Sinais Preocupantes

ByKuma

7 de Setembro, 2026

Não são novos, já aqui tenho referido o inevitável: com o passar do tempo, a nomenklatura controladora do Galo Negro está a perder a confiança no líder deprimido e rebelde da UNITA. Está a rodear-se de amigos pessoais, está a ameaçar a negritude tão cara ao racismo, à xenofobia e ao separatismo intrinsecamente legados ao ADN da Jamba. O núcleo liderado por Lukamba “Miau” Gato tem manifestado aos mais próximos um incômodo com o rumo trilhado pelo bacharel, tirano, psicopata e intrujão, ACJ “Betinho”, de proximidade e subornos a Isabel dos Santos e a Higino Carneiro.

Logo depois da comunhão conjunta na Nossa Senhora da Muxima, oportunidade com álibi de apresentação pública, Lukamba “Miau” Gato, em reunião de emergência com Eugénio Manuvakola, Marcolino Nhany e o ressabiado Nelito Ekuikui, o patrão publicou: “Terá acontecido uma conversão espiritual? Ou descobriu-se, entretanto, que a fé também pode ser um excelente instrumento de comunicação política? Não questiono a fé de ninguém. Deus não precisa de eleições para existir e a verdadeira fé não precisa de câmaras de televisão e retratos para se manifestar.”

Publicações avulsas de membros da família déspota, com raízes na Jamba e no Andulo, vão avolumando sinais de saturação, direi mesmo impaciência, na busca da alternativa possível estatutariamente para retirar o tapete ao “Betinho”. Aliás, tem havido reuniões secretas entre Navita Ngolo e Abel Chivukuvuku, e até mesmo Bela Malaquias pode entrar na equação como independente.

Este grupo da Vila Alice tem autonomia financeira; os canais sul-africanos do tempo do Apartheid, que sempre negociaram com a UNITA, estão ativos, e o garimpo continua em atividade.
Todo este desiderato, embora haja sinais ainda tímidos, desenvolver-se-á mais intensamente logo após o Congresso do MPLA. Entre “maninhos marimbondos” e “ressabiados corruptos saudosistas”, haverá sempre convergência no regresso ao passado. Importa bloquear o desenvolvimento sustentável conseguido por João Manuel Gonçalves Lourenço, explorar a cidadania e retirar de cena o atual Presidente da República.

Não acredito, pelo que vejo, pelo que sinto, no todo da minha Angola, que haja mais espaço para retrocessos. Há consciência de que estamos no rumo certo. Há ainda muitas dores de crescimento; infelizmente, é um alto preço inevitável face a um passado tenebroso, mas a democracia consolida-se, a liberdade dá para ir além da razoabilidade e, a cada dia que passa, há um passo que se concretiza a caminho do futuro. Em 2027, Angola não pode parar, e com esperança e muita crença vamos concretizar a Nova República.