{"id":16638,"date":"2026-07-15T11:35:47","date_gmt":"2026-07-15T10:35:47","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=16638"},"modified":"2026-07-15T12:34:03","modified_gmt":"2026-07-15T11:34:03","slug":"consciencializacao-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=16638","title":{"rendered":"Consciencializa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Legado da Rutura: Como Jo\u00e3o Louren\u00e7o Reconstruiu a Credibilidade de Angola<\/strong><br>A hist\u00f3ria recente das transi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas em \u00c1frica raramente \u00e9 escrita com gestos de rutura dr\u00e1stica dentro do pr\u00f3prio partido do poder. Quando Jo\u00e3o Louren\u00e7o assumiu a presid\u00eancia de Angola em 2017, poucos previam que o pacato antigo ministro da Defesa se tornaria o arquiteto de uma desmontagem cir\u00fargica do &#8220;status quo&#8221; que governou o pa\u00eds durante quase quatro d\u00e9cadas. Hoje, o veredicto das organiza\u00e7\u00f5es internacionais \u00e9 claro: Angola progrediu em aspectos estruturais fundamentais. No entanto, o verdadeiro feito de Louren\u00e7o n\u00e3o se mede apenas pelos n\u00fameros macroecon\u00f3micos, mas sim pela coragem pol\u00edtica de liderar uma transi\u00e7\u00e3o interna sem precedentes.<br><strong>O Feito da Coragem Pol\u00edtica: Romper com o Intoc\u00e1vel<\/strong><br>O principal m\u00e9rito hist\u00f3rico de Jo\u00e3o Louren\u00e7o reside na quebra de um dogma pol\u00edtico. Ao eleger o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e ao nepotismo como a bandeira do seu mandato, o presidente n\u00e3o hesitou em atingir os c\u00edrculos de influ\u00eancia mais \u00edntimos do regime anterior. O desmantelamento de monop\u00f3lios que sufocavam o er\u00e1rio p\u00fablico e a recupera\u00e7\u00e3o de milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares de capitais desviados enviaram um sinal inequ\u00edvoco aos mercados financeiros: Angola estava finalmente aberta a regras de jogo transparentes.<br>Essa postura exigiu um capital de risco pol\u00edtico imenso. Ao avan\u00e7ar contra interesses instalados dentro do seu pr\u00f3prio partido, Louren\u00e7o for\u00e7ou uma transi\u00e7\u00e3o dolorosa, mas necess\u00e1ria, que substituiu o capitalismo de compadrio por uma abertura econ\u00f3mica assente na atra\u00e7\u00e3o de investimento estrangeiro direto e na privatiza\u00e7\u00e3o de ativos do Estado.<br><strong>A Grande Jogada Diplom\u00e1tica: O Corredor do Lobito e o Reposicionamento Global<\/strong><br>Se internamente as reformas foram disruptivas, externamente o feito de Jo\u00e3o Louren\u00e7o confina-se \u00e0 genialidade diplom\u00e1tica. Angola conseguiu distanciar-se da imagem de um petroestado dependente e opaco para se afirmar como um parceiro estrat\u00e9gico e fi\u00e1vel tanto para o Ocidente como para o Oriente.<br>O exemplo mais flagrante deste sucesso \u00e9 o Corredor do Lobito \u2014 a infraestrutura ferrovi\u00e1ria transcontinental apoiada financeiramente pelos Estados Unidos e pela Uni\u00e3o Europeia para escoar os minerais cr\u00edticos da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e da Z\u00e2mbia. Sob a sua lideran\u00e7a, Angola n\u00e3o s\u00f3 atraiu este colossal investimento ocidental, como manteve as suas hist\u00f3ricas e robustas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas com a China. Louren\u00e7o operou um verdadeiro golpe de mestre ao transformar o pa\u00eds num piv\u00f4 de estabilidade e coopera\u00e7\u00e3o na \u00c1frica Subsariana.