{"id":16791,"date":"2026-09-01T08:43:06","date_gmt":"2026-09-01T07:43:06","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=16791"},"modified":"2026-09-01T10:09:49","modified_gmt":"2026-09-01T09:09:49","slug":"o-coice","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=16791","title":{"rendered":"O Coice\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se for eleito Presidente da Rep\u00fablica, desfiliar-me-ei de imediato da UNITA, para ser presidente de todos os angolanos: Adalberto Costa J\u00fanior.&#8221;<br>A ideia de um l\u00edder partid\u00e1rio se desvincular ou afastar formalmente da sua for\u00e7a pol\u00edtica ap\u00f3s vencer as elei\u00e7\u00f5es insere-se num debate mais amplo sobre a natureza do regime pol\u00edtico e o papel do Presidente da Rep\u00fablica em Angola, dependente da Assembleia Nacional e de uma Maioria pol\u00edtica qualificada.<br>A Constitui\u00e7\u00e3o angolana estabelece um sistema em que o Presidente da Rep\u00fablica \u00e9 simultaneamente o Chefe de Estado, Chefe do Executivo e o cabe\u00e7a de lista do partido ou coliga\u00e7\u00e3o de partidos mais votado nas elei\u00e7\u00f5es legislativas (Artigo 109.\u00ba e seguintes da CRA). N\u00e3o existe a elei\u00e7\u00e3o direta unipessoal para Presidente da Rep\u00fablica separada do Parlamento; vota-se na lista de candidatos a deputados apresentada pelos partidos, sendo o primeiro da lista do partido vencedor automaticamente investido como Presidente.<br>Frequentemente, defensores de medidas desta natureza argumentam que, uma vez eleito, o Presidente da Rep\u00fablica passa a representar a totalidade da Na\u00e7\u00e3o e todos os cidad\u00e3os, independentemente de sua filia\u00e7\u00e3o club\u00edstica ou partid\u00e1ria (conforme o princ\u00edpio republicano de imparcialidade do Estado). Desfiliar-se ou suspender a milit\u00e2ncia ativa pode ser visto como um sinal de que o Chefe de Estado quer governar para o pa\u00eds e n\u00e3o apenas para o aparelho partid\u00e1rio, distanciando o Governo das amarras org\u00e2nicas do partido.<br>Por outro lado, dentro dos partidos pol\u00edticos, uma a\u00e7\u00e3o desse g\u00e9nero \u00e9 muitas vezes encarada com grande desconfian\u00e7a ou ressentimento. Os militantes e a estrutura org\u00e2nica investem recursos, tempo e capital pol\u00edtico na campanha para colocar o seu l\u00edder no poder. Para a base partid\u00e1ria, o l\u00edder chegar \u00e0 chefia do Estado e afastar-se do coletivo pode ser interpretado como uma forma de ingratid\u00e3o ou uma tentativa de enfraquecer o controlo democr\u00e1tico que o partido deve exercer sobre o executivo que ajudou a eleger.<br>A quest\u00e3o toca no n\u00facleo do equil\u00edbrio de poderes em Angola: quando o Chefe de Estado acumula imensas prerrogativas executivas sem uma forte depend\u00eancia org\u00e2nica face a um partido, o risco de o poder se tornar excessivamente personalista e opaco \u00e9 real.<br>Nos sistemas onde o Presidente lidera o partido, a pr\u00f3pria m\u00e1quina partid\u00e1ria serve, em tese, como um \u00f3rg\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o ou de debate interno. Sem essa amarra institucional, e dispondo de total liberdade para nomear e exonerar o Governo (conforme consagrado nos poderes executivos do Presidente na Constitui\u00e7\u00e3o), um l\u00edder desvinculado de qualquer partido pode ficar menos sujeito \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica pr\u00e9via.<br>Se o Presidente deixar de responder perante uma dire\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria ou congresso, o poder de nomea\u00e7\u00e3o pode recair mais facilmente em redes de lealdade pessoal, clientelismo ou la\u00e7os familiares, acentuando os riscos de nepotismo e decis\u00f5es autocr\u00e1ticas.<br>Para que uma atitude desta natureza garanta transpar\u00eancia em vez de abrir a porta ao despotismo, a maioria dos analistas constitucionais aponta que a medida teria de vir acompanhada de uma profunda revis\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o. Sem mexer nos amplos poderes presidenciais atuais, retirar o partido da equa\u00e7\u00e3o apenas concentraria ainda mais o poder na figura do indiv\u00edduo.<br>Uma verdadeira garantia de transpar\u00eancia exigiria que a desvincula\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria fosse contrabalan\u00e7ada com:<br>O refor\u00e7o dos poderes de fiscaliza\u00e7\u00e3o da Assembleia Nacional sobre o Executivo.<br>A limita\u00e7\u00e3o estrita dos poderes de nomea\u00e7\u00e3o presidencial (sujeitando certas escolhas a ratifica\u00e7\u00e3o parlamentar).<br>Mecanismos robustos de responsabiliza\u00e7\u00e3o e independ\u00eancia das institui\u00e7\u00f5es de controlo (como tribunais e entidades anticorrup\u00e7\u00e3o).<br>Sem estas salvaguardas estruturais, a sa\u00edda do partido pode transformar a chefia do Estado num polo de poder isolado, onde a aus\u00eancia de controlo partid\u00e1rio \u00e9 substitu\u00edda pela falta de qualquer controlo institucional eficaz.