{"id":4799,"date":"2021-07-05T12:04:34","date_gmt":"2021-07-05T11:04:34","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=4799"},"modified":"2021-07-11T11:50:56","modified_gmt":"2021-07-11T10:50:56","slug":"lourenco-faz-angola-ganhar-peso-nas-organizacoes-regionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=4799","title":{"rendered":"Louren\u00e7o faz Angola ganhar peso nas organiza\u00e7\u00f5es regionais"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">Depois de um fim de regime sofr\u00edvel de Jos\u00e9 Eduardo dos Santos (JES) em termos de influ\u00eancia regional e continental, o Presidente Jo\u00e3o Louren\u00e7o (JLo) decidiu compensar a todo vapor este atraso.<\/p>\n\n\n\n<p>JLo desde muito cedo quis recuperar a influ\u00eancia diplom\u00e1tica perdida com o seu antecessor JES nas organiza\u00e7\u00f5es multilaterais africanas. Nos \u00faltimos anos do seu mandato (1979-2017), Dos Santos evitou a maioria das cimeiras da Uni\u00e3o Africana (UA), sendo na maioria das vezes representado pelos seus ministros das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores. Apesar do aumento constante das receitas do petr\u00f3leo entre 2002 (fim da guerra civil e in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o das enormes jazidas dos blocos 14, 15 e 17) e 2016, Angola n\u00e3o tinha grandes ambi\u00e7\u00f5es no continente africano fora da sua vizinhan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quatro anos, pelo contr\u00e1rio, Louren\u00e7o sido bastante activo, atrav\u00e9s dos seus dois sucessivos ministros das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores (Manuel Domingos Augusto (2017-2020) e depois T\u00e9te Ant\u00f3nio) de colocar diplomatas em todas as organiza\u00e7\u00f5es regionais ou continentais poss\u00edveis. A palavra de ordem em Luanda \u00e9 agora influenciar as principais decis\u00f5es do continente: Angola n\u00e3o quer mais dar a impress\u00e3o de um pa\u00eds virado para si mesmo. A ideia agora \u00e9 planear, mesmo enquanto as receitas do petr\u00f3leo diminuem &#8211; menos de um milh\u00e3o de barris por dia (b \/ d) &#8211; e o impasse econ\u00f3mico parece total no curto prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00faltima conquista da diplomacia angolana foi a renomea\u00e7\u00e3o, em 3 de fevereiro de 2021, da Comiss\u00e1ria da UA para a Agricultura, Josefa Leonel Correia Sacko. Esta embaixadora conseguiu afastar o candidato marroquino Mohammed Sadiki (secret\u00e1rio-geral do Minist\u00e9rio da Agricultura de seu pa\u00eds) logo \u00e0 primeira volta. Nomeada pela primeira vez em 2017, Sacko contava com uma boa carteira de contactos no continente, tendo sido patrona por treze anos da Organiza\u00e7\u00e3o Interafricana do Caf\u00e9 (OIAC), e tinha tamb\u00e9m o apoio total de Angola que conseguiu, gra\u00e7as \u00e0 sua elei\u00e7\u00e3o, obter o seu primeiro posto de comiss\u00e1rio da UA.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A CIRGL, um trof\u00e9u compat\u00edvel com a ambi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m deste recente sucesso na UA, T\u00e9te Ant\u00f3nio deu um golpe de mestre ao eleger o Embaixador Angolano Jo\u00e3o Samuel Caholo como Secret\u00e1rio Executivo da Confer\u00eancia Internacional sobre a Regi\u00e3o dos Grandes Lagos (CIRGL). Este \u00faltimo assumiu suas novas fun\u00e7\u00f5es na sede da CIRGL em 20 de novembro de 2020 em Bujumbura. Antes da sua nomea\u00e7\u00e3o, foi conselheiro s\u00e9nior do Presidente Louren\u00e7o para a diplomacia e coopera\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Na CIRGL, cujos doze membros v\u00eam de pa\u00edses que v\u00e3o do Qu\u00e9nia \u00e0 Rep\u00fablica do Congo, Caholo vai dar vida \u00e0 nova ambi\u00e7\u00e3o angolana nos Grandes Lagos, em parceria com o Ruanda, com o qual as rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o bastante satisfat\u00f3rias. Luanda interv\u00e9m em particular na Rep\u00fablica Centro-Africana onde se imp\u00f5e como mediadora da crise pol\u00edtica e na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, o seu recinto hist\u00f3rico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CEEAC, outro marco nos Grandes Lagos e na \u00c1frica Central<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A \u201ccaptura\u201d da CIRGL \u00e9 apenas a segunda fase do plano de influ\u00eancia angolana nos Grandes Lagos e na \u00c1frica Central. Desde 31 de agosto de 2020, a Comunidade Econ\u00f3mica dos Estados da \u00c1frica Central (CEEAC) est\u00e1 nas m\u00e3os do Embaixador Gilberto da Piedade Ver\u00edssimo. Anteriormente, foi Secret\u00e1rio Executivo Adjunto para Assuntos Pol\u00edticos da Comiss\u00e3o do Golfo da Guin\u00e9. Com onze pa\u00edses membros, a CEEAC tem um mandato econ\u00f3mico, cultural e por vezes militar com a FOMAC (For\u00e7a Multinacional dos Estados da \u00c1frica Central) que esteve estacionada na Rep\u00fablica Centro-Africana em 2013 antes de ser substitu\u00edda no mesmo ano pela Miss\u00e3o Internacional de apoio \u00e0 Rep\u00fablica Centro-Africana (MISCA) sob a \u00e9gide da UA.<\/p>\n\n\n\n<p>Ver\u00edssimo est\u00e1 longe de ser um novato na pol\u00edtica angolana. Em 2006, foi nomeado por JES n\u00famero 2 do Servi\u00e7o de intelig\u00eancia externa (SIE).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em Bruxelas, o pilar da diplomacia de JES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Louren\u00e7o tamb\u00e9m conseguiu recolocar o \u00faltimo Ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores (2010-2017) do seu antecessor. Com efeito, Georges Rebelo Pinto Chikoti foi eleito, a 7 de dezembro de 2019, Secret\u00e1rio-Geral do Grupo ACP (\u00c1frica, Cara\u00edbas e Pac\u00edfico), para o mandato 2020-2025. O ACP representa mais de 70 dos pa\u00edses menos avan\u00e7ados economicamente &#8211; \u00c1frica sem Magrebe, Am\u00e9rica Latina e Pac\u00edfico &#8211; para negociar parcerias com outras \u00e1reas mais desenvolvidas com o intuito de reduzir a pobreza.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de ter sido embaixador na B\u00e9lgica durante dois anos com autoridade para as rela\u00e7\u00f5es com a Uni\u00e3o Europeia (UE), Chikoti n\u00e3o teve de se deslocar, estando o secretariado ACP tamb\u00e9m sedeado em Bruxelas. Antes de se tornar ministro titular, ele tinha sido vice-ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores. Membro da UNITA (principal partido da oposi\u00e7\u00e3o), juntou-se ao MPLA no seu regresso a Angola nos anos 90, antes da sua carreira diplom\u00e1tica progredir rapidamente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de um fim de regime sofr\u00edvel de Jos\u00e9 Eduardo dos Santos (JES) em termos de influ\u00eancia regional e continental, o Presidente Jo\u00e3o Louren\u00e7o (JLo) decidiu compensar a todo vapor este atraso. JLo desde muito cedo quis recuperar a influ\u00eancia diplom\u00e1tica perdida com o seu antecessor JES nas organiza\u00e7\u00f5es multilaterais africanas. 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