{"id":3821,"date":"2020-11-24T12:56:27","date_gmt":"2020-11-24T12:56:27","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=3821"},"modified":"2021-05-26T17:41:22","modified_gmt":"2021-05-26T16:41:22","slug":"ameaca-do-terrorismo-islamico-cresce-em-angola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=3821","title":{"rendered":"Amea\u00e7a do terrorismo \u201cisl\u00e2mico\u201d cresce em Angola"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">A amea\u00e7a do terrorismo isl\u00e2mico est\u00e1 j\u00e1 nos pa\u00edses vizinhos de Angola. N\u00e3o surpreende que tente chegar ao pa\u00eds ou j\u00e1 existam infiltra\u00e7\u00f5es nos descontentamentos violentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Recentes not\u00edcias vindas de Mo\u00e7ambique indicam que a guerrilha instalada no Norte do pa\u00eds, fomentada por indiv\u00edduos ligados a organiza\u00e7\u00f5es terroristas isl\u00e2micas est\u00e1 a alargar-se \u00e0 Tanz\u00e2nia. A Voz da Am\u00e9rica d\u00e1 conta que as autoridades tanzanianas anunciaram terem detido algumas das pessoas que estiveram envolvidas no ataque dos insurgentes, no dia 14 de outubro findo, a uma localidade tanzaniana. O mesmo meio de comunica\u00e7\u00e3o social acrescenta o coment\u00e1rio de um acad\u00e9mico, segundo o qual: &#8220;Os insurgentes, com estes ataques, est\u00e3o a querer internacionalizar o problema, assim como implantar-se no solo tanzaniano, se \u00e9 que ainda n\u00e3o est\u00e3o implantados.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma cada vez maior internacionaliza\u00e7\u00e3o do terrorismo isl\u00e2mico em \u00c1frica, que vai passando despercebido no resto do mundo, sobretudo no meio da pandemia Covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos acad\u00e9micos e estudiosos como Joseph Hanlon afirmam que este fen\u00f3meno n\u00e3o pode ser denominado isl\u00e2mico, pois a religi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a sua marca fundamental. A sua qualifica\u00e7\u00e3o estar\u00e1 mais ligada \u00e0 pobreza e \u00e0 influ\u00eancia do narco-tr\u00e1fico e outras organiza\u00e7\u00f5es criminosas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, esta discuss\u00f5es acabam por ter pouco relevo pr\u00e1tico. \u00c9 evidente que o apelo \u201cisl\u00e2mico\u201d e o terror que fomenta \u00e9 uma esp\u00e9cie de marca que os terroristas adoptam e tamb\u00e9m \u00e9 evidente que a pobreza e o sentimento de explora\u00e7\u00e3o s\u00e3o os motivadores desse terrorismo.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma esp\u00e9cie de conflu\u00eancia entre insatisfa\u00e7\u00e3o social e pessoal, e a mensagem assertiva e intimidante que a perten\u00e7a a uma organiza\u00e7\u00e3o terrorista isl\u00e2mica assegura. Por toda a \u00c1frica, c\u00e9lulas terroristas isl\u00e2micas est\u00e3o em ac\u00e7\u00e3o expandindo-se paulatina, mas seguramente por todo o continente. No Mali e na zona do Sahel, no Norte de \u00c1frica a presen\u00e7a francesa no combate aos terroristas isl\u00e2micos \u00e9 uma realidade quotidiana. Na Nig\u00e9ria o Boko Haram continua a fazer estragos e o governo mant\u00e9m-se impotente para terminar com a sua amea\u00e7a. Mais uma vez, alguns autores (Sheriff Folarin) afirmam que nem o Boko Haram ou o Estado Isl\u00e2mico (EI) na \u00c1frica Ocidental s\u00e3o nigerianos ou mu\u00e7ulmanos. Parece existir uma esp\u00e9cie de apropria\u00e7\u00e3o religiosa e cultural com vista a construir uma narrativa de terror baseada numa imagem do Isl\u00e3o divulgada pela Al-Qaeda e pelo Daesh.<\/p>\n\n\n\n<p>Facilmente se v\u00ea que a geografia africana do terrorismo isl\u00e2mico vai cercando Angola. A Leste, Mo\u00e7ambique e a Tanz\u00e2nia est\u00e3o envolvidos em refregas com terroristas isl\u00e2micos. A Norte o mesmo j\u00e1 est\u00e1 pelo menos na Nig\u00e9ria, e abalando fortemente o Mali e o N\u00edger.