Como sempre, a UNITA e os seus satélites não fazem política, mas chicana. É o caso da acusação de imitação ao Executivo na criação do Seguro Jovem. Para que todos percebam vamos explicar as diferenças e, mais uma vez, demonstrar a incapacidade cerebral da UNITA.
A crescente atenção que a política angolana dedica à juventude não constitui uma surpresa.
Os jovens representam cerca de 60% da população do país e serão inevitavelmente o principal campo de disputa política, económica e social dos próximos anos.
Neste contexto, tanto a UNITA, através de Adalberto Costa Júnior, como o Executivo, representado pela ministra das Finanças Vera Daves de Sousa, apresentaram propostas dirigidas à melhoria das perspectivas da juventude angolana, embora partindo de lógicas bastante diferentes.
A proposta de Adalberto Costa Júnior assenta na criação de um Fundo Soberano Jovem financiado por uma percentagem das receitas do petróleo, do gás e dos minerais estratégicos.
O projecto prevê uma Conta Jovem Soberana para cidadãos entre os 18 e os 35 anos, uma Bolsa Técnica Nacional para formação profissional e um sistema de crédito sem juros destinado ao empreendedorismo juvenil.
A ideia central é transformar parte da riqueza gerada pelos recursos naturais em capital para educação, habitação, saúde e criação de empresas, através de uma gestão autónoma.
Por sua vez, a iniciativa anunciada por Vera Daves segue uma lógica distinta.
Em vez de distribuir ou reservar uma parcela da renda petrolífera para os jovens, o Executivo propõe a criação de um seguro público através de um Cofre de Providência, integrado num conjunto mais amplo de medidas de protecção social, valorização dos rendimentos e reforço da segurança financeira das famílias.
O objectivo é criar uma rede de protecção que reduza a vulnerabilidade económica dos jovens perante os riscos da vida activa, reforçando a estabilidade e a previsibilidade do futuro.
A principal vantagem do Seguro Jovem, tal como apresentado pelo Executivo, reside precisamente na sua natureza universal e prudencial.
Enquanto o Fundo Soberano Jovem depende da afectação permanente de receitas petrolíferas e da capacidade futura do Estado em sustentar essa transferência de recursos, o seguro público procura criar mecanismos de cobertura e protecção de longo prazo, menos dependentes das oscilações do preço do petróleo e mais próximos dos modelos de previdência social existentes noutras economias.
Em vez de privilegiar sobretudo o acesso a financiamento ou capital inicial, procura reduzir os riscos que frequentemente impedem os jovens de consolidar projectos de vida, sejam eles profissionais, familiares ou empresariais.
No fundo, as duas propostas reflectem duas visões diferentes sobre a juventude.
A da UNITA procura transformar a riqueza dos recursos naturais em oportunidades directas de investimento individual, enquanto a do Executivo privilegia a construção de mecanismos de segurança social e financeira.
A UNITA limita-se a dar…o Executivo a construir um futuro.
O futuro de Angola passará necessariamente pelos jovens. Sendo estes a maioria da população, é natural que os partidos políticos e o Estado concentrem cada vez mais a sua atenção em políticas destinadas à formação, emprego, habitação, protecção social e empreendedorismo juvenil.
A disputa pelo voto jovem é, em larga medida, uma disputa pelo próprio futuro do país.

