{"id":7194,"date":"2022-07-01T15:33:36","date_gmt":"2022-07-01T14:33:36","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=7194"},"modified":"2022-07-04T09:24:38","modified_gmt":"2022-07-04T08:24:38","slug":"a-imensa-fraude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=7194","title":{"rendered":"A imensa fraude"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">A UNITA tem um problema insan\u00e1vel com a democracia e os seus dirigentes n\u00e3o querem aprender a viver segundo as regras democr\u00e1ticas. Jonas Savimbi entrou na cena pol\u00edtica com o r\u00f3tulo de maoista mas rapidamente se rendeu aos fascistas de Lisboa e juntou as suas armas \u00e0s das tropas de ocupa\u00e7\u00e3o. Escreveu cartas aos chefes militares portugueses garantindo o seu apoio incondicional ao colonialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>O regime de Lisboa caiu e Jonas Savimbi apanhou o comboio do general Sp\u00ednola, defendendo, logo em Maio de 1974, o federalismo porque \u201cos angolanos n\u00e3o est\u00e3o preparados para a independ\u00eancia\u201d. O seu mentor foi corrido do governo e Savimbi n\u00e3o perdeu tempo. Tornou-se o primeiro apoiante da Independ\u00eancia Branca fazendo o papel do Chefe Buthelezi dos colonos ricos. O almirante Rosa Coutinho desfez a conspira\u00e7\u00e3o contra a maioria negra e Jonas Savimbi caiu nos bra\u00e7os do regime de apartheid. Sempre contra o Povo Angolano.<\/p>\n\n\n\n<p>As primeiras elei\u00e7\u00f5es multipartid\u00e1rias, em 1992, revelaram uma face mais sinistra da direc\u00e7\u00e3o da UNITA e de Jonas Savimbi. Confirmada a derrota eleitoral do Galo Negro, mandou sair dos seus esconderijos milhares de homens armados at\u00e9 aos dentes e tentou tomar o poder pela for\u00e7a. Por pouco mataram a democracia ainda no ovo. Mas mataram milhares de angolanas e angolanos indefesos. Sempre, sempre, contra o regime democr\u00e1tico e o Povo Angolano.<\/p>\n\n\n\n<p>O fim de Jonas Savimbi, em 2002, abriu caminho \u00e0 direc\u00e7\u00e3o da UNITA para abandonar o belicismo e a ditadura, abra\u00e7ando, finalmente, a democracia. Rapidamente se percebeu que a nova direc\u00e7\u00e3o nos ia brindar com mais do mesmo. De tal forma que Isa\u00edas Samakuva e os outros partidos do Governo de Unidade e Reconcilia\u00e7\u00e3o Nacional (GURN) debandaram e exigiram elei\u00e7\u00f5es. A UNITA teve uma vota\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima dos dez por cento e os outros partidos averbaram vota\u00e7\u00f5es residuais. T\u00e3o baixas, que alguns foram extintos por falta de votos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Ao longo da sua exist\u00eancia, a UNITA tem estado sempre do lado das ditaduras mais ferozes, desde a salazarista at\u00e9 ao nazismo de Pret\u00f3ria. Para atingir os seus fins, a sua direc\u00e7\u00e3o nunca hesitou em aliar-se a ditadores africanos da estirpe de Mobutu. Ao mesmo tempo que se op\u00f4s de armas na m\u00e3o aos que lutavam pela liberdade, os arautos do \u201cGalo Negro\u201d enchiam a boca com a democracia, numa mistifica\u00e7\u00e3o grosseira da realidade pol\u00edtica. Na frente legal e nos intervalos dos ataques armados \u00e0 p\u00e1tria angolana, usavam a arma insidiosa da mentira, que passou a fazer parte essencial do seu discurso pol\u00edtico. Se os dirigentes da UNITA quisessem viver em democracia j\u00e1 h\u00e1 muito tinham aprendido. Mas o que verificamos \u00e9 um \u00eaxodo permanente de militantes e altos dirigentes, alguns fundadores da organiza\u00e7\u00e3o, porque perderam a esperan\u00e7a de algum dia existir um clima democr\u00e1tico no partido.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o vale a pena enumerar os altos dirigentes da UNITA que se afastaram da organiza\u00e7\u00e3o, porque perderam a esperan\u00e7a de algum dia verem instauradas no seu seio as regras da democracia. Alguns tinham tal valor que deixaram o partido na pen\u00faria absoluta. S\u00f3 ficou quem n\u00e3o tem qualquer perspectiva de futuro na pol\u00edtica, como \u00e9 o caso de Adalberto da Costa J\u00fanior. E esse \u00e9 um grande problema para Angola.