{"id":5911,"date":"2022-01-20T09:27:54","date_gmt":"2022-01-20T09:27:54","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=5911"},"modified":"2022-01-21T17:38:35","modified_gmt":"2022-01-21T17:38:35","slug":"a-maka-do-holofote","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=5911","title":{"rendered":"A Maka do Holofote"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">O ministro Jo\u00e3o Melo publicou na passada segunda-feira, no jornal portugu\u00eas Di\u00e1rio de Not\u00edcias, um trabalho jornal\u00edstico de grande rigor e alcance, uma pe\u00e7a liter\u00e1ria indispens\u00e1vel \u00e0 felicidade das angolanas e angolanos, inclusive quem n\u00e3o est\u00e1 a receber as mordomias da Assembleia Nacional, onde o autor teve assento 15 anos ao longo dos quais produziu muita e proveitosa legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho de grande f\u00f4lego foi publicado num dos t\u00edtulos do patr\u00e3o da extrema-direita medi\u00e1tica, o senhor Galinha. Em troca ofereceram ao Jornal de Angola um estudo do padre Anselmo Borges a perguntar e se Deus n\u00e3o existisse? Malandrice. Porque a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 se existe ou deixa de existir. O problema \u00e9 se frequentamos ou n\u00e3o religi\u00f5es. Quem frequenta, acredita. Quem consegue libertar-se da ditadura dos deuses, n\u00e3o acredita.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois h\u00e1 os que n\u00e3o frequentam essas coisas. Para esses, n\u00e3o existe nem deixa de existir. Tanto papel gasto para nada. O senhor padre at\u00e9 invoca Brecht, poeta e dramaturgo, que qualifica de marxista. L\u00e1 est\u00e1, fala de uma fatia da Humanidade que tem os seus deuses: Marx, Lenine, Mao Tse Tung e derivados, como Trotsky ou Estaline. Uma constela\u00e7\u00e3o de deuses que manda fama. N\u00e3o frequento. Nem Deus nem Fam\u00edlia nem Autoridade. E desta casta somos muitos. Qualquer dia acabamos com o poder e seus instrumentos, para todo o sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>O ministro Jo\u00e3o Melo intitulou o seu notabil\u00edssimo texto de \u201c\u00c1frica \u2013 o ano de todas as elei\u00e7\u00f5es\u201d. Um portento. Uma arg\u00facia que nem Jacques dos Santos, no seu melhor de motorista do RI20, era capaz. O b\u00eabado da valeta e agente de Adalberto da Costa J\u00fanior, Reginaldo Silva, nunca na vida era capaz desta performance. Feliz o povo que tal ministro tem.<\/p>\n\n\n\n<p>O autor deste milagre jornal\u00edstico, no in\u00edcio de 1975 entrou na Redac\u00e7\u00e3o da Emissora Oficial de Angola (RNA) com uma mukanda na m\u00e3o, que me entregou respeitosamente. Era do meu amigo e camarada H\u00e9lder Neto. Tinha poucas palavras: \u201cEste mi\u00fado \u00e9 filho do nosso camarada Kamaxilu. Ele quer ser jornalista, admite-o na R\u00e1dio. No fim, ele assinava com um V, em cima da letra uma estrela e depois a palavra CERTA. Em baixo, o nome: H\u00e9lder. Queres ser jornalista? Quero. Ent\u00e3o senta-te naquela secret\u00e1ria. E apontei para uma que estava vazia, mesmo \u00e0 minha frente, entre o Quinta da Cunha e o Pena Pires. Quando? Agora! Ele sentou-se, um tanto a medo. Chegou a ministro e como ele merece!<\/p>\n\n\n\n<p>No texto do Di\u00e1rio de Not\u00edcias, diz-nos quando e em que pa\u00edses h\u00e1 elei\u00e7\u00f5es durante este ano, no continente africano. Onde elas v\u00e3o realizar-se, onde s\u00e3o v\u00e3s promessas, onde n\u00e3o passam, de maldosas inten\u00e7\u00f5es. Que arg\u00facia! Que profundidade de an\u00e1lise! Bendita P\u00e1tria que tal filho tem. Depois do calend\u00e1rio e seus coment\u00e1rios profund\u00edssimos, o ministro Jo\u00e3o Melo v\u00ea assim o acto eleitoral de Agosto:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201c<strong>As elei\u00e7\u00f5es no Qu\u00e9nia dever\u00e3o ser das mais bem-sucedidas do continente, \u00e0 semelhan\u00e7a do que vem acontecendo nos \u00faltimos anos. Devido, entre outros factores, \u00e0 crescente independ\u00eancia do poder judicial, o funcionamento da democracia queniana tem registado uma not\u00f3ria e comprovada evolu\u00e7\u00e3o.