{"id":4206,"date":"2021-01-26T10:25:34","date_gmt":"2021-01-26T10:25:34","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=4206"},"modified":"2021-01-26T10:36:35","modified_gmt":"2021-01-26T10:36:35","slug":"angola-pode-aproveitar-o-brexit","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=4206","title":{"rendered":"Angola pode aproveitar o Brexit"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">O Brexit (sa\u00edda do Reino Unido da Uni\u00e3o Europeia) acaba de se concretizar. Uma quest\u00e3o que naturalmente se levanta \u00e9: para onde Boris Johnson e seu governo se devem voltar nesta fase de rela\u00e7\u00f5es frias com o continente europeu?<\/p>\n\n\n\n<p>A ponte com o seu eterno aliado, os Estados Unidos da Am\u00e9rica, j\u00e1 foi lan\u00e7ada. Boris Johnson, o Primeiro-Ministro, j\u00e1 \u201cpiscou\u201d o olho ao novo Presidente, Joe Biden, e aparentemente, n\u00e3o hesita em ser um \u201cponta de lan\u00e7a\u201d nas rela\u00e7\u00f5es transatl\u00e2nticas, tal como aconteceu na era Trump. Mas a verdade, \u00e9 que os Estados Unidos t\u00eam outras prioridades e a \u201crela\u00e7\u00e3o especial\u201d alegada pelos brit\u00e2nicos em rela\u00e7\u00e3o aos americanos \u00e9 algo de sentido \u00fanico, sem grande relev\u00e2ncia no desenho da pol\u00edtica externa de Washington. As rela\u00e7\u00f5es anglo-europeias sempre tiveram altos e baixos, e com o tempo, possivelmente, voltar\u00e3o a normalizar. Contudo, neste momento est\u00e3o encapeladas e n\u00e3o oferecem seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tribunadeangola.org\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/foto-bj-africa.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4208\" width=\"805\" height=\"453\" srcset=\"https:\/\/tribunadeangola.org\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/foto-bj-africa.jpg 512w, https:\/\/tribunadeangola.org\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/foto-bj-africa-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 805px) 100vw, 805px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;Assim, \u00e9 evidente que o Reino Unido necessita de amigos e parceiros fi\u00e1veis fora da Europa neste per\u00edodo. Boris Johnson sabe disso, e por isso n\u00e3o foi surpresa, quando referiu que o Reino Unido deveria ser o parceiro preferido de investimento no continente Africano. &nbsp;Recentemente, na Confer\u00eancia de Investimento Reino Unido \u2013 \u00c1frica, considerou que \u201cna Gr\u00e3-Bretanha, temos muito a aprender com a engenhosidade, energia e ambi\u00e7\u00e3o do empreendedorismo africano, bem como da cria\u00e7\u00e3o de riqueza\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os sectores de neg\u00f3cio do Reino Unido podem tomar partido de la\u00e7os mais estreitos com \u00c1frica. Um dos sectores importantes poder\u00e1 ser a fintech (tecnologia financeira). Nunca \u00e9 de mais lembrar que metade das 10 principais economias em crescimento do mundo situam-se em \u00c1frica e a tecnologia digital est\u00e1 a crescer vertiginosamente no continente.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso de Angola, segundo dados do Minist\u00e9rio das Telecomunica\u00e7\u00f5es, Tecnologias de Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o Social, o pa\u00eds tem em rede cerca de 7 milh\u00f5es de utilizadores de internet e aproxima-se dos 15 milh\u00f5es de utentes de telefonia m\u00f3vel, n\u00fameros que ainda podem e devem melhorar, mas que n\u00e3o s\u00e3o de desconsiderar. O mercado angolano est\u00e1 em franco crescimento e tem priorizado os dispositivos m\u00f3veis. Tal como j\u00e1 o faz na Nig\u00e9ria, a maior economia de \u00c1frica, o Reino Unido pode explorar tamb\u00e9m o enorme potencial de Angola neste campo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, atente-se por