{"id":5850,"date":"2022-01-14T13:04:54","date_gmt":"2022-01-14T13:04:54","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=5850"},"modified":"2022-01-17T09:23:54","modified_gmt":"2022-01-17T09:23:54","slug":"a-traicao-de-moco-e-o-equivoco-da-unita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=5850","title":{"rendered":"A trai\u00e7\u00e3o de Moco e o equ\u00edvoco da UNITA"},"content":{"rendered":"\n<p>(Adaptado de Artur Queiroz \u201cDirec\u00e7\u00e3o da UNITA e Guerra Total\u201d)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">A UNITA foi sempre dirigida de fora para dentro, desde Jonas Malheiro, que escolheu ser Savimbi que tem conota\u00e7\u00f5es com morte.\u00a0 A direc\u00e7\u00e3o da UNITA em 1971 era o coronel Passos Ramos, chefe da intelig\u00eancia militar portuguesa na Zona Militar Leste. Este por sua vez recebia ordens do general Bettencourt Rodrigues, comandante supremo das tropas. Um oficial superior tamb\u00e9m dirigia a UNITA a partir do quartel-general da Regi\u00e3o Militar de Angola (RMA) em Luanda. Chefiava uma reparti\u00e7\u00e3o e recebia ordens directas do general Luz Cunha, comandante em chefe das for\u00e7as armadas portuguesas em Angola.<\/p>\n\n\n\n<p>Militantes do MPLA arriscaram a liberdade e a vida para desviar da tal reparti\u00e7\u00e3o do quartel general da RMA cartas de Savimbi aos generais Luz Cunha e Bettencourt Rodrigues, ordens de&nbsp; opera\u00e7\u00f5es conjuntas e transfer\u00eancia de militares da UNITA para os Flechas da PIDE em&nbsp; Cangamba e Gago Coutinho (Lumbala Nguimbo).<\/p>\n\n\n\n<p>Existia uma ordem secreta para que uma companhia de artilharia, a pretexto de proteger os madeireiros entre Cangumbe e Munhango, apoiasse Jonas Savimbi at\u00e9 todas as suas tropas serem integradas no Ex\u00e9rcito portugu\u00eas. A companhia do ex\u00e9rcito portugu\u00eas que protegia Savimbi em Cangumbe era comandada pelo capit\u00e3o Benjamim de Almeida que anos mais tarde escreveu um livro intitulado \u201cO Conflito na Frente Leste\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Outubro de 1973, o grande guerrilheiro e presidente da UNITA enviou-lhe uma carta com este pedido:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o gostaria de ser inc\u00f3modo, mas \u00e9 a necessidade que me obriga a solicitar a sua boa vontade, caso possa faz\u00ea-lo, para me arranjar: Uma boa capa de chuva, um par de botas altas militares n\u00famero 42, cinco frascos de aero-om e algumas&nbsp; bisnagas de b\u00e1lsamo de mentol, pomada t\u00f3pica. Caso lhe seja poss\u00edvel adquiri-los, gostaria que me indicasse quanto \u00e9\u201d. (P\u00e1ginas 199 e 200 do livro Angola- O Conflito na Frente Leste).<\/p>\n\n\n\n<p>O tenente Sabino fazia de correio entre Savimbi e o capit\u00e3o Almeida. Em 1974, acabou o embuste porque o Movimento das For\u00e7as Armadas derrubou o regime colonialista e fascista. Savimbi arranjou logo outra direc\u00e7\u00e3o para a UNITA em Lisboa, Kinshasa e Pret\u00f3ria. Em 1978, tudo mudou de figura. A 10 de Abril foi criado o \u201cGrupo de Contacto\u201d constitu\u00eddo pelas pot\u00eancias ocidentais que tinham fortes interesses na \u00c1frica do Sul (EUA, Canad\u00e1, Fran\u00e7a, Inglaterra e Alemanha). Logo a seguir, esses pa\u00edses apresentaram a \u201cProposta&nbsp; de Acordo sobre a situa\u00e7\u00e3o da Nam\u00edbia\u201d ao secret\u00e1rio-geral da ONU. O compromisso era criar condi\u00e7\u00f5es para o fim do regime de apartheid e a liberta\u00e7\u00e3o da Nam\u00edbia. No dia 29 de Agosto de 1978, o secret\u00e1rio-geral Boutros-Ghali submeteu ao Conselho de Seguran\u00e7a da ONU um plano para a aplica\u00e7\u00e3o das medidas preconizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcolino Moco sabe isto tudo, e sabe tamb\u00e9m que a direc\u00e7\u00e3o da UNITA passou para o \u201cGrupo de Contacto\u201d com o apoio de Pret\u00f3ria no terreno. E todo o mundo sabe que esse cartel de pot\u00eancias ocidentais o que queria era instalar um regime de apartheid entre o Maiombe e a Cidade do Cabo. Savimbi era apenas dava a cor.<\/p>\n\n\n\n<p>A opera\u00e7\u00e3o foi desmascarada quando as tropas invasoras sul-africanas retiraram do Cuando Cubango em Mar\u00e7o de 1988 (dez anos depois do embuste chamado Grupo de Contacto) e deixaram para tr\u00e1s os tanques Oliphant, \u00faltima maravilha da ind\u00fastria b\u00e9lica da Rep\u00fablica Federal da Alemanha. A For\u00e7a A\u00e9rea de Pret\u00f3ria era constitu\u00edda por avi\u00f5es franceses e brit\u00e2nicos sendo estes constru\u00eddos na pr\u00f3pria \u00c1frica do Sul, como os Impala.<\/p>\n\n\n\n<p>Na fase decisiva da guerra, o Presidente Reagan ofereceu m\u00edsseis FIM-92 Stinger ao regime racista de Pret\u00f3ria, via UNITA que s\u00f3 servia de biombo para contornar as san\u00e7\u00f5es da ONU ao regime de apartheid.