<br>Quanto \u00e0s elei\u00e7\u00f5es em Angola, o Africa Center for Strategic Studies afirma que as mesmas dever\u00e3o ser apenas &#8220;uma mera formalidade\u201d. Para a referida organiza\u00e7\u00e3o, tal deve-se<\/strong> <strong>ao \u2018controlo da arquitectura institucional\u2019 por parte do partido no poder. O tempo o dir\u00e1.<\/strong>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Como n\u00e3o sou est\u00fapido de todo, quis logo saber o que \u00e9 isso doAfrica Center for Strategic Studies, para onde o ministro Jo\u00e3o Melo empurrou a responsabilidade da opini\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es em Angola. Isto vai dar uma maka mundial. Onde me fui meter.<\/p>\n\n\n\n<p>O Africa Center for Strategic Studies \u00e9 uma prestimosa institui\u00e7\u00e3o do Pent\u00e1gono, nome pelo qual \u00e9 conhecido o Departamento de Defesa dos EUA, respons\u00e1vel pela coordena\u00e7\u00e3o e supervis\u00e3o de todas as ag\u00eancias e fun\u00e7\u00f5es do governo directamente relacionados com a seguran\u00e7a nacional e com as suas for\u00e7as armadas. O Jo\u00e3o Melo cita alto e bom som!<\/p>\n\n\n\n<p>Na p\u00e1gina da prestimosa institui\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia militar ianque vem publicado um texto intitulado \u201c<strong>As Elei\u00e7\u00f5es Complexas de 2022 em \u00c1frica: Restaurando Processos Democr\u00e1ticos<\/strong>\u201d. Tem o mesmo calend\u00e1rio engendrado pelo ministro Jo\u00e3o Melo. Os mesmos coment\u00e1rios sobre os mesmos pa\u00edses. Copiaram o nosso g\u00e9nio. Sobre Angola, escrevem:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<strong>O Movimento Popular de Liberta\u00e7\u00e3o de Angola (MPLA) mant\u00e9m o controlo cont\u00ednuo sobre a pol\u00edtica angolana desde 1975 e est\u00e1 empenhado em garantir que assim continue, ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es de 2022, quando o presidente Jo\u00e3o Louren\u00e7o se candidatar a um segundo mandato.&nbsp;O MPLA persegue sistematicamente este objectivo atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de manobras desajeitadas que maximizam o seu controlo sobre as estruturas do Estado.&nbsp;Atrav\u00e9s da sua profunda influ\u00eancia nos Tribunais, o MPLA tem desafiado a selec\u00e7\u00e3o de novos l\u00edderes da oposi\u00e7\u00e3o, nomeadamente Costa J\u00fanior da UNITA e Abel Chivukuvuku da PRA-JA Servir Angola.&nbsp;Isso cria obst\u00e1culos burocr\u00e1ticos adicionais \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o, que prometeu formar uma coliga\u00e7\u00e3o unificada nas elei\u00e7\u00f5es de 2022, a Frente Patri\u00f3tica Unida.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Citando a pandemia, o MPLA n\u00e3o realiza elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas h\u00e1 mais de tr\u00eas anos, negando o \u00edmpeto da oposi\u00e7\u00e3o antes das elei\u00e7\u00f5es presidenciais.&nbsp;(&#8230;) Ao for\u00e7ar revis\u00f5es constitucionais atrav\u00e9s da legislatura dominada pelo MPLA, a contagem de votos para as elei\u00e7\u00f5es de 2022 deve ser feita centralmente e n\u00e3o a n\u00edvel local, desafiando as melhores pr\u00e1ticas eleitorais, reduzindo assim a supervis\u00e3o e responsabiliza\u00e7\u00e3o dessas contagens.&nbsp;Os l\u00edderes da sociedade civil tamb\u00e9m est\u00e3o preocupados que Louren\u00e7o use as revis\u00f5es constitucionais como justifica\u00e7\u00e3o para reajustar o rel\u00f3gio limite de mandato.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Embora o controlo do MPLA sobre a arquitetura institucional possa conseguir manter seu dom\u00ednio sobre a pol\u00edtica angolana, esta n\u00e3o \u00e9 uma estrat\u00e9gia sustent\u00e1vel para o pa\u00eds em geral.&nbsp;Angola viveu seis anos de contrac\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica apesar da abund\u00e2ncia de recursos naturais.