{"id":16475,"date":"2026-05-31T12:17:12","date_gmt":"2026-05-31T11:17:12","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=16475"},"modified":"2026-05-31T12:28:10","modified_gmt":"2026-05-31T11:28:10","slug":"ressonancia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=16475","title":{"rendered":"Resson\u00e2ncia\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A inveja \u00e9 uma das emo\u00e7\u00f5es humanas mais antigas, complexas e, ironicamente, menos confessadas. Enquanto fen\u00f4meno psicol\u00f3gico, ela costuma ser vivida na sombra, associada \u00e0 vergonha. No entanto, quando deixa de ser um sentimento puramente individual e passa a ser partilhado, a inveja transforma-se numa for\u00e7a social poderosa.<br>Para compreender o impacto desta emo\u00e7\u00e3o nas nossas vidas e nas estruturas sociais, importa distinguir as suas duas grandes dimens\u00f5es,&nbsp;a inveja pessoal e a inveja coletiva.<br>No plano individual, a inveja nasce da compara\u00e7\u00e3o e ambi\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica. Ela surge quando algu\u00e9m possui algo, um talento, um estatuto, um bem material ou uma rela\u00e7\u00e3o que n\u00f3s desejamos, mas sentimos que n\u00e3o conseguimos alcan\u00e7ar.<br>Psicologicamente, a inveja pessoal divide-se em duas vertentes:<br>Inveja benigna emulativa: O sucesso do outro serve de inspira\u00e7\u00e3o. O foco est\u00e1 em &#8220;como posso subir ao n\u00edvel dele?&#8221;. \u00c9 uma for\u00e7a motriz para o autoaperfei\u00e7oamento. Isto exige intelig\u00eancia e humildade.<br>Inveja maligna destrutiva: O foco n\u00e3o \u00e9 subir, mas sim puxar o outro para baixo. O sentimento dominante \u00e9 o ressentimento, e o desejo impl\u00edcito \u00e9 que o outro perca o que tem, mesmo que isso n\u00e3o traga qualquer benef\u00edcio direto para n\u00f3s.<br>A inveja pessoal funciona como um alerta desconfort\u00e1vel&nbsp; e doentio sobre os nossos pr\u00f3prios vazios e frustra\u00e7\u00f5es. Quando mal gerida, corr\u00f3i a autoestima e destr\u00f3i rela\u00e7\u00f5es de proximidade, amizades, la\u00e7os familiares ou din\u00e2micas de trabalho. Olhemos o espectro pol\u00edtico em Angola e descortinamos as movimenta\u00e7\u00f5es e conluios que gravitam em Luanda.<br>Se a inveja pessoal \u00e9 um drama silencioso e individual, a inveja coletiva \u00e9 um fen\u00f3meno barulhento e estrutural. Ela ocorre quando um grupo inteiro partilha um sentimento de hostilidade e ressentimento em rela\u00e7\u00e3o a outro grupo que det\u00e9m privil\u00e9gios, sucesso, riqueza ou reconhecimento.<br>A inveja coletiva manifesta-se frequentemente atrav\u00e9s de din\u00e2micas sociais e pol\u00edticas espec\u00edficas:<br>Cultura da destrui\u00e7\u00e3o e hostilidade Digital: Nas redes sociais, grupos unem-se frequentemente para desmantelar a reputa\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos que atingiram o topo. Muitas vezes, a justi\u00e7a social serve de capa para um impulso coletivo de nivelar por baixo.<br>Polariza\u00e7\u00e3o e populismo: Discursos que dividem a sociedade entre n\u00f3s, os desfavorecidos e virtuosos, e eles, os privilegiados e corruptos, capitalizam diretamente a inveja coletiva. Em vez de se focar na cria\u00e7\u00e3o de riqueza ou oportunidades para todos, o foco passa a ser a puni\u00e7\u00e3o ou a destrui\u00e7\u00e3o do grupo percecionado como superior.