{"id":16322,"date":"2026-04-12T11:50:36","date_gmt":"2026-04-12T10:50:36","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=16322"},"modified":"2026-04-12T12:03:15","modified_gmt":"2026-04-12T11:03:15","slug":"investigacao-revela-que-jamba-de-jonas-savimbi-foi-centro-de-drogas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=16322","title":{"rendered":"INVESTIGA\u00c7\u00c3O REVELA QUE JAMBA DE JONAS SAVIMBI FOI CENTRO DE DROGAS"},"content":{"rendered":"\n<p><br><em><strong>Documento Desclassificado da Intelig\u00eancia Sul Africana.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fonte: Jambakiaxi<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O coronel Jan Breytenbach (na foto a par de Jonas Savimibi) foi um dos mais condecorados oficiais das for\u00e7as de defesa e seguran\u00e7a do regime de apartheid, que fez da \u00c1frica do Sul um imenso campo de concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O famoso Batalh\u00e3o B\u00fafalo foi criado e treinado por ele na faixa de Caprivi.<br>Os cabos e \u201cflechas\u201d da UNITA passaram-lhe pelas m\u00e3os at\u00e9 serem promovidos a oficiais. <\/p>\n\n\n\n<p>Um dia ele descobriu que a guerra de Savimbi tinha apenas um fim: roubar os diamantes de Angola, dizimar elefantes e rinocerontes para o contrabando de marfim e devastar o \u00faltimo reduto da savana africana, para roubar madeiras preciosas.<br>Jan Breytenbach publicou um livro onde denuncia aquele que deve ser o mais grave crime ambiental que alguma vez foi cometido no mundo. <\/p>\n\n\n\n<p>A obra tem o t\u00edtulo \u201cEden\u2019s Exiles\u201d e o subt\u00edtulo \u201cOnes oldier\u2019sfight for Paradise\u201d. O velho oficial fala de exilados do Eden e descreveu em centenas de p\u00e1ginas a luta de um soldado pelo para\u00edso.<br>O para\u00edso era o Cuando Cubango, \u00faltimo reduto da savana virgem africana. O velho soldado descobriu que Savimbi era um pe\u00e3o dos sul-africanos no tr\u00e1fico de diamantes e marfim (p\u00e1ginas 247 a 351). Mas tamb\u00e9m de madeiras preciosas, sobretudo Girassonde. <\/p>\n\n\n\n<p>Isto ainda \u00e9 pouco: a Jamba tamb\u00e9m era o centro de um esquema de tr\u00e1fico de droga (mandrax) que vinha de Lusaka e era depois distribu\u00edda para toda a \u00c1frica e mercados da Europa, EUA e Oriente.<br>O tr\u00e1fico de marfim foi denunciado alguns anos antes da publica\u00e7\u00e3o do livro de Breytenbach, pela Environmentand Animal Welfare que entregou um relat\u00f3rio inquietante \u00e0 Comiss\u00e3o do Ambiente da C\u00e2mara dos Representantes dos EUA. <\/p>\n\n\n\n<p>O documento responsabilizava Savimbi e oficiais sul-africanos de alta patente por grav\u00edssimos atentados ambientais no Cuando Cubango. Craig Van Note, da organiza\u00e7\u00e3o, foi chamado a depor e confirmou todo o conte\u00fado do relat\u00f3rio.<br>Mas acrescentou este ponto: \u201cas for\u00e7as rebeldes angolanas da UNITA de Jonas Savimbi, apoiadas pela \u00c1frica do Sul, liquidaram 100.000 elefantes para ajudar a financiar a guerra\u201d.<br>A Environmentand Animal Welfare explicou que o contrabando de marfim se fazia atrav\u00e9s da faixa de Caprivi num esquema montado por oficiais das for\u00e7as de defesa e seguran\u00e7a da \u00c1frica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p> O coronel Breytenbach foi directamente ao assunto: \u201cdescobri que oficiais das SADF estavam implicados numa m\u00e1fia que contrabandeava dentes de elefante e rinoceronte, diamantes, madeira e droga\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Os russos e cubanos afinal tinham tromba, brilhavam e alucinavam.