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema maior \u00e9 que na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (RDC) tamb\u00e9m j\u00e1 existem manifesta\u00e7\u00f5es v\u00e1rias do terrorismo isl\u00e2mico. O primeiro ataque reivindicado pelo EI na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (RDC) ocorreu na quinta-feira, 18 de abril de 2019 em Bovata, perto da cidade de Beni, em Kivu do Norte. Nesta ocasi\u00e3o, o EI declarou a \u201cProv\u00edncia da \u00c1frica Central\u201d do Califado, ap\u00f3s 2 soldados congoleses e um civil serem mortos num tiroteio. No entanto, uma prov\u00edncia centro-africana j\u00e1 havia sido mencionada por Al-Baghdadi em Agosto de 2018, o que significa que \u00e9 poss\u00edvel que o Estado Isl\u00e2mico na Prov\u00edncia da \u00c1frica Central j\u00e1 existisse h\u00e1 quase um ano, antes do EI publicamente atribuir um ataque a este ramo. Tal ter-lhes-ia dado tempo suficiente para reunir lutadores, organizar e planear ataques, antes de revelar oficialmente sua exist\u00eancia. Outro grupo isl\u00e2mico na RDC \u00e9 o ADF. Originalmente tratava-se de um grupo armado criado no Uganda fundado em 1995, reunindo movimentos de oposi\u00e7\u00e3o ao presidente Yoweri Museveni. &nbsp;Era o resultado de uma fus\u00e3o entre o Tabliq de Uganda, o movimento mu\u00e7ulmano armado e remanescentes do secular Ex\u00e9rcito Nacional para a Liberta\u00e7\u00e3o de Uganda (NALU). Em 1995, os militares regulares do Uganda invadiram as bases Tabliq, for\u00e7ando-os a fugir para a RDC, onde se uniram \u00e0 NALU para formar o ADF. Embora ADF sempre tenha tido ra\u00edzes isl\u00e2micas, ao longo do tempo assumiu muitas faces, que v\u00e3o do salafismo ao nacionalismo secular, etno-nacionalismo e secessionismo, cada um com um prop\u00f3sito diferente e visando diferentes p\u00fablicos. Hoje, o grupo parece ter assumido uma posi\u00e7\u00e3o radical isl\u00e2mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Face a este cerco, n\u00e3o admira que Angola se deva preocupar com a possibilidade s\u00e9ria do surgimento do terrorismo isl\u00e2mico no seu territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema n\u00e3o estar\u00e1 tanto nas comunidades mu\u00e7ulmanas pac\u00edficas existentes no pa\u00eds, mas no aproveitamento pela propaganda e meios log\u00edsticos do EI e entidades similares do descontentamento que grassa nalguns sectores, tornando-os em pasto f\u00e9rtil para recrutamento de terroristas ditos isl\u00e2micos.<\/p>\n\n\n\n<p>O fen\u00f3meno que se tem assistido em toda a \u00c1frica \u00e9 o do oportunismo do terrorismo isl\u00e2mico que busca a insatisfa\u00e7\u00e3o para se instalar.<\/p>\n\n\n\n<p>Os seus recrutas podem ser crist\u00e3os convertidos, pessoas sem religi\u00e3o, \u00e9 indiferente.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se v\u00ea em Mo\u00e7ambique ou na RDC as organiza\u00e7\u00f5es terroristas assumem v\u00e1rias faces, as que melhor satisfazem os seus objetivos. A marca \u201cisl\u00e2mico\u201d \u00e9 a marca de terror, que assusta a popula\u00e7\u00e3o e as autoridades.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o admiraria que em muitas das agita\u00e7\u00f5es mais violentas que se tem assistido em Luanda nos \u00faltimos tempos houvesse j\u00e1 algumas infiltra\u00e7\u00f5es de elementos do EI seguindo a estrat\u00e9gia que est\u00e3o a adoptar noutros pa\u00edses.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A amea\u00e7a do terrorismo isl\u00e2mico est\u00e1 j\u00e1 nos pa\u00edses vizinhos de Angola. N\u00e3o surpreende que tente chegar ao pa\u00eds ou j\u00e1 existam infiltra\u00e7\u00f5es nos descontentamentos violentos. Recentes not\u00edcias vindas de Mo\u00e7ambique indicam que a guerrilha instalada no Norte do pa\u00eds, fomentada por indiv\u00edduos ligados a organiza\u00e7\u00f5es terroristas isl\u00e2micas est\u00e1 a alargar-se \u00e0 Tanz\u00e2nia. A Voz [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4604,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[105,21],"tags":[109,89,108,115,110,114,113,116,111,112],"class_list":["post-3821","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-opiniao","tag-al-qaeda","tag-angola","tag-boko-haram","tag-celulas-terroristas","tag-covid-19","tag-daesh","tag-estado-islamico","tag-organizacoes-terroristas","tag-terrorismo-internacional","tag-terrorismo-islamico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3821","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3821"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3821\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4605,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3821\/revisions\/4605"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4604"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3821"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3821"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3821"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}