\u00a0<br><strong>O Paradoxo do Reformador: O Custo Social da Austeridade<\/strong><br>Contudo, o veredicto sobre este feito hist\u00f3rico depara-se com um paradoxo profundo. A pr\u00f3pria natureza das reformas macroecon\u00f3micas exigidas pelas inst\u00e2ncias internacionais \u2014 como o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) \u2014 imp\u00f4s um pre\u00e7o elevado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. A desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial necess\u00e1ria para estabilizar o Kwanza, o fim gradual dos subs\u00eddios aos combust\u00edveis e a consolida\u00e7\u00e3o fiscal traduziram-se numa infla\u00e7\u00e3o severa e na perda do poder de compra dos angolanos no dia a dia. Destruiu-se durante quatro d\u00e9cadas o pa\u00eds, as suas gentes foram sistematicamente esquecidas, guerra, corrup\u00e7\u00e3o, nepotismo, deixaram um\u00a0rasto\u00a0de desigualdade e uma centraliza\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica na capital e periferia, porque Angola sitiou-se em Luanda.\u00a0<br>Este \u00e9 o grande teste ao legado do presidente. A credibilidade internacional e a robustez fiscal alcan\u00e7adas nos gabinetes de Luanda e Washington ainda n\u00e3o se refletiram plenamente na melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida, no emprego e no combate \u00e0 pobreza extrema que fustiga as grandes periferias urbanas e as zonas rurais. A heran\u00e7a foi pesada, dram\u00e1tica, Jos\u00e9 Eduardo dos Santos concertou uma estrat\u00e9gia com a oposi\u00e7\u00e3o da UNITA, silenciou-a a troco de benesses, e hoje vivem latindo como uma matilha raivosa porque nunca conseguiram apresentar-se como alternativa.<br><strong>Veredicto: Um Estadista para Fora, um Desafio para Dentro<\/strong><br>O feito de Jo\u00e3o Louren\u00e7o \u00e9 ineg\u00e1vel: ele resgatou Angola do isolamento institucional, limpou a face do Estado perante os credores internacionais e colocou o pa\u00eds na vanguarda da geopol\u00edtica regional africana. O &#8220;novo modelo angolano&#8221; \u00e9 hoje elogiado de Genebra a Nova Iorque.<br>Por\u00e9m, a verdadeira consagra\u00e7\u00e3o deste feito hist\u00f3rico depender\u00e1 da sua capacidade de converter o prest\u00edgio diplom\u00e1tico e o equil\u00edbrio macroecon\u00f3mico em desenvolvimento humano real. O estadista que convenceu o mundo de que Angola mudou tem agora o desafio dom\u00e9stico mais complexo da sua governa\u00e7\u00e3o: convencer os pr\u00f3prios angolanos de que essa mudan\u00e7a tamb\u00e9m lhes pertence.<br>Faltam quadros qualificados em Angola, a cidadania avan\u00e7a lentamente para a consciencializa\u00e7\u00e3o de uma mudan\u00e7a que levar\u00e1 anos a concretizar-se, ir\u00e1 culminar com a cria\u00e7\u00e3o de autarquias, um impulso imposs\u00edvel\u00a0atualmente, seria desastrosa a cria\u00e7\u00e3o de autonomias concretas aut\u00e1rquicas at\u00e9 que que seja revista a atual Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica.<br>Avizinha-se um novo\u00a0ciclo que n\u00e3o obstante estarem for\u00e7as idiossincr\u00e1ticas pol\u00edticas e partid\u00e1rias, tudo aponta para uma continuidade que a consciencializa\u00e7\u00e3o da cidadania sabe n\u00e3o poder ser interrompida, uma aventura ou um regresso ao passado representados pela enferrujada UNITA, velha e deprimida, e de Higino Carneiro empurrado pelos corruptos saudosistas, seria um bloqueio\u00a0catastr\u00f3fico \u00e0 responsabilidade do MPLA concretizar a Nova Rep\u00fablica.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Legado da Rutura: Como Jo\u00e3o Louren\u00e7o Reconstruiu a Credibilidade de AngolaA hist\u00f3ria recente das transi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas em \u00c1frica raramente \u00e9 escrita com gestos de rutura dr\u00e1stica dentro do pr\u00f3prio partido do poder. 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