Quer transparência, mas não é transparente

ByAnselmo Agostinho

2 de Setembro, 2026

O movimento Mudei ergue a bandeira da transparência, mas permanece envolto numa opacidade que mina a credibilidade do seu próprio discurso.

A conferência de imprensa sobre o Registo Não‑Oficioso e a Falta de Transparência no Processo Eleitoral, de 1 de Setembro no Kutakesa, surge como mais um momento em que o movimento exige clareza às instituições, sem nunca a praticar internamente.

O paradoxo é evidente: quem reclama transparência deve primeiro demonstrá‑la.

Nada se sabe, de forma verificável, sobre a estrutura interna do Mudei.

Os seus órgãos sociais não são públicos, não existe uma lista de membros conhecida, não há informação sobre processos eleitorais internos, critérios de adesão ou mecanismos de responsabilização.

A ausência de dados sobre o seu financiamento — fontes, montantes, auditorias, prestação de contas — deixa um vazio que contrasta com a retórica de exigência dirigida ao Estado e à Comissão Nacional Eleitoral.

A opacidade é um problema político que afecta a confiança pública.

O Mudei apresenta‑se como um falso vigilante da integridade democrática.

Ao não abrir as suas próprias portas ao escrutínio, transforma a sua intervenção numa pura palhaçada.

Se o Mudei pretende ser actor relevante na defesa da integridade eleitoral, o primeiro passo é simples: publicar os seus estatutos, identificar os seus dirigentes, divulgar os seus processos internos e clarificar o seu financiamento.

Sem isso, continuará a exigir ao país aquilo que não cumpre dentro de casa.

O povo não é palhaço, os do Mudei são palhaços.