Como disse então, António Agostinho Neto, em nome do Povo angolano, não muito longe da Ponta de Sagres, no Hotel da Penina, no Alvor, de onde partiram as caravelas de Diogo Cão, Angola conseguia no Acordo do Alvor, a 15 de Janeiro de 1975, a via da sua Autodeterminação de Independência, culminando com a Proclamação no dia 11 de Novembro de 1975, da República Popular de Angola, pelo primeiro Presidente da República, António Agostinho Neto.
A história encarregar-se-á de narrar todas as conquistas e vicissitudes da travessia de uma cidadania atribulada, que nem a Segunda República, em 1992, com eleições pluripartidárias, acalmou.
Passados 50 anos da inolvidável conquista, que a todos conferiu dignidade, impõe-me aqui deixar um apelo e um desabafo ao Senhor Presidente da República. Testemunho a emoção pela sua Humanidade, quando devolveu à família os restos mortais do cidadão angolano Jonas Malheiro Savimbi, foi um gesto que calou fundo a todos os cidadãos. A família é um elo que transcende tudo quanto nos pode dividir, é algo profundo e comum a todas as etnias de Angola.
Mas quanto aos homenageados no cinquentenário é a causa deste meu apelo e desabafo a João Manuel Gonçalves Lourenço. Desde 1975, mesmo antes da Independência Nacional, já a tirania de Jonas Savimbi, ainda ocultando com desculpas esfarrapadas, fazia as suas vítimas. De 1975 até 2002, e mesmo depois os seus herdeiros políticos traidores, fizeram vítimas muitos dos que sempre defenderam a Liberdade e o entendimento democrático com o MPLA. É por estes que lanço um apelo, já sem desabafo, ao Senhor Presidente da República, para que possa homenagear todos os angolanos que tombaram na UNITA por desejarem a Paz. Mais que exija aos dirigentes, ainda vivos, que indiquem onde estão os restos mortais destes cidadãos corajosos.
António Kachava Vakulukuta
Waldemar Pires Chindondo
Jorge Ornelas Sangumba
Pedro Ngueve Jonatão Chingunji “Tito”
Fernando Wilson dos Santos Fernandes
Nunca é tarde para se fazer justiça, sobretudo quando os falsos moralistas persistem em ameaças contra quem conta a verdade de uma vida vivida. Vivi, vi e ouvi, sou parte da minha história e do tempo e espaço em que vivi, tenho na alma a dor de ter o meu avô materno morto a pontapé pelas tropas das FALA-UNITA, há testemunhas vivas no Longonjo, Huambo. Mas não é por isso que peço justiça, comungo da Reconciliação Nacional, mas não aceito e combato o perigo de poder cair nas mãos dos sobreviventes herdeiros deste ADN.
Repito, comungo de uma verdadeira Reconciliação Nacional, mas não a que José Eduardo dos Santos implementou, humilhou a UNITA com uma estrondosa derrota militar, recuperou-a politicamente para legitimar a existência de uma oposição, alienando-a com mordomias enquanto perpetuava o nepotismo, que em detrimento do País, enriqueceu os familiares e os mais próximos, que hoje agridem ferozmente a democracia e a liberdade.
Há ainda um caminho a percorrer, o iniciado em 2017 e reforçado em 2022 pela vontade dos cidadãos, expressa livremente pelo voto secreto, irá, em prol da Nação angolana, culminar com o crescendo da esperança e da crença, assente no desenvolvimento e na ilusão cada vez mais patente da oposição, numa Nova República.
Apelo e desabafo de Angolanidade