<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Elefantes e rinocerontes<\/strong><br>Breytenbach localiza a Jamba: \u201ca sede de Savimbi estava num lugar chamado Jamba, um pequeno acampamento 15 quil\u00f3metros a sul do rio Luiana\u201d. O velho coronel n\u00e3o o diz, mas conv\u00e9m esclarecer que Luiana era um posto administrativo da era colonial e existia apenas para marcar a soberania portuguesa.<br>Quando o MPLA lan\u00e7ou a guerra na Frente Leste, o posto de Luiana foi guarnecido com um pelot\u00e3o do ex\u00e9rcito portugu\u00eas. E foi constru\u00edda uma pista onde aterravam os famosos avi\u00f5es Nord Atlas popularmente conhecidos por \u201cbarriga de jinguba\u201d. Savimbi conheceu a zona atrav\u00e9s dos \u201cflechas\u201d da PIDE e dos pilotos de helic\u00f3pteros sul-africanos que aterravam na sua pista, quando regressavam das opera\u00e7\u00f5es com as tropas especiais portuguesas: comandos e paraquedistas.<br>\u201cSavimbi usava estas \u00e1reas como terreno privado de ca\u00e7a para si e seus amigos, especialmente pol\u00edticos estrangeiros que podiam ajud\u00e1-lo na sua guerra contra o MPLA\u201d, escreve o coronel Breytenbach. <\/p>\n\n\n\n<p>O para\u00edso come\u00e7ou a transformar-se num inferno para elefantes e rinocerontes. Mais de 90 por cento dos efectivos destas esp\u00e9cies foram dizimados. Estamos a falar dos raros \u201cCobiense\u201d.<br>\u201cSavimbi come\u00e7ou a disparar sobre estas duas esp\u00e9cies de forma organizada. As presas dos elefantes e os chifres dos rinocerontes foram armazenados na Jamba, enquanto ele foi procurando uma forma de exportar o saque para o Extremo Oriente, especialmente Hong Kong. Para isso foi necess\u00e1rio organizar a m\u00e1fia.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Sempre a mentira<\/strong><br>Fred Bridgeland, no seu livro \u201cSavimbi: a chave para \u00c1frica\u201d, escreveu que o chefe da UNITA tinha que pagar a ajuda sul-africana com diamantes e marfim. <\/p>\n\n\n\n<p>Uma mentira que o coronel Breytenbach n\u00e3o deixa passar: \u201cO apoio da intelig\u00eancia militar a Savimbi, em 1986\/1987, totalizou 400 milh\u00f5es de rands. Sei tamb\u00e9m que com este dinheiro os sul-africanos compraram praticamente todo o combust\u00edvel, material de guerra e o fardamento. O dinheiro para apoiar a UNITA saiu dos bolsos dos contribuintes sul-africanos\u201d. Savimbi sempre foi um mentiroso compulsivo. E passou a doen\u00e7a aos seus homens.<br>Ningu\u00e9m pense que Ian Breytenbach fala por despeito. Ele explica o que o moveu: \u201csou a favor de uma guerra justa, mas tenho grande dificuldade em conciliar a justeza da guerra com a destrui\u00e7\u00e3o do \u00faltimo reduto da savana africana\u201d. Mais esta passagem do livro: \u201cdestru\u00edram a savana africana do Cuando Cubango a troco das prec\u00e1rias liberdades prometidas por Savimbi, que n\u00e3o \u00e9 seguido por pelo menos 80 por cento dos angolanos. Na minha forma de pensar isto \u00e9 totalmente desprez\u00edvel e uma ofensa contra a Cria\u00e7\u00e3o de Deus\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>O cheiro do contrabando<\/strong><br>Savimbi conseguiu colocar o marfim em Hong Kong, os diamantes em Pret\u00f3ria ou na Europa e a madeira preciosa na Nam\u00edbia, atrav\u00e9s de um esquema mafioso que incluiu oficiais das for\u00e7as de defesa e seguran\u00e7a da \u00c1frica do Sul, os turistas da Jamba, os seus \u201cembaixadores\u201d, entre os quais Tony Fernandes, Chitunda, Mulato, Lukamba e Samakuva, e portugueses que fugiram de Angola no 25 de Abril de 1974, entre os quais agentes e inspectores da PIDE\/DGS.