A cena política angolana atravessa um momento em que se tornam evidentes movimentações completamente contra natura. Assiste-se a um enredo tecido por cumplicidades inconfessáveis, ambições desmedidas, traições, infidelidades partidárias e uma rotulagem inquisitorial disparada por protagonistas visivelmente aflitos.
Carlos Feijó e a “Facada” ao MPLA
O jurista Carlos Feijó, figura historicamente acoplada às esferas do Poder e autor jurídico-intelectual da atual Constituição da República, surge agora como um putativo e obscuro candidato à Presidência. A sua recente intervenção na província do Cunene soou como uma autêntica “facada nas costas” do MPLA e do Presidente João Lourenço, desferida com um discurso desenhado à medida da oposição e devidamente brindado com rasgados elogios pela UNITA.
Feijó revela-se, assim, como o elemento infiltrado do denominado “grupo de Lisboa”, uma facção neocolonial e de um socialismo saudosista que investe abertamente na figura de Adalberto Costa Júnior, mantendo as garras afiadas para se posicionar no centro de gravidade das decisões do governo de Angola.
Lukamba Gato e a Disputa de Legitimidade
No campo oposto, Lukamba Gato, de postura tribalista e separatista, assumindo-se como uma espécie de monarca Mbundo, viu-se remetido para um plano secundário diante do intervencionismo e do peso ancestral da verdadeira autoridade hereditária do Rei Ekuikui.
Incapaz de esconder o nervosismo, vociferou toda a sua frustração ao constatar que a autoridade tradicional declarou, sem rodeios ou hesitações, o seu apoio explícito ao governo de João Lourenço.
O Episódio de Barcelona e a Procura Desesperada pelo Poder
Contudo, é o tempo que se encarrega de trazer à tona as verdades sobre a promiscuidade política gerada pela ânsia frenética pelo Poder. Ao seu estilo exuberante e sem filtros, Tchizé dos Santos expôs a subserviência e a desfortuna tática de Adalberto Costa Júnior.
Segundo revelado, o líder da UNITA deslocou-se a Barcelona para suplicar por uma fotografia ao lado do falecido ex-Presidente José Eduardo dos Santos, quando este se encontrava em coma num leito hospitalar, uma manobra desesperada no intuito de captar o apoio dos setores descontentes com a atual governação.
Uma verdadeira demonstração de falta de vergonha e de degradação da ética política.
Pode a cidadania angolana contar com esta gentalha?