&nbsp;(&#8230;) A combina\u00e7\u00e3o de frustra\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f3micas levou a uma s\u00e9rie de protestos antigovernamentais em Luanda, que foram reprimidos pelas for\u00e7as de seguran\u00e7a angolanas usando balas reais. Em suma, o que poderia ser uma das elei\u00e7\u00f5es mais importantes do continente \u2013 sinalizando um compromisso com uma reforma genu\u00edna, participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mais inclusiva e respeito pelo Estado de Direito \u2013 provavelmente n\u00e3o passar\u00e1 de uma formalidade<\/strong>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores desta c\u00f3pia do trabalho piramidal do ministro Jo\u00e3o Melo dizem que o MPLA n\u00e3o realiza elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas h\u00e1 mais de tr\u00eas anos. Mentira. Dizem que em Agosto vamos ter elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Mentira. Dizem que os votos n\u00e3o ser\u00e3o contados nas assembleias de voto. Mentira. Tudo mentira. Quem s\u00e3o os autores do copian\u00e7o? Joseph Siegle. Tal como o ministro Jo\u00e3o Melo tamb\u00e9m \u00e9 doutor. Dirige no servi\u00e7o do Pent\u00e1gono \u201co programa de pesquisa que produz resumos de seguran\u00e7a africana, documentos de pesquisa e relat\u00f3rios especiais que contribuam para enfrentar os desafios de seguran\u00e7a em \u00c1frica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O copian\u00e7o \u00e9 tamb\u00e9m da responsabilidade da senhora Candace Cook, perita em elei\u00e7\u00f5es no continente africano, boa governan\u00e7a, limites de mandatos presidenciais e transi\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas. Antes de ser recrutada para o Africa Center for Strategic Studies do Pent\u00e1gono, serviu no Gabinete de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado. Tamb\u00e9m no Gabinete de Assuntos Africanos, com foco na \u00c1frica Central.&nbsp;A senhora Cook tem um mestrado em estudos de seguran\u00e7a nacional com \u00eanfase em seguran\u00e7a africana.<\/p>\n\n\n\n<p>O copian\u00e7o dos dois agentes da intelig\u00eancia militar do estado terrorista mais perigoso do mundo (EUA) foi publicado numa sec\u00e7\u00e3o chamada HOLOFOTE! Grande maka \u00e0 luz de todos os s\u00f3is, l\u00e2mpadas, lamparinas e holofotes.<\/p>\n\n\n\n<p>Calma a\u00ed! Est\u00e1 tudo lixado. O precioso texto do ministro Jo\u00e3o Melo, publicado na segunda-feira no Di\u00e1rio de Not\u00edcias de Lisboa, saiu hoje no Jornal de Angola. Sem tirar nem p\u00f4r. A maka est\u00e1 a virar guerra sem quartel.<\/p>\n\n\n\n<p>Desculpa, muita desculpa, caras e caros leitores. Afinal os agentes da intelig\u00eancia militar do Pent\u00e1gono escreveram e publicaram o seu texto no dia 11 de Janeiro: Uma semana antes do ministro Jo\u00e3o Melo. Assim, quem copiou foi ele. S\u00f3 mudou mesmo a parte que dizia respeito a Angola. E com o vigor e a arg\u00facia que se l\u00ea. As coisas est\u00e3o dif\u00edceis mesmo nas grandes pot\u00eancias. Agora s\u00f3 d\u00e3o dinheiro a quem mostra servi\u00e7o. O ministro Jo\u00e3o Melo n\u00e3o esteve com meias medidas. Reproduziu o texto de Joseph Siegle e Candace Cook em dois jornais. Ganha a dobrar! A Canducha, minha companheira das noites de v\u00edcio e pecado, bem me dizia: Viver n\u00e3o custa nada. O que custa \u00e9 saber viver.<\/p>\n\n\n\n<p>Estou de f\u00e9rias. Deixem-me descansar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ministro Jo\u00e3o Melo publicou na passada segunda-feira, no jornal portugu\u00eas Di\u00e1rio de Not\u00edcias, um trabalho jornal\u00edstico de grande rigor e alcance, uma pe\u00e7a liter\u00e1ria indispens\u00e1vel \u00e0 felicidade das angolanas e angolanos, inclusive quem n\u00e3o est\u00e1 a receber as mordomias da Assembleia Nacional, onde o autor teve assento 15 anos ao longo dos quais produziu [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":5913,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[105,21],"tags":[1643,89,433,123,1082,33,1642,1644,121],"class_list":["post-5911","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-opiniao","tag-africa-center-for-strategic-studies","tag-angola","tag-eleicoes","tag-eleicoes-autarquicas","tag-fpu","tag-joao-lourenco","tag-joao-melo","tag-maka","tag-mpla"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5911","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5911"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5911\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5912,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5911\/revisions\/5912"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5913"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}