<br>O bi\u00f3logo Manie Grobler, gestor de parques naturais da Nam\u00edbia, um dia foi ter com o coronel Ian Breytenbach e deu-lhe conhecimento da exist\u00eancia de tr\u00e1fico de dentes de elefante e chifres de rinoceronte, al\u00e9m de madeiras preciosas, sobretudo Girassonde. <\/p>\n\n\n\n<p>O velho coronel estava nas altas esferas militares da \u00c1frica do Sul mas nada sabia: \u201cperguntou-me se eu tinha conhecimento da exist\u00eancia de marfim com o valor de muitos milh\u00f5es de rands, num aer\u00f3dromo de Caprivi. Eu n\u00e3o tinha conhecimento de um valor t\u00e3o grande. Mas Manie Grobler foi informado por um piloto civil que ia buscar o marfim para a Intelig\u00eancia Militar\u201d.<br>Ian Breytenbach investigou e descobriu que o marfim pertencia aos stocks da UNITA e sa\u00eda da regi\u00e3o numa pista em Bwabwata. ManieGrobler uns dias depois foi amea\u00e7ado de ser saneado se voltasse a falar de marfim, madeira e diamantes.<br>\u201cComecei a fazer perguntas e a juntar factos. A imagem que gradualmente come\u00e7ou a surgir era muito feia e inacredit\u00e1vel. Nem no meu pior pesadelo eu podia ter imaginado que oficiais da SADF se tinham envolvido em algo digno da m\u00e1fia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Mafiosos matam<\/strong><br>O padrinho da m\u00e1fia era um comerciante portugu\u00eas, Arlindo Manuel Maia, dono de uma empresa de transportes em Joanesburgo e com \u201cfilial\u201d no Rundu. Outro mafioso era Jos\u00e9 Francisco Lopes, comerciante no Rundu, que  \u00e9 tido como multimilion\u00e1rio.<br>\u201cA intelig\u00eancia sul-africana criou uma organiza\u00e7\u00e3o, a InterFrama, para transportar material de guerra para a UNITA. No regresso os cami\u00f5es traziam madeira e marfim\u201d, escreve Breytenbach. Milh\u00f5es de toneladas de madeira foram roubados de Angola durante a guerra.<br>\u201cAs \u00e1rvores eram derrubadas em Angola e serradas em t\u00e1buas numa serra\u00e7\u00e3o pertencente \u00e0 InterFrama, em Bwabwata, no ocidente de Caprivi\u201d, escreve o coronel.<br>O marfim era vendido a um comerciante de Hong Kong perito em violar as san\u00e7\u00f5es que foram impostas ao regime de apartheid da \u00c1frica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Tr\u00e1fico de droga<\/strong><br>A Lei do Segredo de Estado de Pret\u00f3ria protegia estes neg\u00f3cios. Mas Savimbi e os seus cabos tornaram-se demasiado ambiciosos e acrescentaram ao contrabando de marfim, diamantes e madeira, o tr\u00e1fico de droga.<br>Ian Breytenbach escreve: \u201cum comerciante portugu\u00eas em Katima, Z\u00e2mbia, come\u00e7ou a canalizar para a Jamba mandrax que vinha de Lusaka\u201d. Mandrax-1: Em breve o neg\u00f3cio da droga atingiu n\u00edveis \u201cindustriais\u201d. A Jamba era o armaz\u00e9m central do Mandrax. Come\u00e7a a perceber-se tanta alucina\u00e7\u00e3o de Savimbi e dos seus cabos. Os para\u00edsos artificiais t\u00eam o cond\u00e3o de eliminar as diferen\u00e7as entre a verdade e a mentira.<br>A Jamba tinha um sinaleiro para disfar\u00e7ar a verdade: era o centro nevr\u00e1lgico do tr\u00e1fico de marfim, diamantes, madeiras preciosas e droga!<br>Hoje a direc\u00e7\u00e3o da UNITA engana os angolanos dizendo que Savimbi protegia os elefantes e a natureza. Milh\u00f5es de \u00e1rvores foram derrubadas nas savanas do Cuando Cubango para traficar madeira. <\/p>\n\n\n\n<p>Uma cat\u00e1strofe ambiental e criminal sem precedentes e que ficou sem castigo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documento Desclassificado da Intelig\u00eancia Sul Africana. Fonte: Jambakiaxi O coronel Jan Breytenbach (na foto a par de Jonas Savimibi) foi um dos mais condecorados oficiais das for\u00e7as de defesa e seguran\u00e7a do regime de apartheid, que fez da \u00c1frica do Sul um imenso campo de concentra\u00e7\u00e3o. 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