exemplo \u00e0s empresas que se dedicam \u00e0 transfer\u00eancia digital de dinheiro como a Azimo que j\u00e1 lida com bili\u00f5es de d\u00f3lares em pagamentos a destinat\u00e1rios africanos de trabalhadores migrantes no Reino Unido. Estes pagamentos s\u00e3o cruciais para as economias em desenvolvimento, especialmente neste per\u00edodo de crise derivado \u00e0 pandemia do covid-19. Estas formas de pagamento, podem estimular novos mercados para outros servi\u00e7os financeiros e proporcionar \u00e0s pessoas o acesso a ferramentas muito \u00fateis para v\u00e1rios tipos de investimentos, como por exemplo contas poupan\u00e7a, empr\u00e9stimos comerciais, pens\u00f5es ou algo relacionado com a \u00e1rea de seguros.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, podem n\u00e3o ser apenas as empresas brit\u00e2nicas a beneficiar. Tome-se como exemplo a M-Pesa do Qu\u00e9nia. Esta empresa \u00e9 considerada um modelo not\u00e1vel de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e em quest\u00f5es ligadas a pagamentos m\u00f3veis est\u00e3o muito \u00e0 frente de suas cong\u00e9neres europeias. Assim, as empresas brit\u00e2nicas podiam tomar partido do know-how adicional e aproveitarem-se dessa vantagem t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, embora saibamos que a \u00c1sia, particularmente a China, est\u00e1 a ser o principal catalisador do desenvolvimento de \u00c1frica, designadamente no plano comercial, o Reino Unido apresenta algumas vantagens competitivas relativamente aos pa\u00edses asi\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, goza do privil\u00e9gio de ter um fuso hor\u00e1rio comum. Grande parte do continente africano tem um hor\u00e1rio de negocia\u00e7\u00e3o semelhante ao do Reino Unido, tornando desta forma, a coopera\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio muito mais espont\u00e2neo e descomplicado.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo aspecto \u00e9 a pr\u00f3pria l\u00edngua. O Reino Unido foi o maior Imp\u00e9rio Mundial, tendo-se repercutido isso tamb\u00e9m em \u00c1frica. O ingl\u00eas \u00e9 a l\u00edngua mais falada no continente, com cerca de 700 milh\u00f5es de falantes n\u00e3o nativos. Obviamente, que em Angola n\u00e3o se fala ingl\u00eas, mas existe uma forte capacidade de adapta\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica, os falantes de portugu\u00eas t\u00eam geralmente facilidade em falar outras l\u00ednguas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo, observa-se uma crescente di\u00e1spora africana no Reino Unido, e naturalmente que esta vai aprofundando os la\u00e7os culturais. Mais de 1,5 milh\u00f5es de africanos vivem em terras de sua majestade, e como seria de esperar, muitos enviam dinheiro de volta para o seu pa\u00eds de origem. Com um pa\u00eds voltado para a engenhosidade e empreendedorismo, \u00e9 de capital import\u00e2ncia incentivar e investir nessas caracter\u00edsticas do povo africano.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso Boris Johnson esteja realmente empenhado na promo\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es comerciais com \u00c1frica, seria conveniente apoiar esta inten\u00e7\u00e3o com pol\u00edticas de investimento pr\u00f3-com\u00e9rcio. Caso contr\u00e1rio, desperdi\u00e7ar\u00e1 uma \u00f3ptima oportunidade de parceria com a regi\u00e3o mais promissora do mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brexit (sa\u00edda do Reino Unido da Uni\u00e3o Europeia) acaba de se concretizar. Uma quest\u00e3o que naturalmente se levanta \u00e9: para onde Boris Johnson e seu governo se devem voltar nesta fase de rela\u00e7\u00f5es frias com o continente europeu? A ponte com o seu eterno aliado, os Estados Unidos da Am\u00e9rica, j\u00e1 foi lan\u00e7ada. 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