{"id":6028,"date":"2022-02-04T14:42:51","date_gmt":"2022-02-04T14:42:51","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=6028"},"modified":"2022-02-07T12:48:23","modified_gmt":"2022-02-07T12:48:23","slug":"4-de-fevereiro-61-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=6028","title":{"rendered":"4 de Fevereiro. 61 anos depois"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">S\u00e3o seis d\u00e9cadas de juventude para uma velhice colonizada, era eu menino de escola quando o sobressalto que rompeu o sil\u00eancio de uma revolta adormecida, fez tremer os alicerces dos instalados. Her\u00f3is arrojados, com o sacrif\u00edcio das pr\u00f3prias vidas, pereceram com o Grito da Liberdade na garganta, levaram nas suas almas o sonho da dignidade humana, e a sede da conquista de uma identidade de cidadania, sem pre\u00e7o, pese alguns constrangimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Angola vive ainda a irrever\u00eancia da sua juventude, um turbilh\u00e3o de acontecimentos est\u00e3o a escrever a sua hist\u00f3ria, persistem desavindos, oportunistas e traidores, e os neocolonialistas nunca desistiram e t\u00eam os seus pe\u00f5es no xadrez que tece o amanh\u00e3 dos povos. Devemos homenagear os her\u00f3is&nbsp;do passado, lembrar os que tombaram, devemos contabilizar os custos da Liberdade, mas neste tempo decisivo de viragem urge encontrar um caminho, e n\u00e3o permitir que este Dia que deveria&nbsp;ser de festa e de consenso nacional, seja obscurecido por aliena\u00e7\u00f5es a uma permanente subvers\u00e3o que obstaculizam o progresso que tanto sacrif\u00edcio exige.<\/p>\n\n\n\n<p>Se \u00e9 verdade que o sonho de Con\u00e1kri&nbsp;encontrou eco na poesia de Neto, o silenciar das armas ainda n\u00e3o se traduziu no respeito pelo Estado e a sua representatividade Executiva, Legislativa, Judici\u00e1ria, restando&nbsp;como baluarte a integridade das For\u00e7as Armadas, quando a clandestinidade ainda perturba a coes\u00e3o policial.<\/p>\n\n\n\n<p>O 4 de Fevereiro deveria ser uma data de Angola, e Angola deveria englobar todos os seus cidad\u00e3os, mas h\u00e1 ADN nas veias de tanta gente, que invariavelmente se rev\u00ea em Lisboa, no Dubai ou em Israel, subalternizados aos diret\u00f3rios que desde 1895 em Berlim sonegam os Direitos de milh\u00f5es de cidad\u00e3os em \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p>O colonialismo claudicou, \u00e9 urgente travar os agentes da cobi\u00e7a externa onde se alimenta a UNITA e particularmente ACJ, o retrocesso pode custar a pre\u00e7o da Liberdade conquistada, e as dificuldades decorrentes da heran\u00e7a e do contexto da Pandemia Global, n\u00e3o podem ser exploradas pelo medo e p\u00e2nico, para subjugar os Povos a modelos de escravatura moderna.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00d3h sonho de tanta lonjura,<\/p>\n\n\n\n<p>Da viagem comprida,<\/p>\n\n\n\n<p>Por caminhos gentios rasgados,<\/p>\n\n\n\n<p>Com suor, l\u00e1grimas e sangue,<\/p>\n\n\n\n<p>Feridas abertas,<\/p>\n\n\n\n<p>Cicatrizes marcadas,<\/p>\n\n\n\n<p>Servid\u00e3o,<\/p>\n\n\n\n<p>Pulsar de raiva silenciada,<\/p>\n\n\n\n<p>Tempo pintado de saudade,<\/p>\n\n\n\n<p>Vontade de tsunami,<\/p>\n\n\n\n<p>Na conquista da Liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Gente de coragem sem medida,<\/p>\n\n\n\n<p>Do algod\u00e3o de Malange,<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 cadeia de S\u00e3o Paulo de Luanda,<\/p>\n\n\n\n<p>Senhores sem destino,<\/p>\n\n\n\n<p>Senhoras sem dono,<\/p>\n\n\n\n<p>Puzzle de caprichos hediondos,<\/p>\n\n\n\n<p>Chama ardente escondida,<\/p>\n\n\n\n<p>Grito preso na garganta,<\/p>\n\n\n\n<p>Pensamento a\u00e7oitado,<\/p>\n\n\n\n<p>Amanh\u00e3s que nunca cantavam,<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 que ecoou o come\u00e7o,<\/p>\n\n\n\n<p>Que se ouviu no mundo&nbsp;inteiro,<\/p>\n\n\n\n<p>O sil\u00eancio ruidoso de um Povo,<\/p>\n\n\n\n<p>No 4 de Fevereiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o seis d\u00e9cadas de juventude para uma velhice colonizada, era eu menino de escola quando o sobressalto que rompeu o sil\u00eancio de uma revolta adormecida, fez tremer os alicerces dos instalados. 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