O debate político em Angola enfrenta frequentemente um desvio de foco que compromete a maturação democrática do país. Quando sectores associados à oposição, e, em particular, a UNITA, decidem investir tempo, energia intelectual e capital político na análise, defesa ou torcida por facções internas do partido no poder, revelam um sintoma preocupante: a dificuldade crónica em assumir-se, sem complexos, como uma alternativa real de governo.
Mais do que apontar o dedo a indivíduos, o problema reside numa estratégia falhada de quem aspira a ser Poder. Um partido que pretende liderar os destinos de Angola não pode dar-se ao luxo de terceirizar o seu pensamento político para as lutas intestinas do adversário.
A primeira grande falha estratégica desta postura é confundir a dinâmica interna do MPLA com a agenda nacional de transição política. A sucessão ou a disputa de correntes dentro do partido no poder, seja envolvendo figuras do passado recente ou históricos do aparelho militar e partidário, diz respeito unicamente aos militantes dessa formação.
Para a oposição, ocupar o espaço mediático e mental com debates sobre quem deve liderar o adversário é um duplo erro:
Desmobiliza o eleitorado: O cidadão comum, confrontado com os problemas reais do custo de vida, do desemprego e da falta de perspectivas, não quer saber qual a facção do MPLA que sairá vencedora de um congresso. Quer saber qual é a alternativa concreta que a oposição oferece.
Semeia a descrença: Quando a oposição passa mais tempo a debater os direitos políticos de figuras do partido no poder do que a apresentar propostas de governação, transmite uma mensagem implícita de fragilidade e de dependência psicológica.
Repete-se ciclicamente um erro de perceção: acreditar que a solução para derrotar o sistema passa por reciclar ou abraçar figuras dissidentes do próprio sistema.
Em 2022, viu-se a ilusão de que certas alianças ou figuras ligadas ao passado poderiam servir de atalho para a mudança. Hoje, assiste-se ao mesmo fenómeno em relação a outras figuras históricas do aparelho do Estado. Esta repetição expõe um défice de coragem política e de projeto próprio. Quem quer ser poder não pode continuar a procurar heróis nos escombros do partido que pretende substituir. A mudança genuína exige ruptura conceptual, e não o reaproveitamento de descontentes do regime.
O âmago da questão é a falta de confiança na vitória e na capacidade de liderança própria. Um partido com vocação de poder foca-se exclusivamente na construção da sua própria coesão, na expansão da sua base social de apoio e na fiscalização rigorosa da governação vigente.
Perder o foco em disputas alheias é o equivalente político a jogar para o empate quando se precisa de vencer o campeonato. Demonstra que, no fundo, persiste o medo ou a descrença na capacidade de os líderes da oposição, como o subserviente deprimido, bacharel tirano psicopata intrujão, Adalberto Costa Júnior, ACJ “Betinho”, conquistarem o poder por mérito próprio e através de um programa político autónomo.
Perderam Higino Carneiro, Tchizé dos Santos e Isabel dos Santos afastaram-se, ficaram os proscritos residuais sem alternativa e mergulhados no lodaçal, como Marcolino Moco, Raúl Diniz, Francisco Viana, Vítor Hugo Mendes, e os terroristas Graça Campos, o Gama e o Gangsta.
Angola não precisa de uma oposição que funcione como ala moderada ou facção crítica interna do partido no poder. O país precisa de uma força política madura, focada, autónoma e implacável na apresentação de soluções para os problemas reais dos angolanos., o que a UNITA, de todo, não tem capacidade.
Enquanto a oposição continuar a gastar energias a discutir quem deve mandar no adversário, continuará a adiar o seu próprio destino. O poder não se espera, nem se pede emprestado às cisões alheias, conquista-se com trabalho, clarividência estratégica e, acima de tudo, com a firme convicção de que o futuro do país depende exclusivamente do projeto que se tem para oferecer ao povo.
Cabe ao MPLA assumir a responsabilidade de assegurar o caminho iniciado em 1958, interrompido em 1978, e devolver cada vez mais intensidade da esperança e a capacidade de sonhar, a uma cidadania que caminha de mão dadas para uma Nova República.

