{"id":16849,"date":"2026-09-13T09:01:46","date_gmt":"2026-09-13T08:01:46","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=16849"},"modified":"2026-09-13T09:19:55","modified_gmt":"2026-09-13T08:19:55","slug":"o-que-higino-e-os-seus-juristas-nao-entendem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=16849","title":{"rendered":"O que Higino e os seus juristas n\u00e3o entendem"},"content":{"rendered":"\n<p>O comunicado agora divulgado pelo Gabinete de Assessoria de Imprensa de Francisco Higino Lopes Carneiro insiste em discutir prazos, procedimentos e interpreta\u00e7\u00f5es regulamentares, mas evita enfrentar o ponto verdadeiramente decisivo de toda esta controv\u00e9rsia: a<strong> exist\u00eancia de alegadas falsifica\u00e7\u00f5es documentais. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esta omiss\u00e3o \u00e9 estrutural. Porque, com a falsifica\u00e7\u00e3o de documentos, o processo deixa de ser uma quest\u00e3o de calend\u00e1rio ou de conformidade estatut\u00e1ria e passa a situar\u2011se no dom\u00ednio penal. <\/p>\n\n\n\n<p>E, quando entra o direito penal, tudo o resto \u2014 prazos, suprimentos, reclama\u00e7\u00f5es, interpreta\u00e7\u00f5es da Subcomiss\u00e3o \u2014 torna\u2011se automaticamente irrelevante. <strong>A nulidade \u00e9 absoluta. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>E, sendo absoluta, n\u00e3o admite corre\u00e7\u00e3o, suprimento ou continua\u00e7\u00e3o do procedimento. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 este o ponto essencial que o comunicado n\u00e3o enfrenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo do texto, insiste\u2011se na ideia de que a candidatura teria direito a suprir irregularidades, a ser convocada para esclarecimentos ou a ver respeitado o calend\u00e1rio eleitoral previamente anunciado. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas tais argumentos s\u00f3 seriam v\u00e1lidos num cen\u00e1rio de meras desconformidades formais. <\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o o s\u00e3o quando a pr\u00f3pria Subcomiss\u00e3o afirma ter identificado milhares de fichas falsas e documentos presumivelmente forjados. <\/p>\n\n\n\n<p>Perante tal afirma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 prazo que valha, n\u00e3o h\u00e1 suprimento poss\u00edvel, n\u00e3o h\u00e1 calend\u00e1rio que possa ser invocado. <\/p>\n\n\n\n<p>A exist\u00eancia de falsifica\u00e7\u00e3o  n\u00e3o \u00e9 uma irregularidade; \u00e9 um crime. E crimes n\u00e3o se resolvem com regulamentos internos, resolvem\u2011se com a interven\u00e7\u00e3o da Procuradoria\u2011Geral da Rep\u00fablica. O comunicado, por\u00e9m, evita cuidadosamente esta dimens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao centrar o debate na previsibilidade das regras, na igualdade de tratamento e na necessidade de transpar\u00eancia, o texto procura deslocar o foco para o terreno pol\u00edtico\u2011organizacional, onde a candidatura se sente mais confort\u00e1vel. <\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o essencial permanece: se h\u00e1 falsifica\u00e7\u00e3o, o processo est\u00e1 contaminado na origem e n\u00e3o pode produzir efeitos jur\u00eddicos v\u00e1lidos. <\/p>\n\n\n\n<p>A nulidade n\u00e3o decorre de prazos mal aplicados, mas da viola\u00e7\u00e3o da lei penal. E, se assim for, n\u00e3o h\u00e1 decis\u00e3o judicial sobre provid\u00eancias cautelares que altere este facto. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>O comunicado tenta transformar um problema jur\u00eddico\u2011criminal num debate sobre procedimentos internos, mas a realidade \u00e9 mais simples e mais dura: quando h\u00e1 falsifica\u00e7\u00e3o, tudo \u00e9 nulo. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>E, sendo nulo, n\u00e3o h\u00e1 calend\u00e1rio que o salve.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O comunicado agora divulgado pelo Gabinete de Assessoria de Imprensa de Francisco Higino Lopes Carneiro insiste em discutir prazos, procedimentos e interpreta\u00e7\u00f5es regulamentares, mas evita enfrentar o ponto verdadeiramente decisivo de toda esta controv\u00e9rsia: a exist\u00eancia de alegadas falsifica\u00e7\u00f5es documentais. Esta omiss\u00e3o \u00e9 estrutural. 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