<br>Avers\u00e3o ao Sucesso Alheio: Em certas culturas, o sucesso individual \u00e9 visto com suspeita pelo coletivo. Express\u00f5es populares ou mentalidades que condenam quem se destaca, quer ser mais do que os outros, refletem este mecanismo de defesa grupal para tentar atingir ou recuperar a homogeneidade.<br>A grande diferen\u00e7a entre as duas escalas reside na valida\u00e7\u00e3o. A n\u00edvel pessoal, a inveja \u00e9 socialmente conden\u00e1vel, ningu\u00e9m gosta de admitir que sente inveja. No entanto, quando integrada num grupo, a inveja coletiva, essa emo\u00e7\u00e3o ganha uma narrativa de legitimidade. O ressentimento individual transforma-se numa causa comum, o que alivia a culpa e amplifica o potencial destrutivo.<br>O paradoxo da compara\u00e7\u00e3o: Tanto a n\u00edvel pessoal como coletivo, a inveja foca-se naquilo que o outro tem, cegando o indiv\u00edduo ou o grupo para as suas pr\u00f3prias capacidades de desenvolvimento e cria\u00e7\u00e3o.<br>Este enunciado caracteriza algo profundo enraizado ancestralmente nas culturas que sempre se digladiaram e que est\u00e3o na genesis&nbsp;da formata\u00e7\u00e3o do ADN que hoje gera irrenconcializa\u00e7\u00f5es, e a ruidosa UNITA \u00e9 o espelho deste reflexo, Jonas Savimbi saiu a UPA por inveja, soltou-se do MPLA por inveja, e cegou-se pelo Poder ao associar-se ao colonialismo portugu\u00eas na funda\u00e7\u00e3o da UNITA.<br>Por arrasto, confrontamos-nos hoje com o emergir de uma uni\u00e3o de sentimentos abra\u00e7ados nos mesmos prop\u00f3sitos, n\u00e3o \u00e0 toa, Marcolino Moco e Higino Carneiro, v\u00eam da elite&nbsp;privilegiada estudantil do Huambo, que se aprofundou na IAMA &#8211; Escola de Aplica\u00e7\u00e3o Militar de Angola, da\u00ed os la\u00e7os idiossincr\u00e1ticos que os une na tentativa de assalto&nbsp;ao Poder.&nbsp;<br>O MPLA soube sempre assumir as responsabilidades de uma governa\u00e7\u00e3o evolutiva, gatinhou no marxismo-leninismo, pagou caro na adolesc\u00eancia&nbsp;ao enveredar&nbsp;pelo capitalismo selvagem de m\u00e1 mem\u00f3ria, mas atingiu a idade adulta com Jo\u00e3o&nbsp;Manuel Gon\u00e7alves Louren\u00e7o, reposicionando o Pa\u00eds nas democracias consolidadas, integrada no mercado, a participativa&nbsp;nos principais f\u00f3runs internacionais, com uma equidist\u00e2ncia que confere prest\u00edgio, integridade, respeito e Independ\u00eancia Nacional.<br>H\u00e1 uma lacuna vis\u00edvel, falta no Pa\u00eds uma oposi\u00e7\u00e3o&nbsp;cred\u00edvel, o desnorte e a vulgaridade s\u00e3o cada vez mais evidentes, esse desiderato contagiou uma franja do MPLA que nunca aceitou o Estado de Direito e o cumprimento das leis e das institui\u00e7\u00f5es pilares do Estado e da liberdade, \u00e9 uma vasta uni\u00e3o de cumplicidades que sempre viveram pendurados no Er\u00e1rio P\u00fablico, Angola e mundo conhecem-nos, n\u00e3o \u00e0 toa apoiam a lideran\u00e7a do Senhor Presidente da Rep\u00fablica, que com a vontade da cidadania encaminhar\u00e1 a Na\u00e7\u00e3o para um Nova Rep\u00fablica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A inveja \u00e9 uma das emo\u00e7\u00f5es humanas mais antigas, complexas e, ironicamente, menos confessadas. 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