{"id":16183,"date":"2026-02-28T11:27:35","date_gmt":"2026-02-28T10:27:35","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=16183"},"modified":"2026-03-04T11:08:14","modified_gmt":"2026-03-04T10:08:14","slug":"parvoices-do-expresso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=16183","title":{"rendered":"Parvo\u00edces do Expresso"},"content":{"rendered":"\n<p>O jornal portugu\u00eas Expresso j\u00e1 foi um farol da liberdade e um \u00f3rg\u00e3o cred\u00edvel. <\/p>\n\n\n\n<p>Hoje como a maioria dos jornais portugueses, \u00e9 um aven\u00e7ado de interesses pagantes e fontes obscuras, muitas vezes servindo objetivos inconfess\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora inventaram uma not\u00edcia sobre os servi\u00e7os secretos angolanos e uma aplica\u00e7\u00e3o qualquer de vigil\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>A leitura atenta da not\u00edcia n\u00e3o permite concluir que exista qualquer prova efetiva de que os servi\u00e7os secretos angolanos tenham adquirido o Predator, e muito menos com o prop\u00f3sito espec\u00edfico de vigiar Teixeira C\u00e2ndido, ainda menos que tal vigil\u00e2ncia tenha ocorrido de forma demonstrada ou sustentada por evid\u00eancia independente. <\/p>\n\n\n\n<p>O que o documento citado indica \u00e9 apenas que, em 2021, o SINSE surge como \u201cutilizador final\u201d numa ficha interna do cons\u00f3rcio Intellexa, relativa \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o do spyware Predator, num conjunto de materiais que fazem parte de uma fuga de informa\u00e7\u00e3o abrangendo v\u00e1rios pa\u00edses e v\u00e1rios anos.  <\/p>\n\n\n\n<p>Estar l\u00e1 SINSE ou TIA JOAQUINA \u00e9 indiferente. Tal documento n\u00e3o prova nada, nem qualquer compromisso. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas a pergunta essencial \u00e9 : <\/p>\n\n\n\n<p>Qual \u00e9 a pot\u00eancia militar que est\u00e1 por detr\u00e1s dessa fuga e que alimenta o Expresso?<\/p>\n\n\n\n<p>Todos sabemos a resposta.<\/p>\n\n\n\n<p>E por isso, temos  uma narrativa jornal\u00edstica enviesada que  estabelece uma liga\u00e7\u00e3o entre essa refer\u00eancia documental e a dete\u00e7\u00e3o, pela Amnistia Internacional, de infe\u00e7\u00e3o no telem\u00f3vel de Teixeira C\u00e2ndido. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas essa associa\u00e7\u00e3o \u00e9 inferencial, n\u00e3o factual: n\u00e3o h\u00e1 demonstra\u00e7\u00e3o de cadeia de cust\u00f3dia, n\u00e3o h\u00e1 prova t\u00e9cnica que identifique o operador concreto do ataque, nem h\u00e1 confirma\u00e7\u00e3o institucional de que o SINSE tenha usado o software contra aquela pessoa em particular.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo patranhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a pr\u00f3pria escolha de alvo sugerida pela not\u00edcia levanta d\u00favidas de plausibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Teixeira C\u00e2ndido, enquanto secret\u00e1rio\u2011geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos, nunca ocupou uma posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica que o colocasse como amea\u00e7a ao Estado, nem detinha informa\u00e7\u00e3o sens\u00edvel de natureza pol\u00edtico\u2011militar, econ\u00f3mica ou de seguran\u00e7a nacional. <\/p>\n\n\n\n<p>A sua atua\u00e7\u00e3o p\u00fablica sempre se situou no campo sindical e corporativo, sem qualquer hist\u00f3rico de envolvimento em atividades clandestinas, subversivas ou de contesta\u00e7\u00e3o organizada que justificasse, mesmo num cen\u00e1rio de abuso de poder, a mobiliza\u00e7\u00e3o de um instrumento de vigil\u00e2ncia t\u00e3o intrusivo e dispendioso. <\/p>\n\n\n\n<p>A ideia de que um aparelho de Estado investiria recursos desta magnitude para monitorizar algu\u00e9m sem relev\u00e2ncia estrat\u00e9gica \u00e9, por isso, dif\u00edcil de sustentar e aproxima\u2011se mais do absurdo do que de uma an\u00e1lise s\u00e9ria de risco.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3prio enquadramento da fuga de informa\u00e7\u00e3o refor\u00e7a esta leitura. <\/p>\n\n\n\n<p>Os documentos da Intellexa abrangem v\u00e1rios pa\u00edses e m\u00faltiplos utilizadores potenciais, e a simples men\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o de intelig\u00eancia como \u201ccliente\u201d n\u00e3o prova uso efetivo, nem muito menos uso direcionado a um indiv\u00edduo espec\u00edfico. <\/p>\n\n\n\n<p>A not\u00edcia tamb\u00e9m n\u00e3o apresenta elementos adicionais \u2014 ordens operacionais, logs de comando, registos de servidor, ou qualquer outra prova t\u00e9cnica \u2014 que permitam estabelecer causalidade entre a alegada compra e a alegada vigil\u00e2ncia. <\/p>\n\n\n\n<p>Nada no material divulgado confirma que o Estado angolano tenha comprado o Predator, muito menos para vigiar Teixeira C\u00e2ndido, e ainda menos que tal vigil\u00e2ncia tenha ocorrido. <\/p>\n\n\n\n<p>A narrativa, tal como apresentada, assenta numa constru\u00e7\u00e3o especulativa que atribui ao jornalista uma centralidade e um grau de amea\u00e7a ao Estado que simplesmente n\u00e3o correspondem \u00e0 realidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornal portugu\u00eas Expresso j\u00e1 foi um farol da liberdade e um \u00f3rg\u00e3o cred\u00edvel. 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