Paralelismos e Ilusões Políticas: Do Brasil a Angola

ByKuma

1 de Novembro, 2026

A tentativa de colar realidades políticas distantes ignora a força geopolítica e a vontade das maiorias silenciosas que priorizam a ordem e a estabilidade.

Multiplicam-se diariamente análises enviesadas pelas conveniências de ocasião, produzidas por mentes colonizadas por realidades opostas e avençadas, mas que teimam em tentar encontrar similitudes onde elas simplesmente não existem.

Politicamente, o Brasil não serve de exemplo para ninguém. Os equilíbrios institucionais são ali extremamente difíceis devido às profundas assimetrias estaduais, emergindo do xadrez eleitoral uma verdade incontornável: Lula vale mais do que o próprio PT, e Flávio Bolsonaro fica muito aquém dos votos que acabou por concentrar. Se Lula captou o eleitorado no complexo antiamericano, Flávio colheu essencialmente o voto anti-Lula. Contudo, subsiste uma realidade insofismável no mapa sociopolítico brasileiro: o Brasil rico votou em Bolsonaro, enquanto o Brasil pobre e dependente da subsidiariedade estatal votou em Lula. A capital económica do país, a mais poderosa (São Paulo), alinhou com Bolsonaro, do mesmo modo que o Paraná consagrou Sérgio Moro como o grande vencedor.

Contudo, transportar mecanicamente esta grelha de leitura para cenários como Angola ou Espanha revela uma cegueira atroz. Há interesses estruturais e idiossincrasias locais que anulam qualquer tentativa de transposição simplista, e a geopolítica encarrega-se de traçar o destino dos atores com menor margem de manobra.

No plano internacional, os americanos habituaram-se a almoçar com Bolsonaro e a jantar com Lula, tratando de arrumar a casa após o café para que a estrutura do comércio global permanecesse inalterada. O Brasil de Lula alimenta a América com frutos frondosos, carne de primeira qualidade, vestuário e calçado, bens que Washington paga com aviões da Boeing e produtos da sua indústria farmacêutica, enquanto Pequim e Moscovo encontram em Brasília um aliado conveniente no eixo dos BRICS.

Na Europa, o cenário é substancialmente diverso, mas é aqui que se vislumbra um paralelo real com a conjuntura angolana. Assistimos a cidades inteiras tomadas pelo ruído, onde a caixa de ressonância das redes sociais inflaciona e amplifica causas marginais que fragmentam a sociedade e os valores tradicionais. Defende-se o acesso à habitação desfraldando bandeiras da Palestina ou da Coreia do Norte e erguem-se estandartes LGBT; contudo, somados todos os barulhos, estas causas não representam mais do que 3% dos votos dos cidadãos, que continuam a priorizar a estabilidade, a segurança, a autoridade e a ordem pública. É a tentativa desesperada de defesa de um projeto falido, onde já são mais os arrependidos dos que em militância profissional atravessam fronteiras em busca de uma novo padrão: Arruaceiros. 

É precisamente neste ponto que radica a similitude com Angola. A oposição liderada pela UNITA desfila ruidosamente num folclore de rua, promovendo ajuntamentos profissionalizados e equipados a rigor. Todavia, quando se analisam as propostas para governar, descobre-se uma mão cheia de nada: um vácuo conceptual e um eco megalómano moldado à imagem do seu líder, subserviente, deprimido, bacharel, tirano, psicopata, intrujão, Adalberto Costa Júnior, o conhecido ACJ “Betinho”.

Esgota-se a paciência perante este espetáculo de ilusões. Perante a ausência de alternativa credível, o MPLA consolida-se como a verdadeira referência dos angolanos na prossecução dos ideais democráticos e na garantia da liberdade. É hoje o único projeto político dotado de rumo e capacidade para trilhar, com tranquilidade e responsabilidade, o caminho até aos novos amanhãs da Nova República.