeneração da justiça, são passos de abertura a discussão séria no cenário político, são evidências que estamos a caminho de uma Nova República.

