Democracia Musculada

ByKuma

31 de Agosto, 2026

No contexto das nações, os governos vivem hoje uma pressão orçamental perante as exigências globais, que condicionam a velocidade com que se executam programas desejáveis para atingir determinadas metas. Não é despicienda a experiência governativa, sobretudo quando há carências que há muito deveriam ter sido suprimidas; daí ser desejável uma renovação na continuidade, suportada por uma maioria parlamentar, para que se cumpram etapas capazes de responder às ambições da cidadania.

Angola entrou num novo ciclo de governação em 2017, sob a liderança de João Manuel Gonçalves Lourenço, que teve de romper com um passado déspota e de nepotismo, deixando uma herança que demorou cinco anos a recuperar a credibilidade interna e externa. Em 2022, consolidou a confiança e uma intervenção internacional que devolveu a dignidade à cidadania angolana.

Angola é um mosaico de exigências que obriga a optar por prioridades no investimento dos seus recursos: ora se investe na dispersão imparável e demagógica, ora se investe na esfera produtiva, capaz de criar condições para, paulatinamente, ir promovendo a inclusão, porque o Erário Público não é inesgotável. O Senhor Presidente da República lidera com determinação as suas opções, sabe que disputa o investimento estrangeiro com uma concorrência feroz de economias emergentes, e esse processo está a ser coroado de êxito nos seus intentos.

Angola está agora a viver uma turbulência verbal no espectro político que, infelizmente, não assenta num debate de alternativas filosóficas de modelos de governação com base na perspectiva das eleições de 2027; antes resvalou, como no passado, para uma campanha estéril assente em intrigas, insinuações, insultos e julgamentos torpes, sem conteúdo programático e de uma vacuidade medonha. A desonestidade intelectual e política da oposição atingiu níveis de provocação e de incentivo à altercação da ordem pública que terão, a seu tempo, a resposta necessária dos instrumentos de uma democracia musculada, uma vez ultrapassadas as fronteiras da benevolência que possam condicionar a segurança e a liberdade da cidadania.

Hoje temos democracias ancestralmente consolidadas a enfrentar fenómenos que obrigam a tomar posições de força. Os direitos e privilégios sociais exigem uma carga fiscal asfixiante e são muitas vezes cerceados; vivemos em dois mundos paralelos que se digladiam: o Estado contra forças poderosas, obscuras, oportunistas e disfarçadas, que vivem da ganância e do suor e sangue alheios sem piedade. Pior, infiltram-se quando há fragilidades e falta de autoridade em consequência de instabilidades provocadas por quezílias partidárias, para enfraquecer as instituições e provocar o vacilo do Estado. Temos hoje Estados falhados como o Líbano, Cuba ou a Guiné-Bissau.

É a este submundo da intriga, da mentira e da insinuação que a UNITA e o seu líder têm votado Angola, daí as sucessivas viagens ao estrangeiro e os fundos a rodos para campanhas permanentes ao estilo americano: noventa por cento dos participantes em romaria com indumentárias a rigor, com coros ensaiados, deslocações longas e telemóvel na mão, a proclamarem ruidosamente que são miseráveis.

Caros leitores, já tive mais do que um emissário a tentar aliciar-me, e muitos a ameaçar-me covardemente. Amo a minha Angola, o meu chão faz parte de mim, trilho caminhos de convicção e tenho razões para isso. Nada se constrói sem esforço, e uma nação depende do esforço coletivo e da responsabilidade para com as gerações futuras; mas somos uma nação muito jovem, perdemos quarenta anos com saques e megalomanias, instituiu-se a corrupção e o facilitismo. De um lado da guerra sobraram apenas escombros e um somatório de licenciados ad hoc, onde sobressai um punhado de quadros vindos do colonialismo e de colégios e universidades estrangeiras, do tal “El Dorado” da Jamba, onde até os filhos do líder Jonas Savimbi estudaram todos em França, tendo a esmagadora maioria deles virado as costas ao atual Galo Negro, estando alguns inclusive próximos e agradecidos ao Senhor Presidente da República.

O povo sabe, conhece e, em grande número, ainda tem medo; mas a muitos, muitos mesmo, mais do que a oposição pensa, os novos ventos da mudança já chegaram. É contagiante, gera esperança e sente-se um rumo. A corrupção em países como Angola combate-se não com a criação precipitada de autarquias, mas com quadros rotativos na administração provincial e local, para evitar a acomodação, que é o caminho aberto para a corrupção e o nepotismo.

Quem combate a construção de hospitais e do palácio de convenções são os pigmeus míopes. Alguém sabe quantificar com exatidão e seriamente quanto valeu a reunião da União Africana em Luanda? Alguém sabe quantificar, seriamente, quantas sinergias o país poupa com os tratamentos efetuados nas novas unidades hospitalares e respetivas valências? Pois é, formamos quadros qualificados e depois, por falta de condições, ficam no estrangeiro. Tanta pequenez…!

Angola já mudou o seu rumo, cresceu e vai crescer mais. Há um capital de experiência adquirido que é crucial para manter um somatório de projetos e concluí-los. Ainda não existe, infelizmente, uma alternativa válida, concreta, com capacidade e visão estratégica definidas; os cidadãos sabem e confiam em João Manuel Gonçalves Lourenço e no MPLA, e sabem que a renovação se concretizará na continuidade após 2027, dando um novo corpo à crença cada vez mais instalada na Nova República.