{"id":16880,"date":"2026-09-22T18:41:42","date_gmt":"2026-09-22T17:41:42","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=16880"},"modified":"2026-09-22T18:41:42","modified_gmt":"2026-09-22T17:41:42","slug":"angola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=16880","title":{"rendered":"Angola"},"content":{"rendered":"\n<p>Desde 1885, Angola nunca foi uma palavra completa, livre, ch\u00e3o dos angolanos. Durante 90 anos construiu-se uma integridade territorial e conseguiu-se uma unidade na diversidade, mas esta foi alcan\u00e7ada numa submiss\u00e3o escravagista que verteu em sofrimento, sangue, suor e l\u00e1grimas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1975, depois de 14 anos de uma determinada Luta de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional, conseguimos ser senhores de n\u00f3s pr\u00f3prios, mas o tempo jogou contra n\u00f3s. A Guerra Fria, que emergiu no p\u00f3s-Segunda Guerra Mundial, dividiu o mundo em duas partes, essas partes dividiram Angola, e a liberdade foi uma ilus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Herd\u00e1mos v\u00edcios, houve um desenraizamento cultural, e a ilus\u00e3o deu abertura a um caminho desastroso que nos dividiu, tornando-nos novamente dependentes e alienados a uma elite fundamentalista, corrupta, apegada a mordomias e aliada a uma apet\u00eancia pelo poder que sustentava essa ambi\u00e7\u00e3o desenfreada.<\/p>\n\n\n\n<p>Angola n\u00e3o entrou no dicion\u00e1rio nacional; a harmoniza\u00e7\u00e3o sonhada partiu-se. As divis\u00f5es e os desentendimentos da luta armada agudizaram-se, at\u00e9 que UNITA e MPLA desencadearam uma guerra civil que terminou com a morte de um dos beligerantes em 2002. At\u00e9 l\u00e1, falharam acordos, viveram-se ilus\u00f5es e desilus\u00f5es, num somat\u00f3rio de desastres numa caminhada at\u00e9 2017, ano em que Angola mais uma vez foi esquecida pela insaciabilidade do enriquecimento il\u00edcito, que instituiu uma divis\u00e3o catastr\u00f3fica entre uma pseudo-elite corrupta e um povo esquecido. Medo, justicialismo d\u00e9spota, crimes contra a humanidade, desrespeito pelos direitos elementares dos cidad\u00e3os e um saque do er\u00e1rio p\u00fablico e dos recursos naturais a favor das lideran\u00e7as de ambos os lados da guerra civil.<\/p>\n\n\n\n<p>O MPLA demorou, no seguimento da Glasnost e da Perestroika, a renovar-se no \u00e2mbito das suas responsabilidades hist\u00f3ricas. S\u00f3 em 2017 emerge do interior do partido Jo\u00e3o Manuel Gon\u00e7alves Louren\u00e7o, que, contra tudo e contra todos os interesses poderosos instalados, com determina\u00e7\u00e3o e resili\u00eancia, protagonizou a mudan\u00e7a t\u00e3o ambicionada e estabeleceu um novo rumo sobre os destro\u00e7os de um passado que pode ser perdoado, mas nunca esquecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Colocou Angola no dicion\u00e1rio do mundo, mas ainda n\u00e3o conseguiu colocar Angola no dicion\u00e1rio angolano. A UNITA ficou parada no tempo, os corruptos criaram uma rede aven\u00e7ada para tentar perpetuar a coutada, e, quer foragidos no estrangeiro a fugir da justi\u00e7a, quer c\u00e1 dentro a tentar desestabilizar o MPLA, continuam a colocar os interesses pessoais acima dos do povo de Angola.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas combater a ideia de um retrocesso \u00e9 um desafio gigantesco. O Galo Negro n\u00e3o desarma e, impune, segue promovendo o tribalismo, o separatismo e uma ideia permanente de vingan\u00e7a que traz \u00e0 tona uma preemin\u00eancia f\u00fatil, geradora de um sentimento perene e acrimonioso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o nacional e ao di\u00e1logo democr\u00e1tico fundamental para o desenvolvimento do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Exige-se uma campanha pedag\u00f3gica, uma mobiliza\u00e7\u00e3o patri\u00f3tica, uma cruzada c\u00edvica&nbsp;em que Angola seja a primeira palavra do dicion\u00e1rio angolano, que seja uma prioridade nacional. \u00c9 Angola que o Senhor Presidente da Rep\u00fablica vai representar no palco do mundo, na Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas em Nova Iorque. \u00c9 essa na\u00e7\u00e3o gloriosa, que recuperou a sua identidade e dignidade de cidadania, que em 2027 vai estar a ser julgada pelos angolanos.<\/p>\n\n\n\n<p>O caminho n\u00e3o pode recuar, tem de ir em frente, livre e democraticamente, de Cabinda ao Cunene, das 200 milhas do Atl\u00e2ntico ao Leste, e o MPLA \u00e9 a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o verdadeiramente cred\u00edvel para alimentar a esperan\u00e7a numa Nova Rep\u00fablica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 1885, Angola nunca foi uma palavra completa, livre, ch\u00e3o dos angolanos. 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