<br>\u00c9 precisamente isto que sempre ambicionou ACJ &#8220;Betinho, desde que conseguiu em conluio com o monarca do Galo Negro Lukamba &#8220;Miau&#8221; Gato, e estrategicamente exigido pelos que suportam esta caminhada su\u00edcida. E mente est\u00e1 a futilidade acrimoniosa de um absolutismo personificado para atingir uma preemin\u00eancia Pol\u00edtica.<br>A UNITA est\u00e1 hoje capturada por tr\u00eas militantes, Lukamba &#8220;MIau&#8221; Gato, Eug\u00e9nio &#8220;Renovado&#8221; Manuvakola, Adriano Sapi\u00f1ala, em conluio hip\u00f3crita com o general Jos\u00e9 Maria, um dos seus filhos em Lisboa, filho de uma das suas tr\u00eas esposas, Morena, Marta e Paula, e Paula Roque e Isabel dos Santos, que comandam o corpo aven\u00e7ado e mercen\u00e1rio com fome e sede de sugar Angola. Neste contexto, Higino Carneiro \u00e9 mais uma distra\u00e7\u00e3o alimentada pelo seu ego, um caso perdido\u00a0cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 irritar, desafiar, e tentar ser motivo para ser m\u00e1rtir de Jo\u00e3o Manuel Gon\u00e7alves Louren\u00e7o.<br>ACJ &#8220;Betinho&#8221;, e a sua &#8220;entourage&#8221;\u00a0 na obscuridade, apercebendo-se da situa\u00e7\u00e3o est\u00e3o a servir-se da UNITA para depois, se assim fosse, completar a golpada.<br>A analogia com o modelo do antigo PRI (Partido Revolucion\u00e1rio Institucional) do M\u00e9xico traz para cima da mesa um risco real e historicamente testado: o perigo de a fachada institucional mudar enquanto a concentra\u00e7\u00e3o e a hegemonia do poder se mant\u00eam intocadas.<br>No sistema pol\u00edtico mexicano do s\u00e9culo XX, o Presidente em exerc\u00edcio exercia um poder quase imperial durante o seu mandato, mas estava submetido \u00e0 disciplina e aos equil\u00edbrios internos da &#8220;fam\u00edlia revolucion\u00e1ria&#8221; do PRI, acabando por entregar o poder ao sucessor escolhido pelo sistema. A compara\u00e7\u00e3o com essa l\u00f3gica aplica-se de duas maneiras distintas ao debate angolano:<br>Se um l\u00edder se desfilia formalmente do partido ap\u00f3s vencer as elei\u00e7\u00f5es, mas o aparelho de Estado, a m\u00e1quina administrativa, a atribui\u00e7\u00e3o de contratos p\u00fablicos e a influ\u00eancia econ\u00f3mica continuarem a ser geridos por uma elite presidencial (ou por um novo bloco central de poder que substitua o anterior sem alterar as regras do jogo), o sistema ganha apenas uma apar\u00eancia cosm\u00e9tica de neutralidade.<br>No modelo mexicano cl\u00e1ssico, a for\u00e7a n\u00e3o vinha apenas do partido em si, mas da colossal concentra\u00e7\u00e3o de poderes discricion\u00e1rios nas m\u00e3os do Presidente (o chamado metaconstitucionalismo). Se em Angola se retirar a amarra\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria a um Presidente que j\u00e1 disp\u00f5e de poderes quase absolutos de nomea\u00e7\u00e3o, o risco n\u00e3o \u00e9 tanto o de criar um &#8220;PRI&#8221;, mas sim o de blindar o Chefe de Estado contra qualquer controlo pol\u00edtico, transformando-o num potentado intoc\u00e1vel durante o seu mandato.<br>Em suma, se a desfilia\u00e7\u00e3o ocorrer num contexto de hiper-concentra\u00e7\u00e3o de poderes sem contrapesos institucionais, pode efetivamente abrir-se a porta a um modelo autorit\u00e1rio onde o l\u00edder dita as regras sem escrut\u00ednio org\u00e2nico ou parlamentar. \u00c9 aqui que reside a quest\u00e3o da transpar\u00eancia, da exig\u00eancia, da democracia, que Jo\u00e3o Manuel Gon\u00e7alves Louren\u00e7o, tem pautado o seu percurso, tra\u00e7ando o perfil na continuidade mas submetendo-o \u00e0 vontade expressa livremente pelos militantes do Partido\u00a0MPLA, e promover novos ditames constitucionais, ap\u00f3s uma Revis\u00e3o\u00a0Constitucional, que com o apoio expresso da cidadania dar\u00e1 lugar uma Nova Rep\u00fablica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Se for eleito Presidente da Rep\u00fablica, desfiliar-me-ei de imediato da UNITA, para ser presidente de todos os angolanos: Adalberto Costa J\u00fanior.&#8221;A ideia de um l\u00edder partid\u00e1rio se desvincular ou afastar formalmente da sua for\u00e7a pol\u00edtica ap\u00f3s vencer as elei\u00e7\u00f5es insere-se num debate mais amplo sobre a natureza do regime pol\u00edtico e o papel do Presidente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":16792,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[44,105,21],"tags":[491,89,25],"class_list":["post-16791","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo-de-abertura","category-noticias","category-opiniao","tag-acj","tag-angola","tag-unita"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16791","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=16791"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16791\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16793,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16791\/revisions\/16793"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/16792"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=16791"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=16791"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=16791"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}