O Tempo, a Terra e o Rumo: Visão de Estado e a Impaciência Partidária

ByKuma

6 de Outubro, 2026

Governar não é um ato de improviso, nem um exercício de gratificação instantânea. É, antes de tudo, o labor exigente de quem desbrava a terra, ara, fertiliza, lança a semente e aceita o capricho das intempéries até ao momento sagrado da colheita, da partilha e do sustento de quem precisa. É um processo profundo no tempo, e só no final desse ciclo rigoroso é que a justiça da obra se revela.

Olhar para Angola hoje é contemplar uma república jovem que, desde a sua génese, tem navegado com um pé na canoa e outro no fundo do rio, frequentemente forçada a remar contra a correnteza de crises internas e ameaças externas. A nossa linha de tempo é uma das mais aceleradas e fascinantes da história contemporânea: num piscar de olhos de cinco décadas, saltámos da máquina de escrever manual para a elétrica, abraçamos o digital e defrontamos hoje os paradigmas da Inteligência Artificial. Herdámos a dureza da G3 e da Kalashnikov, elevamo-nos aos pilotos supersónicos e enfrentamos agora a complexidade invisível dos drones, dos mísseis e dos sistemas de defesa modernos.

Em cinco curtas décadas, o país viu a sua demografia quadruplicar, passando de dez para quase quarenta milhões de almas, com um vibrante e desafiante polo de dez milhões concentrados em Luanda e na sua vasta periferia. Chegámos ao espaço, estamos a edificar uma elite técnica e intelectual capaz de assumir os destinos da Pátria e sabemos, com a lucidez de quem respeita a história, que a razoabilidade económica e social não se decreta por milagre: exige tempo, perseverança e método.

Este percurso hercúleo seria, sem dúvida, mais célere e menos penoso se tivéssemos a canoa inteira a remar no mesmo sentido, com todos os atores políticos a assumirem os seus papéis com os dois pés dentro dela. Infelizmente, ainda não atingimos esse grau de maturidade nacional.

A oposição, liderada obstinadamente pela UNITA, continua a incorrer num erro estratégico de fundo: confunde a governação com a ânsia desenfreada pelo Poder. Preocupa-se em exigir uma alternância mecânica em vez de se dar ao trabalho político e intelectual de construir uma alternativa credível, séria e construtiva. Ao fazê-lo, alimenta uma tempestade artificial que apenas atrasa o passo coletivo e prejudica a colheita de todos os angolanos. Quem confunde o tempo cronológico e social de uma nação inteira com a sua própria urgência pessoal ou partidária, acaba por corroer os ponteiros do relógio e danificar a máquina do Estado. Quem é incapaz de pensar no dia seguinte e de fazer o que é estruturalmente necessário hoje, jamais acertará o passo com o futuro e perder-se-á irremediavelmente pelo caminho.

Os perigos que espreitam no mundo contemporâneo não esperam pelos calendários eleitorais. Eles galgam fronteiras a um ritmo imparável, exigindo a construção de muralhas sólidas de defesa, inteligência e união. A salvaguarda de uma nação não se improvisa; constrói-se com estabilidade, com a consolidação da confiança institucional e com um rumo rigorosamente definido.

É precisamente este rumo de firmeza, integridade territorial e salvaguarda da dignidade da cidadania que o MPLA tem sustentado ao longo de 50 anos de Independência. O futuro de Angola pertence a quem tem a coragem de semear a longo prazo, respeitar o tempo da terra e proteger a canoa de todos nós. É ela que maior ou menor grau de dificuldade levar-nos-á em 2027 à Nova República.