Não Brinquem com a Democracia

ByKuma

11 de Setembro, 2026

O panorama global revela-nos com agudeza a encruzilhada do nosso tempo: uma policrise global onde a erosão democrática, a pressão demográfica e o esgotamento institucional colidem com fraturas identitárias profundas.
A inflação e a instabilidade económica corroem a coesão social, alimentando populismos e uma polarização tóxica onde o diálogo cede lugar à intolerância mútua entre governos e oposições.
O crescimento populacional acelerado em África, desacompanhado por investimentos estruturais em saúde e educação, cria uma bomba-relógio de expectativas frustradas numa juventude sem oportunidades.
O recurso ao tribalismo e ao separatismo pelas oposições não é um acidente histórico, mas frequentemente uma ferramenta cínica de sobrevivência política exercida pelas pseudo-elites para fragmentar frentes civis.
O desenvolvimento económico e a riqueza de recursos herdados da tragédia governativa até 2017 em Angola, provocou um  atraso estrutural de governação, onde a modernização material tardia obrigou esforços e restrições acompanhadas pela emancipação institucional e pela distribuição equitativa do progresso.
Urge com persistência a supressão de falhas estatais na prestação de serviços básicos que foram até então adiados, que hoje, mesmo com o esforço reconhecido dos Governos liderados por João Manuel Gonçalves Lourenço, geraamr episódios recorrentes de instabilidade social e migrações forçadas.
Os Estados que não conseguirem reformar os seus pactos sociais enfrentarão uma erosão gradual da soberania efetiva, abrindo espaço para dinâmicas de governação informal ou autoritarismo tecnocrático. Hoje verificamos crises democráticas globais, os populismos não abrandam, as comunicações digitais anárquicas agudizam e empolam a intriga, mentira e insinuação, e os Estados são obrigados a medidas de excepção em defesa da cidadania e das integridades territoriais nacionais.
Apesar dos défices atuais, a pressão demográfica é também a maior reserva de energia e inovação; o futuro dependerá de saber se essa força será canalizada para a contestação destrutiva ou para a reconstrução institucional. Angola está a responder a este desafio, o Senhor Presidente da República traçou um rumo, e tem conseguido multiplicar escolas e hospitais para suprir as necessidades das populações. Falta percorrer um caminho sem fim, mas já é notório factualmente e materialmente concretizado, o caminho feito desde 2017 e reforçado em 2022, que não pode estancar em 2027.
Superar o atraso estrutural exige a transição de economias baseadas no rentismo para modelos centrados na meritocracia, descentralização e no combate intransigente à corrupção. O investimento prioritário no capital humano, com foco na qualidade do ensino técnico e científico, é a única vacina duradoura contra o extremismo e o tribalismo, que a UNITA tem como ponto único da sua agenda de governo.
É urgente resgatar a política do culto da divisão, substituindo o facciosismo por plataformas de concertação cívica que devolvam aos cidadãos a centralidade do destino coletivo, o Galo Negro, irritante e desastrosamente, persiste em vitórias antecipadas, em retóricas presunçosas, e numa linha filosófica cada vez mais dependente de compromissos que colocariam Angola em mais um retrocesso urbano e civilizacional de décadas, o que colocaria aos olhos do mundo e da cidadania obstáculos que inviabilizariam em 2027, a Revisão Constitucional e a Nova República.