{"id":16728,"date":"2026-08-15T14:53:45","date_gmt":"2026-08-15T13:53:45","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=16728"},"modified":"2026-08-15T16:47:53","modified_gmt":"2026-08-15T15:47:53","slug":"a-falacia-juridica-e-politica-do-segundo-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=16728","title":{"rendered":"A Fal\u00e1cia Jur\u00eddica e Pol\u00edtica do &#8220;Segundo Estado&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A UNITA n\u00e3o pode branquear, pelas mem\u00f3rias e reflex\u00f5es dos seus patronos d\u00e9spotas, Paulo Lukamba &#8220;Miau&#8221; Gato e Eug\u00e9nio &#8220;Renovado&#8221; Manuvakola, o que representou a o Galo Negro em Angola no p\u00f3s Independ\u00eancia Nacional.<br>A guerra civil n\u00e3o emergiu de uma vontade popular, foi um exerc\u00edcio de medo de um tirano obcecado&nbsp;pelo Poder, Jonas Savimbi, que explorou uma etnia transmitindo-lhe uma supremacia ilus\u00f3ria, cujo contexto ditatorial dizimou quem desejou a Paz e a democracia, que por qualquer motivo f\u00fatil desafiou&nbsp;a sua lideran\u00e7a, e destruiu tudo quanto fosse produtivo e patrim\u00f3nio hist\u00f3rico onde esteve e por onde passou.<br>O que sobrou a UNITA foram sepulturas de patriotas convictos, e um punhado de gente presun\u00e7osa que continua na senda do Poder a qualquer custo, numa l\u00f3gica de clandestinidade.<br>Vejamos o que escreveu Paulo Lukamba &#8220;Miau&#8221; Gato:<br>&#8220;O novo Estado independente foi, desde o in\u00edcio, estruturado sob a l\u00f3gica da guerra. As suas institui\u00e7\u00f5es, os seus \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a e defesa, a comunica\u00e7\u00e3o social e em grande medida, o pr\u00f3prio funcionamento do Estado foram concebidos em fun\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de um inimigo.<br>Esta l\u00f3gica foi-se aprofundando durante os 16 anos que se seguiram. A guerra n\u00e3o produziu apenas duas for\u00e7as militares em confronto. Produziu, na pr\u00e1tica, dois centros de poder pol\u00edtico e administrativo que procuravam exercer fun\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias de Estado.<br>De um lado, Luanda, sede do Estado internacionalmente reconhecido. Do outro, a Jamba, onde a UNITA, sob a lideran\u00e7a do Dr. Jonas Savimbi, em resist\u00eancia, construiu uma estrutura pol\u00edtico-militar que procurava assegurar praticamente todas as fun\u00e7\u00f5es de um Estado: for\u00e7as armadas, administra\u00e7\u00e3o, rela\u00e7\u00f5es externas, actividade econ\u00f3mica e social e at\u00e9 mecanismos pr\u00f3prios de justi\u00e7a e organiza\u00e7\u00e3o territorial.&#8221;<br>Em termos de direito internacional e constitucional, nunca existiu bi-centralidade de soberania em territ\u00f3rio angolano. Entre 1975 e 2002, existiu um \u00fanico Estado reconhecido pela comunidade internacional, pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas e pela Organiza\u00e7\u00e3o de Unidade Africana (atual Uni\u00e3o Africana): a Rep\u00fablica Popular de Angola (e posteriormente Rep\u00fablica de Angola), com sede em Luanda e com assento em todas as inst\u00e2ncias diplom\u00e1ticas mundiais.<br>Controlar por via da for\u00e7a armada parcelas transit\u00f3rias do territ\u00f3rio nacional, atrav\u00e9s de campanhas de guerrilha e terror, n\u00e3o confere a nenhum movimento o estatuto de Estado. Trata-se de uma subvers\u00e3o conceptual confundir o controle&nbsp;militar prec\u00e1rio de zonas de conflito com a soberania estatal, que implica reconhecimento internacional, ordem jur\u00eddica est\u00e1vel, administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica civil e servi\u00e7os universais.