Não é surpresa, não é novidade. Marcolino Moco, o renegado de Ekunha, foi sempre assim: está onde estiver a oportunidade, o “bem bom”, o “tacho”. Oriundo de uma família da antiga Vila Flor, privilegiada durante o colonialismo, foi fervoroso simpatizante da UNITA antes de se filiar ao MPLA, chegar a primeiro-ministro (1992-1996) e rumar à CPLP, onde já cuspia no prato que o alimentava. Eu próprio o confrontei num almoço do CDS em Lisboa, onde desfrutava de mordomias que o fizeram, mais tarde, regressar ao “lar colonial”.
Foi apelidado de camaleão. Logo após o líder deprimido e subserviente da UNITA, o bacharel, tirano, psicopata e intrujão, Adalberto Costa Júnior “Betinho”, ter ido a Benguela proclamar, em transe, que o “Poder está Próximo”, como se fosse um troféu para celebrar entre amigos, e o camaleão Marcolino Moco, à sua maneira, exibiu os galões da sua solidariedade seminarista e revelou adesão à ressuscitada UNITA/FPU. Tudo isto para se candidatar a um lugar na corte do monarca Mbundo, Lukamba “Miau” Gato, e do seu vassalo, ACJ “Betinho”.
Esta bestialização banal da democracia decorre do ADN do “Galo Negro”. São resquícios da doutrina colonial que, durante mais de um século, privilegiou uma hipotética superioridade ovimbunda sob a lógica de “dividir para reinar”. Ao longo da existência da UNITA, essa postura foi incentivada como a de uma tribo senhorial, herdeira de hábitos euroafricanos. Daí ser uma criação portuguesa, alimentada pelo Apartheid, coadjuvada pela CIA e dependente do saudosismo colonialista, personalizado em figuras como Fátima Roque, João Soares e Ana Gomes.
Marcolino Moco é um mercenário classificado. Não sei se se desfiliou formalmente do MPLA, mas a sua conduta, vir a público defender a UNITA e ACJ “Betinho”, é irrelevante para a sua essência: ele é apenas mais um elo na cadeia da vacuidade política. É um renegado, um proscrito que regressou à origem por sentir que a “higienização” em curso no MPLA o remetia para as calendas gregas, restando-lhe a necessidade de se salvar do naufrágio.
Foram estas “toupeiras de esgoto” que, ao longo do percurso, minaram também o MPLA, que tantas vezes se intoxicou. A nettoyage ainda não se completou. É precisamente essa a esperança na renovação geracional que mobiliza a cidadania. O MPLA é a garantia de estabilidade e confiança no rumo do futuro. Vivemos um tempo de separação das águas, de clarificação de competências e de crivo da meritocracia, iniciado em 2017. O ruído oposicionista, agora amplificado, é o mesmo de 2022: na “capoeira de Viana” nada mudou, apenas se revelam antigas fidelidades, até então camufladas. O desenvolvimento vai vai trilhando o seu caminho silenciosamente construtivo, não há argumentos para a oposição que continua a navegar pelas águas turvas do lodaçal, Marcolino Moco veio ressuscitar a defunta FPU, mas o coveiro da UNITA é o mesmo, Angola rejeitou aventuras, vai repelir em 2027 o regresso ao passado, os cidadãos olham em frente e abraçam a perspectiva com o MPLA na Nova República.

