O réu Osvaldo Mboco, perante os mercenários da inquisição, foi valente. Intelectualmente não se intimidou e politicamente conseguiu revelar o veneno tóxico que exala do lodaçal nauseabundo que infesta o palco da maledicência, onde a futilidade acrimoniosa, boçal e bandida se assume como preeminência do escárnio insuportável e ranhoso.
Não há liberdade? Em quantos países do mundo é que avençados pombos-correios dispõem de liberdade de antena para denegrir e insultar o Presidente da República e desafiar a autoridade do Estado? É fácil proclamar a fome de barriga cheia; o que vale é que as facas, de tão afiadas, já não cortam, e as porcas, de tão gordas, já não andam. Além de todas as insinuações resvalarem na indiferença de João Manuel Gonçalves Lourenço, curam a dor de corno no silêncio que repetidamente têm como resposta.
Enquanto Isabel dos Santos detinha o BFA, a Unitel, a Escom e a ZAP, dividia com Fernando Teles o BIC, joalharia em Genebra, na Suíça, casa e iate no Mónaco, mansão em Londres, na Inglaterra, e apartamentos no Dubai e em Marbella; enquanto Higino Carneiro tinha aviários, o Banco Keve, redes de hotéis Ritz, apartamentos em Paris, quintas em Portugal, financiava o Recreativo do Libolo, comprava o Clube de Futebol Os Belenenses em Lisboa, fechava cabarets em Paris e casas de fado no Bairro Alto e em Alfama; quando Hélder Vieira Dias “Kopelipa” desfrutava da mansão mais cara de Portugal no Algarve, viajava de Luanda aos fins de semana em voos com 200 convidados, cobrava audiências no escritório do filho em Luanda enquanto ministro da Casa Militar e do Gabinete de Reconstrução, e detinha quotas em inúmeras empresas em Angola que trabalhavam para o Estado; quando o Zé Maria, o general justiceiro e imperador do medo, cerceava a liberdade de muitos cidadãos desaparecidos, enquanto os filhos das suas três esposas se exibiam em Lisboa em Ferraris e Lamborghinis; em tempos que Álvaro Sobrinho sacava milhões do BESA, concedia créditos a fundo perdido para turismo em Portugal e no Brasil, era dono de metade do edifício Estoril Sol (os apartamentos mais caros de Portugal) e chegou a ser dono do Sporting Clube de Portugal… Já nem quero falar dos mortos, mas irrita-me: onde andava esta corja, silenciosamente conivente com a institucionalização da corrupção em Angola, que delapidou o erário público, endividou o país e paralisou o desenvolvimento sustentável entre 2002 e 2017, num abraço solidário de conveniência, conjuntamente com a UNITA, para com o déspota José Eduardo dos Santos?
É esta gentalha que, ressabiada e ostracizada pela cidadania, que sente já ter perdido irremediavelmente o futuro e o progresso imparável, factual e visível, também tem os seus caprichos e as suas opções. E, como em todos os processos evolutivos das sociedades modernas, também faz as suas vítimas, só que lhes dá espaço democrático e liberdade para se revelarem como são. Definitivamente, mesmo com benevolência, ou mudam ou ficarão pelo caminho da Nova República.

