“Ignorar a Nação angolana enquanto comunidade unida e solidária é de uma atrocidade intelectual e uma leviandade política.”
Provocou-me náuseas, quase vomitei, mas segurei-me com esforço para poder lançar o meu grito de revolta e tristeza.
Ignorar a Nação angolana enquanto comunidade de pessoas unidas e solidárias, com fortes laços culturais, históricos, linguísticos e por um sentimento de pertença coletiva, onde o Estado deve promover uma identidade partilhada com visão no todo e não no individual, bem como estar alheio do mundo global onde grassam chagas como o desemprego, a falta de habitação, acessos à saúde e problemas na educação e formação em consequência das explosões demográficas causadas, por um lado, pelo crescimento e concentração das populações e, por outro, pelos fluxos migratórios, é de uma atrocidade intelectual e uma leviandade política.
Porque entendo que Adalberto Costa Júnior, o líder subserviente e deprimido, é um tirano movido pelo oportunismo inquisitorial que, com presunção, apresenta problemas mas não apresenta soluções. Mais grave: omite realidades que, perante todos os índices internacionais (ONU, FMI, Banco Mundial, União Europeia e CPLP), constatam progressos assinaláveis, descredibilizando todo este exercício oco e demagógico.
A produção de energia, sem a qual não pode haver distribuição nem desenvolvimento; a irrigação para combater secas crónicas, como no Cunene, proporcionando qualidade de vida e suportando o seu sustento e progresso na agropecuária, promovendo a segurança familiar; o desenvolvimento das ferrovias como fatores de mobilidade de pessoas e bens e promotores do desenvolvimento local, regional e nacional; a construção de novos hospitais com especialidades inovadoras no país e escolas que albergam um número recorde de cerca de 9.000.000 de alunos a nível nacional; a ligação marítima a Cabinda, transportando pessoas e bens, reduzindo assimetrias, valorizando a cidadania e dignificando a identidade nacional.
Os recursos do Estado não são infinitos. Claro que a UNITA, desde 1990, na voz então autorizada de Fátima Roque, em Paris, perante um grupo de empresários, declarou que o Galo Negro, se fosse governo, suspenderia imediatamente o serviço da dívida e suspenderia todos os contratos petrolíferos, momento em que metade dos empresários presentes abandonou a sala. É o que permanece no ADN do partido: o que equivaleria a dizer que o investimento externo retirar-se-ia de Angola se a UNITA fosse governo. Esta é uma realidade que não desmentem, porque os compromissos com o capital especulativo não lhes permitem.
Não é Isabel dos Santos a empresária modelo que embriaga os “kwatchas” como estrela cintilante de um progresso exemplar? A senhora engenheira não começou a vender ovos?
Que pobreza, que encenação torpe de um imbecil engravatado que, com pose para o retrato, se esqueceu de cantar o Hino Nacional simplesmente porque não sabe. Mais: do apresentador ao orador, ambos ignoraram a presença do Senhor Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, na inauguração em homenagem aos mortos nos combates, que antecedeu o triste espetáculo do pretenso presidente Adalberto Costa Júnior, brigadeiro reformado e engenheiro de fachada, uma mentira ambulante que vai enganando cada vez menos gente.
Escamotear a verdade de quem carrega o impulso do progresso no dia a dia individual e coletivo de uma Comunidade, é auto-excluir-se de uma realidade no tempo que carrega individual e coletivamente o impulso de uma mudança imparável, atenta ao País e ao mundo, é um sentimento que cada vez mais isola a UNITA e a exclui do caminho da consolidação da democracia, da liberdade, e da esperança que irá levar-nos à Nova República.

