Saltam como pipocas!

ByAnselmo Agostinho

29 de Junho, 2026

As primeiras irregularidades nos processos eleitorais internos dos partidos começam a emergir, e o que está a ser divulgado nas redes sociais é apenas um exemplo inicial, ainda sem que se possa medir com rigor a sua gravidade.

Para avaliar o alcance real, seria necessário confrontar o caso com os estatutos e regulamentos internos, mas, mesmo sem esse exercício jurídico completo, percebe‑se que estamos perante uma pequena amostra, uma ponta do icebergue.

Se logo na primeira verificação pública surge uma inconformidade deste tipo, é legítimo perguntar como será o resto do processo quando submetido a escrutínio mais amplo?

O episódio agora divulgado — listas de apoio subscritas com cartões de militante descontinuados, contendo ainda a imagem do ex‑Presidente José Eduardo dos Santos — levanta questões operacionais e estatutárias.

Segundo o ciberativista que trouxe o tema a público, esses cartões foram retirados de circulação há anos, e quem ainda os utiliza não entra na estatística oficial do MPLA.

Em termos práticos, significa que essas subscrições não são consideradas válidas, porque os titulares não figuram como militantes cadastrados no sistema atual.

Trata‑se, portanto, de um problema de conformidade documental que pode afetar a fiabilidade das listas de apoio e, por consequência, a credibilidade do processo interno.

O mais relevante, porém, não é apenas esta irregularidade específica, mas o facto de ela ter sido identificada por atores privados nas redes sociais, fora dos mecanismos formais de controlo.

Há claramente pessoas atentas, algumas movidas por zelo militante, outras talvez por rivalidades internas, e outras ainda por simples vigilância política, que começam a denunciar aquilo que sabem ou que encontram.

Este caso não permite conclusões definitivas sobre o estado geral do processo eleitoral interno, mas funciona como sinal de alerta.

Se à primeira observação já se deteta uma irregularidade, é plausível que outras venham a público à medida que o processo avança e que mais pessoas se sintam encorajadas a denunciar inconformidades. A questão central não é dramatizar, mas reconhecer que a credibilidade de um processo depende da sua robustez e da sua capacidade de resistir ao escrutínio — seja ele institucional ou espontâneo.