{"id":4490,"date":"2021-05-02T11:41:38","date_gmt":"2021-05-02T10:41:38","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=4490"},"modified":"2021-05-02T11:41:39","modified_gmt":"2021-05-02T10:41:39","slug":"adalberto-da-costa-junior-um-mar-de-asneiras-e-falsidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=4490","title":{"rendered":"Adalberto da Costa J\u00fanior: um mar de asneiras e falsidades"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">Adalberto da Costa J\u00fanior concedeu, no passado dia 30 de Abril, uma entrevista a um jornal online portugu\u00eas que habitualmente acolhe com simpatia as posi\u00e7\u00f5es de Isabel dos Santos.<\/p>\n\n\n\n<p>O que ressalta nessa entrevista, al\u00e9m do facto \u00f3bvio de Adalberto ir para al\u00e9m-fronteiras ensombrar o nome de Angola, \u00e9 que o l\u00edder da UNITA n\u00e3o tem uma \u00fanica ideia pr\u00f3pria, n\u00e3o apresenta uma \u00fanica alternativa de pol\u00edtica, n\u00e3o oferece qualquer programa de governo. O seu discurso \u00e9 da pura maledic\u00eancia.&nbsp; \u00c9 um conjunto de difama\u00e7\u00f5es, cal\u00fanias e inj\u00farias sem subst\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos fic\u00e1mos a perceber que a escolha da UNITA \u00e9 o caos, a anarquia, a desordem e a viol\u00eancia. O que resulta da falta de ideias de Adalberto \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 alternativa \u00e0 governa\u00e7\u00e3o em curso, cujo rumo de transi\u00e7\u00e3o deve ser mantido.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre os arremedos de maledic\u00eancia lan\u00e7ados por Adalberto, h\u00e1 que explicitar seus erros e asneiras, para que n\u00e3o restem d\u00favidas na opini\u00e3o p\u00fablica que estamos perante o vazio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CORRUP\u00c7\u00c3O<\/strong>&#8211;<\/p>\n\n\n\n<p>Adalberto afirma que \u201co combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o que tanto se divulga, na pr\u00e1tica n\u00e3o se verifica.\u201d&nbsp; Facilmente se percebe que isto \u00e9 uma pura mentira. O combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o atravessa toda a sociedade e tem resultados j\u00e1 muito palp\u00e1veis. Pessoas como Augusto Tom\u00e1s, Manuel Rabelais, Valter Filipe, Jos\u00e9 Filomeno dos Santos, que pertenceram ao primeiro estrato do governo ou fam\u00edlia de Jos\u00e9 Eduardo dos Santos, j\u00e1 foram condenados pelos tribunais angolanos. Al\u00e9m destes casos, por todo o pa\u00eds est\u00e3o instaurados milhares de inqu\u00e9ritos criminais contra v\u00e1rios titulares de cargos p\u00fablicos. A isto acresce que j\u00e1 foram \u201ccongelados\u201d em Angola bens no valor de cerca 4 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares e pedida coopera\u00e7\u00e3o judicial al\u00e9m Portugal, \u00e0 Su\u00ed\u00e7a, Holanda, Luxemburgo, Reino Unido, Singapura, Bermudas, Emirados \u00c1rabes Unidos, Ilhas Maur\u00edcias, Reino do M\u00f3naco, Malta, Ilhas de Man e outros. No \u00e2mbito desta coopera\u00e7\u00e3o internacional a Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica j\u00e1 solicitou a apreens\u00e3o e o arresto de bens no valor de cerca de 5 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares norte americanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Facilmente se v\u00ea que existe um enorme combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma tarefa herc\u00falea que o governo e o poder judicial t\u00eam pela frente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao desvalorizar este combate, Adalberto alia-se aos prevaricadores, torna-se c\u00famplice daqueles que roubaram Angola, quer que continuem a roubar. Caso contr\u00e1rio apoiaria o governo e o poder judicial neste des\u00edgnio de unidade nacional. Este \u00e9 um tema que n\u00e3o devia dividir governo e oposi\u00e7\u00e3o, pois estamos perante uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia nacional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AUTARQUIAS LOCAIS-<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As autarquias locais n\u00e3o s\u00e3o uma forma da UNITA tomar o poder. O l\u00edder da UNITA pensa que sim e tem esta obsess\u00e3o. As autarquias locais poder\u00e3o ser- e s\u00f3 ter\u00e3o sentido- se forem uma forma de melhorar a vida das popula\u00e7\u00f5es. Autarquias n\u00e3o s\u00e3o poder, s\u00e3o servi\u00e7o \u00e0 Comunidade. Por essa raz\u00e3o, o poder pol\u00edtico tem de estar atento \u00e0s condi\u00e7\u00f5es para lan\u00e7ar as autarquias. S\u00f3 um trabalho aprofundado e dedicado poder\u00e1 trazer frutos nas autarquias, caso contr\u00e1rio, estas ser\u00e3o apenas mais uma frustra\u00e7\u00e3o e um vazamento imenso de dinheiros p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para as autarquias serem institu\u00eddas t\u00eam de estar reunidas duas condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"a\"><li>haver dinheiro, e<\/li><li>n\u00e3o existir perigo de divisionismo da unidade nacional.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tem sentido criar autarquias sem dinheiro ou para acentuar as tend\u00eancias secessionistas do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 f\u00e1cil perceber-embora Adalberto finja que n\u00e3o v\u00ea- que n\u00e3o \u00e9 no meio dum aperto financeiro que se v\u00e3o instituir autarquias. A prud\u00eancia aconselha que se resolvam primeiro os problemas financeiros do pa\u00eds e s\u00f3 depois se instaurem as autarquias.