{"id":16968,"date":"2026-10-25T12:46:25","date_gmt":"2026-10-25T11:46:25","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=16968"},"modified":"2026-10-25T13:15:07","modified_gmt":"2026-10-25T12:15:07","slug":"a-ilusao-da-alternativa-alheia-o-custo-estrategico-de-olhar-para-o-lado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=16968","title":{"rendered":"A Ilus\u00e3o da Alternativa Alheia: O Custo Estrat\u00e9gico de Olhar para o Lado"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O debate pol\u00edtico em Angola enfrenta frequentemente um desvio de foco que compromete a matura\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica do pa\u00eds. Quando sectores associados \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o, e, em particular, a UNITA, decidem investir tempo, energia intelectual e capital pol\u00edtico na an\u00e1lise, defesa ou torcida por fac\u00e7\u00f5es internas do partido no poder, revelam um sintoma preocupante: a dificuldade cr\u00f3nica em assumir-se, sem complexos, como uma alternativa real de governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que apontar o dedo a indiv\u00edduos, o problema reside numa estrat\u00e9gia falhada de quem aspira a ser Poder. Um partido que pretende liderar os destinos de Angola n\u00e3o pode dar-se ao luxo de terceirizar o seu pensamento pol\u00edtico para as lutas intestinas do advers\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira grande falha estrat\u00e9gica desta postura \u00e9 confundir a din\u00e2mica interna do MPLA com a agenda nacional de transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. A sucess\u00e3o ou a disputa de correntes dentro do partido no poder, seja envolvendo figuras do passado recente ou hist\u00f3ricos do aparelho militar e partid\u00e1rio, diz respeito unicamente aos militantes dessa forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a oposi\u00e7\u00e3o, ocupar o espa\u00e7o medi\u00e1tico e mental com debates sobre quem deve liderar o advers\u00e1rio \u00e9 um duplo erro:<br>Desmobiliza o eleitorado: O cidad\u00e3o comum, confrontado com os problemas reais do custo de vida, do desemprego e da falta de perspectivas, n\u00e3o quer saber qual a fac\u00e7\u00e3o do MPLA que sair\u00e1 vencedora de um congresso. Quer saber qual \u00e9 a alternativa concreta que a oposi\u00e7\u00e3o oferece.<\/p>\n\n\n\n<p>Semeia a descren\u00e7a: Quando a oposi\u00e7\u00e3o passa mais tempo a debater os direitos pol\u00edticos de figuras do partido no poder do que a apresentar propostas de governa\u00e7\u00e3o, transmite uma mensagem impl\u00edcita de fragilidade e de depend\u00eancia psicol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>Repete-se ciclicamente um erro de perce\u00e7\u00e3o: acreditar que a solu\u00e7\u00e3o para derrotar o sistema passa por reciclar ou abra\u00e7ar figuras dissidentes do pr\u00f3prio sistema.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2022, viu-se a ilus\u00e3o de que certas alian\u00e7as ou figuras ligadas ao passado poderiam servir de atalho para a mudan\u00e7a. Hoje, assiste-se ao mesmo fen\u00f3meno em rela\u00e7\u00e3o a outras figuras hist\u00f3ricas do aparelho do Estado. Esta repeti\u00e7\u00e3o exp\u00f5e um d\u00e9fice de coragem pol\u00edtica e de projeto pr\u00f3prio. Quem quer ser poder n\u00e3o pode continuar a procurar her\u00f3is nos escombros do partido que pretende substituir. A mudan\u00e7a genu\u00edna exige ruptura conceptual, e n\u00e3o o reaproveitamento de descontentes do regime.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00e2mago da quest\u00e3o \u00e9 a falta de confian\u00e7a na vit\u00f3ria e na capacidade de lideran\u00e7a pr\u00f3pria. Um partido com voca\u00e7\u00e3o de poder foca-se exclusivamente na constru\u00e7\u00e3o da sua pr\u00f3pria coes\u00e3o, na expans\u00e3o da sua base social de apoio e na fiscaliza\u00e7\u00e3o rigorosa da governa\u00e7\u00e3o vigente.<\/p>\n\n\n\n<p>Perder o foco em disputas alheias \u00e9 o equivalente pol\u00edtico a jogar para o empate quando se precisa de vencer o campeonato. Demonstra que, no fundo, persiste o medo ou a descren\u00e7a na capacidade de os l\u00edderes da oposi\u00e7\u00e3o, como o subserviente&nbsp;deprimido, bacharel tirano psicopata intruj\u00e3o, Adalberto Costa J\u00fanior, ACJ &#8220;Betinho&#8221;, conquistarem o poder por m\u00e9rito pr\u00f3prio e atrav\u00e9s de um programa pol\u00edtico aut\u00f3nomo.<\/p>\n\n\n\n<p>Perderam Higino Carneiro, Tchiz\u00e9 dos Santos e Isabel dos Santos afastaram-se, ficaram os proscritos&nbsp;residuais sem alternativa e mergulhados&nbsp;no loda\u00e7al, como Marcolino Moco, Ra\u00fal Diniz, Francisco Viana, V\u00edtor Hugo Mendes, e os terroristas Gra\u00e7a Campos, o Gama e o Gangsta.<\/p>\n\n\n\n<p>Angola n\u00e3o precisa de uma oposi\u00e7\u00e3o que funcione como ala moderada ou fac\u00e7\u00e3o cr\u00edtica interna do partido no poder. O pa\u00eds precisa de uma for\u00e7a pol\u00edtica madura, focada, aut\u00f3noma e implac\u00e1vel na apresenta\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es para os problemas reais dos angolanos., o que a UNITA, de todo, n\u00e3o tem capacidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a oposi\u00e7\u00e3o continuar a gastar energias a discutir quem deve mandar no advers\u00e1rio, continuar\u00e1 a adiar o seu pr\u00f3prio destino. O poder n\u00e3o se espera, nem se pede emprestado \u00e0s cis\u00f5es alheias, conquista-se com trabalho, clarivid\u00eancia estrat\u00e9gica e, acima de tudo, com a firme convic\u00e7\u00e3o de que o futuro do pa\u00eds depende exclusivamente do projeto que se tem para oferecer ao povo.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe ao MPLA assumir a responsabilidade de assegurar o caminho iniciado em 1958, interrompido em 1978, e devolver cada vez mais intensidade da&nbsp; esperan\u00e7a e a capacidade de sonhar, a uma cidadania que caminha de m\u00e3o dadas para uma Nova Rep\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O debate pol\u00edtico em Angola enfrenta frequentemente um desvio de foco que compromete a matura\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica do pa\u00eds. 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