As autoriddes angolanas desmontaram uma segunda rede russa, agora dedicada ao tráfico de pessoas, enviada para julgamento. Destacam-se os cidadãos russos: Vladislav CHEVACHIM, de 22 anos, e Henri Tshedi BWISHE, de 35 anos.
Uma investigação conduzida pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) revelou uma rede internacional de tráfico de seres humanos que envolve pelo menos um suposto agente do SVR russo destacado na Embaixada da Rússia em Luanda.
O objetivo da rede era recrutar jovens angolanos para viajarem para a Rússia a fim de realizarem trabalhos forçados em instalações de fabrico de drones.
O processo criminal foi instaurado junto do Ministério Público com o número MP 677/26.
Em 25 de Maio de 2026, o Ministério Público enviou a acusação para o Tribunal Judicial da Comarca de Luanda.
A instrução já decorreu.
A acusação diz respeito a alegações de tráfico de seres humanos, conluio criminoso e branqueamento de capitais.
De acordo com o SIC, a rede era liderada pelos cidadãos russos Vladislav CHEVACHIM, de 22 anos, e Henri Tshedi BWISHE, de 35 anos, que operavam em Angola com o apoio de vários cúmplices locais, que foram detidos, mas aguardam o julgamento em liberdade.
O SIC terá também apurado que os dois russos detidos agiam, provavelmente, sob a orientação direta de diplomatas destacados na Embaixada da Rússia em Luanda: Alexander Bryantsev, Ministro-Conselheiro, e Ilia Protásenko, Segundo Secretário e Chefe do Departamento Consular. Este último é um suposto membro do SVR (Serviço de Inteligência Externa da Rússia).
Ambos são descritos como supervisores da operação, embora gozem de imunidade diplomática e, por isso, não foram detidos.
Entre os angolanos, destacam-se o Comissário da Polícia Nacional João Lelo, responsável por garantir alojamento aos russos no país, e Elias Malonga Madiata, de 37 anos, que atuou como elo de ligação entre os estrangeiros e os recrutadores angolanos.
A rede local incluía também Nsambo ZaNzambi, conhecido como Trezor, de 38 anos, um recrutador na província de Luanda; Álvaro Armando Nzalatatá, igualmente ativo em Luanda; Pedro Álvaro, conhecido como Júnior; e Ernesto Júnior Dani, também referido como Júnior Ntumbi, residente em Uíge e identificado como o principal responsável pelo recrutamento de vítimas nessa província.
As operações foram realizadas em nome da organização russa ALABUGA START, sediada na Federação Russa e dedicada à produção de drones e armamento, que via nestes recrutamentos uma oportunidade de obter mão de obra escrava para as suas fábricas.
As vítimas — principalmente jovens mulheres com idades compreendidas entre os 18 e os 22 anos — foram recrutadas em seitas religiosas congolesas e em bairros socialmente vulneráveis de Luanda, tais como Cazenga, Sapú e Belo Monte. Foram atraídas com promessas de emprego, bolsas de estudo e formação no setor hoteleiro, mas o seu verdadeiro destino seria a exploração sexual em zonas de conflito ou o trabalho escravo na produção de drones.
Um dos incidentes mais reveladores ocorreu em Viana, na Casa da Juventude, onde 78 mulheres foram coagidas a assinar acordos de dívida relativos a taxas de passaporte e documentação, no valor de 280 000 kwanzas (cerca de 24 700 rublos). No momento da assinatura, não lhes foi permitido ler o conteúdo dos recibos.
O processo inclui fotografias das 78 mulheres que não puderam sair de Angola devido à intervenção atempada das autoridades.
Durante a detenção das vítimas, os diplomatas Bryantsev e Protásenko visitaram-nas e instruíram-nas a não responder às perguntas dos investigadores, exceto no que diz respeito à identificação pessoal — uma interferência direta no processo de investigação.
A investigação também associa os agentes russos à implementação da agenda da organização Africa Politology, cujas atividades continuam sob escrutínio das autoridades.
Ao recrutamento de mão-de-obra e de potencial pessoal militar está associada a detenção, no Dubai, de Carlos Contreiras, líder da FAPRUSA. Este encontrava-se acompanhado por outras cinco pessoas — Noel Ndembele, Elton Drawo, Bigboy Sibanda, Andile Ndebele e Walter Chudu — todas elas de ascendência angolana.
Importa referir que no dia em que os descendentes de angolanos foram detidos no Dubai, 11 sul africanos com o mesmo destino foram detidos no Aeroporto Oliver Tambo.
Tudo parece indicar ter sido uma operação combinada entre os serviços de ambos países.