<\/p>\n\n\n\n<p>A isto acresce que muito menos tem sentido que tal aconte\u00e7a quando no meio da crise financeira grassa uma amea\u00e7a de pandemia. Seria a estupidez em cima da burrice. Que pa\u00eds vai criar um novo estrato de governo quando luta com uma recess\u00e3o econ\u00f3mica e uma pandemia mundial?<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do mais, a cria\u00e7\u00e3o das autarquias n\u00e3o pode ter os mesmos efeitos que a cria\u00e7\u00e3o de governos locais teve no Reino Unido ou em Espanha.<\/p>\n\n\n\n<p>No Reino Unido, cuja Guerra Civil acabou em 1651, a cria\u00e7\u00e3o de governos aut\u00f3nomos em regi\u00f5es como a Esc\u00f3cia no final do s\u00e9culo XX est\u00e1 a levar a uma tentativa de secess\u00e3o desta na\u00e7\u00e3o do Reino Unido. Este poder\u00e1 em breve acabar.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Espanha, onde a Guerra Civil terminou em 1939, o mesmo problema est\u00e1 a acontecer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Catalunha.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso simples perceber que Angola, cuja Guerra Civil apenas cessou em 2002, tem uma posi\u00e7\u00e3o muito mais prec\u00e1ria e for\u00e7as de destrui\u00e7\u00e3o podem rapidamente tomar conta do pa\u00eds e dividi-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 fundamental que as autarquias sejam bem financiadas e n\u00e3o se tornem motivo de divis\u00e3o, mas de unidade nacional. \u00c9 isso que Adalberto n\u00e3o entende ou finge n\u00e3o entender.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REVIS\u00c3O CONSTITUCIONAL-<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A UNITA absteve-se em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 proposta de revis\u00e3o constitucional. N\u00e3o votou contra e n\u00e3o apresentou qualquer proposta alternativa ou qualquer texto consent\u00e2neo. As afirma\u00e7\u00f5es de Adalberto sobre o tema s\u00e3o, por isso, conversa fiada.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que a revis\u00e3o se justificava por raz\u00f5es fundamentais de pol\u00edtica econ\u00f3mica: dotar o banco central de independ\u00eancia por forma a dar confian\u00e7a aos agentes econ\u00f3micos para promover o investimento e combater a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Aproveitando esse objectivo de relevante interesse nacional, optou-se por fazer pequenas modifica\u00e7\u00f5es, geralmente de cariz t\u00e9cnico para aperfei\u00e7oar a Constitui\u00e7\u00e3o. Est\u00e3o a ser ouvidas na Assembleia Nacional, al\u00e9m dos partidos pol\u00edticos, v\u00e1rios representantes da sociedade civil num di\u00e1logo franco e aberto.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 a ser a revis\u00e3o constitucional socialmente mais participada que alguma aconteceu. O estranho \u00e9 que a UNITA se tenha abstido de participar no processo e s\u00f3 venha dizer mal por dizer, sem apresentar qualquer contributo positivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m ficou claro que a revis\u00e3o n\u00e3o tem qualquer papel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de 2022, por isso representa muita m\u00e1-f\u00e9 vir alegar isso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ELEI\u00c7\u00c3O PRESIDENCIAL-<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 mentira que o Presidente da Rep\u00fablica n\u00e3o seja escolhido directamente pelos angolanos. A Constitui\u00e7\u00e3o tem de ser lida tendo em conta o Ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal Constitucional n.\u00ba 111\/2010 que para garantir \u201cimediaticidade do voto\u201d e a salvaguarda da certeza jur\u00eddica da elei\u00e7\u00e3o presidencial obrigou a que os boletins de voto contivessem os nomes e fotos dos candidatos a Presidente e Vice-Presidente da Rep\u00fablica. Portanto, quando votam, os angolanos sabem bem que est\u00e3o a eleger o Presidente da Rep\u00fablica. \u00c9 um voto directo e imediato naquele que querem que seja o Presidente da Rep\u00fablica. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas ou equ\u00edvocos.<\/p>\n\n\n\n<p>Este sistema \u00e9 bem mais democr\u00e1tico que a elei\u00e7\u00e3o do Presidente da \u00c1frica do Sul, cuja tradi\u00e7\u00e3o constitucional desde Nelson Mandela, n\u00e3o \u00e9 contestada. Na \u00c1frica do Sul, o Presidente da Rep\u00fablica \u00e9 eleito pela Assembleia Nacional, a c\u00e2mara baixa do Parlamento, e geralmente \u00e9 o l\u00edder do maior partido, que \u00e9 o Congresso Nacional Africano desde as primeiras elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o raciais realizadas em 27 de abril de 1994.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais asneiras e erros foram proferidos por Adalberto na sua entrevista, mas basta esta enumera\u00e7\u00e3o para se perceber a falta de qualidade e consist\u00eancia da personagem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adalberto da Costa J\u00fanior concedeu, no passado dia 30 de Abril, uma entrevista a um jornal online portugu\u00eas que habitualmente acolhe com simpatia as posi\u00e7\u00f5es de Isabel dos Santos. 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