<br>Enquanto o Estado angolano, liderado pelo MPLA com todas as suas contradi\u00e7\u00f5es e dificuldades, erguia pontes, estradas, hospitais, escolas e mantinha a ossatura administrativa do pa\u00eds, a ac\u00e7\u00e3o da UNITA traduziu-se sistematicamente na destrui\u00e7\u00e3o de infraestruturas estrat\u00e9gicas (linhas f\u00e9rreas, barragens, redes el\u00e9tricas e pontes) e na asfixia econ\u00f3mica das popula\u00e7\u00f5es.<br>Um &#8220;Estado&#8221; caracteriza-se por estruturas duradouras de bem-estar social e desenvolvimento. A governa\u00e7\u00e3o exercida nos redutos controlados pela UNITA durante o conflito cingiu-se a uma estrutura militarizada e autocr\u00e1tica, sem capacidade de transi\u00e7\u00e3o para um modelo econ\u00f3mico ou social vi\u00e1vel que pudesse servir de alternativa ao pa\u00eds.<br>Os Acordos de Paz de 2002 n\u00e3o resultaram de um pacto entre dois Estados em p\u00e9 de igualdade, mas sim da consuma\u00e7\u00e3o da derrota militar de um grupo rebelde e da decapita\u00e7\u00e3o da sua lideran\u00e7a em combate.<br>Foi o Estado angolano, sob a lideran\u00e7a do MPLA, que teve a magnanimidade pol\u00edtica de estender a m\u00e3o aos vencidos, integr\u00e1-los na legalidade democr\u00e1tica, nas For\u00e7as Armadas Angolanas e nas institui\u00e7\u00f5es da Rep\u00fablica, salvando o pa\u00eds do abismo total. A UNITA s\u00f3 existe hoje legalmente porque beneficiou da generosidade da paz constru\u00edda por quem venceu a guerra.<br>Permitir que a ideia de que &#8220;houve dois Estados em Bicesse&#8221; \u00e9 abrir a porta a perigosas tend\u00eancias separatistas, revisionistas e de fragmenta\u00e7\u00e3o da identidade nacional. O futuro de Angola n\u00e3o pode ser ref\u00e9m de narrativas mitol\u00f3gicas que pretendem branquear o passado de viol\u00eancia e destrui\u00e7\u00e3o.<br>O foco do futuro reside na consolida\u00e7\u00e3o do Estado democr\u00e1tico de direito, na moderniza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, na diversifica\u00e7\u00e3o produtiva e na coes\u00e3o territorial. Angola \u00e9 uma, soberana e indivis\u00edvel, de Cabinda ao Cunene, e o seu desenvolvimento exige que todas as for\u00e7as pol\u00edticas respeitem a primazia inegoci\u00e1vel da legalidade constitucional e das institui\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas da Nova Rep\u00fablica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A UNITA n\u00e3o pode branquear, pelas mem\u00f3rias e reflex\u00f5es dos seus patronos d\u00e9spotas, Paulo Lukamba &#8220;Miau&#8221; Gato e Eug\u00e9nio &#8220;Renovado&#8221; Manuvakola, o que representou a o Galo Negro em Angola no p\u00f3s Independ\u00eancia Nacional.A guerra civil n\u00e3o emergiu de uma vontade popular, foi um exerc\u00edcio de medo de um tirano obcecado&nbsp;pelo Poder, Jonas Savimbi, que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":16729,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[44,105,21],"tags":[89,121,25],"class_list":["post-16728","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo-de-abertura","category-noticias","category-opiniao","tag-angola","tag-mpla","tag-unita"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16728","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=16728"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16728\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16730,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16728\/revisions\/16730"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/16729"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=16728"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=16728"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunadeangola.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=16728"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}