<\/p>\n\n\n\n<p>O regime democr\u00e1tico precisa de partidos bem estruturados e com uma base social de apoio s\u00f3lida. N\u00e3o \u00e9 com mentiras que isso se consegue e muito menos com o seu aparecimento na cena pol\u00edtica, apenas quando h\u00e1 elei\u00e7\u00f5es. A UNITA entrou nesse caminho. E ao embrulhar-se na mistifica\u00e7\u00e3o chamada Frente Patri\u00f3tica Unida (FPU) perdeu a base social de apoio. Desde a chamada de Chivukuvu, o traidor de servi\u00e7o, e Filomeno Vieira Lopes, o zero da pol\u00edtica angolana, os apoiantes e simpatizantes do Galo Negro ficaram \u00f3rf\u00e3os. A realidade pol\u00edtica \u00e9 marcada pelas facas longas espetadas nas costas uns dos outros. Todos esfaqueados.<\/p>\n\n\n\n<p>A UNITA na Assembleia Nacional apenas existe na folha de sal\u00e1rios dos deputados. Nos c\u00edrculos provinciais prima pela aus\u00eancia. Nenhum dirigente do Galo Negro aparece junto dos seus apoiantes ou votantes quando \u00e9 preciso. Pelo contr\u00e1rio. Contados os votos, o partido fecha as portas. E para n\u00e3o desaparecer por completo, a sua direc\u00e7\u00e3o vai manipulando os jovens para manifesta\u00e7\u00f5es e ac\u00e7\u00f5es assumidamente de subvers\u00e3o da ordem democr\u00e1tica. Daqui a cinco anos, est\u00e3o de volta para prometer um sal\u00e1rio m\u00ednimo milion\u00e1rio, um po\u00e7o de petr\u00f3leo e uma mina de diamantes a cada angolano. Com uma oposi\u00e7\u00e3o assim, a democracia angolana fica amputada de uma parte essencial da qual brota a altern\u00e2ncia. Quem desaparece do di\u00e1logo e do combate democr\u00e1tico, jamais pode ser alternativa.<\/p>\n\n\n\n<p>A UNITA fez tudo para impedir as elei\u00e7\u00f5es de 24 de Agosto. Come\u00e7ou por sabotar o processo do registo eleitoral. Lan\u00e7ou sobre o processo o an\u00e1tema da fraude. A direc\u00e7\u00e3o do partido s\u00f3 percebeu que cometeu um erro grave quando verificou os resultados finais dos primeiros registos. Se tivesse aderido ao sistema e colaborado como se lhe exigia, os resultados tinham sido ainda melhores.<\/p>\n\n\n\n<p>Perdida a batalha do registo eleitoral, a UNITA faz tudo para impedir o acto eleitoral. E como sempre, lan\u00e7a sobre as elei\u00e7\u00f5es a suspeita da fraude. Em vez de entrar no combate pol\u00edtico, a direc\u00e7\u00e3o do partido elege a Comiss\u00e3o Nacional Eleitoral como principal advers\u00e1ria. A meio da campanha eleitoral de 2017 amea\u00e7ou n\u00e3o ir a votos. Nas v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es anunciou a impugna\u00e7\u00e3o dos resultados eleitorais que desconhecia em absoluto. A fraude continua a ser o \u00fanico argumento pol\u00edtico de uma oposi\u00e7\u00e3o fraudulenta e politicamente irrelevante.<\/p>\n\n\n\n<p>A UNITA tem conseguido, em todas as elei\u00e7\u00f5es, muitos mais votos do que merece. Pelo trabalho que tem realizado na mobiliza\u00e7\u00e3o dos eleitores, poucos vai ter. A direc\u00e7\u00e3o do partido faz tudo para que o seu eleitorado n\u00e3o v\u00e1 votar. Temos de convir que \u00e9 uma estranha forma de participar em elei\u00e7\u00f5es e ainda mais estranha concep\u00e7\u00e3o de democracia.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u201capartheid\u201d ruiu fragorosamente, mas a direc\u00e7\u00e3o da UNITA continua agarrada \u00e0 velha m\u00e1xima que lhe foi ensinada pelos nazis de Pret\u00f3ria: se ganharmos as elei\u00e7\u00f5es, elas s\u00e3o livres e justas. Se perdermos, houve fraude e tomamos o poder pela for\u00e7a. Adalberto da Costa J\u00fanior n\u00e3o tem estaleca pol\u00edtica nem intelectual para ir al\u00e9m deste pensamento viciado, que deu resultados p\u00e9ssimos em 1992 e redundou em derrotas esmagadoras desde ent\u00e3o e at\u00e9 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>A UNITA nem consegue captar os votos de protesto. A democracia angolana fica amputada por desist\u00eancia da oposi\u00e7\u00e3o, que \u00e9 incapaz de perceber os sinais dos tempos e aprender as regras do jogo democr\u00e1tico. Pode ser que os novos partidos concorrentes sejam uma lufada de ar fresco e reforcem a democracia em todas as dimens\u00f5es, inclusive a da altern\u00e2ncia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A UNITA tem um problema insan\u00e1vel com a democracia e os seus dirigentes n\u00e3o querem aprender a viver segundo as regras democr\u00e1ticas. Jonas Savimbi entrou na cena pol\u00edtica com o r\u00f3tulo de maoista mas rapidamente se rendeu aos fascistas de Lisboa e juntou as suas armas \u00e0s das tropas de ocupa\u00e7\u00e3o. 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