&nbsp; O Canad\u00e1 despejou armas na \u00c1frica do Sul a granel. Esse foi o papel do Grupo de Contacto, armar o regime de apartheid e dirigir a UNITA. Savimbi fazia de chefe guerrilheiro e pol\u00edtico sagaz!<\/p>\n\n\n\n<p>Na fase mais aguda da Guerra pela Soberania Nacional e a Integridade Territorial entrou em cena a \u201cEstrat\u00e9gia da Guerra Total\u201d concebida pela \u201cAfrikaner Broederbond\u201d (Irmandade&nbsp; Afric\u00e2ner), uma rede secreta dos \u201cboers\u201d. Eram os ultras do regime racista. Tinham imenso poder econ\u00f3mico e influ\u00eancia pol\u00edtica em Pret\u00f3ria, Washington Londres, Paris e Bona (RFA). A direc\u00e7\u00e3o da UNITA passou a ser exercida tamb\u00e9m por esta sinistra organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E tu sabes, meu caro Marcolino Moco, que assim aconteceu. Foste primeiro-ministro e tiveste acesso a informa\u00e7\u00e3o privilegiada.<\/p>\n\n\n\n<p>A Irmandade Afric\u00e2ner encarou a possibilidade de bombardear com armas nucleares algumas cidades angolanas. Conhecido por \u201cPelindaba-South African Nuclear Corporation\u201d, o projecto de armas nucleares estava localizado em Pelindaba, lugar onde nos anos 70 foram desenvolvidas as bombas at\u00f3micas sul-africanas. S\u00f3 n\u00e3o tinham como transport\u00e1-las nem dispositivos para faz\u00ea-las explodir.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcolino Moco, quando a UNITA perdeu as elei\u00e7\u00f5es, a sua direc\u00e7\u00e3o em Lisboa e Pret\u00f3ria ordenou a Savimbi que regressasse \u00e0 guerra. Moco sabe bem que ele era um pau mandado e nada mais que isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de 2002, a Irmandade Afric\u00e2ner cobrou de Isa\u00edas Samakuva fidelidade aos acordos. Mas ele tentou cortar as amarras. Quando perdeu as elei\u00e7\u00f5es de 2002, a direc\u00e7\u00e3o da UNITA em Lisboa e Pret\u00f3ria decidiu mesmo afast\u00e1-lo. Atiraram para a frente com Ab\u00edlio Camalata Numa.&nbsp; Ele foi muito desajeitado e a manobra falhou rotundamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcolino Moco sabe que a Irmandade Afric\u00e2ner queria a guerra total e n\u00e3o mais elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 4 de Julho de 2013, sob a alegada viola\u00e7\u00e3o dos Estatutos pela Comiss\u00e3o Pol\u00edtica e pelo Presidente do Partido, Isa\u00edas Samakuva, Ab\u00edlio Kamalata Numa, apresentou \u00e0 direc\u00e7\u00e3o interna um documento que qualificou de \u201cRecurso de clarifica\u00e7\u00e3o da viola\u00e7\u00e3o dos Estatutos\u201d.&nbsp; Esperava por uma vaga de fundo dos militantes que afastasse o l\u00edder que perdeu a confian\u00e7a da direc\u00e7\u00e3o externa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ab\u00edlio Kamalata Numa sempre foi o favorito da Irmandade Afric\u00e2ner. Refor\u00e7ou esse favoritismo porque recompensou a direc\u00e7\u00e3o da UNITA na \u00c1frica do Sul. Numa fez o mesmo quando o chefe morreu no Lucusse. A Irmandade Afrikander recebe, vende e paga todos os lotes de diamantes, onde for preciso e na moeda mais conveniente. Mas Numa \u00e9 politicamente muito desajeitado e foi derrotado.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es de 2017, Samakuva averbou nova derrota. Lisboa e Pret\u00f3ria n\u00e3o gostaram. E decidiram radicalizar a UNITA. Colocaram Adalberto da Costa J\u00fanior \u00e0 frente do biombo, sabendo que \u00e9 o mais desqualificado e desprestigiado membro da direc\u00e7\u00e3o interna. A miss\u00e3o dele \u00e9 criar condi\u00e7\u00f5es para a guerra total vers\u00e3o \u201cmanual do militante da UNITA\u201d. Partir tudo, p\u00f4r em causa os \u00f3rg\u00e3os de soberania, atirar com o caos e a viol\u00eancia para cima da democracia.<\/p>\n\n\n\n<p>A Irmandade Afrikander \u00e9 isto que quer. Aas for\u00e7as de extrema-direita portuguesas que congregam os restos do colonialismo, mais os \u201ccivilizados herdeiros\u201d de M\u00e1rio Soares exigem o fim do poder do MPLA.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcolino Moco sabe que a partir de agora j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 lugar para disfarces. E o que faz Moco que tudo sabe? Nada. Finge e torna-se c\u00famplice de mais uma matan\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Adaptado de Artur Queiroz \u201cDirec\u00e7\u00e3o da UNITA e Guerra Total\u201d) A UNITA foi sempre dirigida de fora para dentro, desde Jonas Malheiro, que escolheu ser Savimbi que tem conota\u00e7\u00f5es com morte.\u00a0 A direc\u00e7\u00e3o da UNITA em 1971 era o coronel Passos Ramos, chefe da intelig\u00eancia militar portuguesa na Zona Militar Leste. 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