{"id":16122,"date":"2026-02-07T11:23:56","date_gmt":"2026-02-07T10:23:56","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=16122"},"modified":"2026-02-12T14:10:05","modified_gmt":"2026-02-12T13:10:05","slug":"os-namoros-das-oposicoes-com-os-descalabros-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=16122","title":{"rendered":"Os Namoros das Oposi\u00e7\u00f5es com os Descalabros Humanos"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><\/h1>\n\n\n\n<p>Num momento em que Angola enfrenta desafios profundos de consolida\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, torna\u2011se imposs\u00edvel ignorar um fen\u00f3meno inquietante: a crescente tenta\u00e7\u00e3o das oposi\u00e7\u00f5es em flertar com modelos pol\u00edticos que nada t\u00eam de democr\u00e1ticos. <\/p>\n\n\n\n<p>Em vez de apresentarem alternativas cred\u00edveis, respons\u00e1veis e ancoradas no interesse p\u00fablico, alguns sectores parecem seduzidos por figuras e regimes que representam precisamente o contr\u00e1rio \u2014 o autoritarismo, a manipula\u00e7\u00e3o populista e a eros\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Angola, o entusiasmo de certos comentadores com figuras como Andr\u00e9 Ventura revela uma perigosa normaliza\u00e7\u00e3o de discursos xen\u00f3fobos, anti\u2011pluralistas e abertamente hostis \u00e0 conviv\u00eancia democr\u00e1tica. Quando um analista como Pakisi se permite elogiar um projeto pol\u00edtico que se alimenta do ressentimento social e da desinforma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1 a exercer cr\u00edtica: est\u00e1 a legitimar um caminho que historicamente conduz ao desastre. O populismo de extrema\u2011direita n\u00e3o \u00e9 uma alternativa \u2014 \u00e9 uma amea\u00e7a \u00e0 pr\u00f3pria ideia de civiliza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Igualmente, quando vozes como Luzia Moniz insinuam, com sonsice, que a R\u00fassia \u2014 um Estado autocr\u00e1tico, agressivo e profundamente hostil aos valores democr\u00e1ticos \u2014 poderia desempenhar um papel positivo na sucess\u00e3o pol\u00edtica angolana, estamos perante um exerc\u00edcio de ingenuidade ou oportunismo. A nostalgia pelos tempos sovi\u00e9ticos, a fantasia de que Moscovo poderia \u201cajudar\u201d a UNITA ou influenciar a pol\u00edtica angolana em 2027, e a complac\u00eancia com a inger\u00eancia estrangeira, revelam uma perigosa desconex\u00e3o com a realidade contempor\u00e2nea. <\/p>\n\n\n\n<p>A R\u00fassia de hoje n\u00e3o exporta solidariedade: exporta instabilidade, manipula\u00e7\u00e3o e depend\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A repeti\u00e7\u00e3o deste padr\u00e3o \u2014 seja no elogio a Ventura, seja na romantiza\u00e7\u00e3o da R\u00fassia \u2014 demonstra um problema estrutural: <strong>uma parte da oposi\u00e7\u00e3o prefere atalhos ideol\u00f3gicos a projetos democr\u00e1ticos s\u00e9rios<\/strong>. Tal como j\u00e1 se viu em interven\u00e7\u00f5es de outros ativistas como Rafael Marques, estas posi\u00e7\u00f5es n\u00e3o resultam de reflex\u00e3o estrat\u00e9gica, mas de impulsos oportunistas que ignoram o interesse do povo angolano. <\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o discursos que fragilizam a credibilidade da oposi\u00e7\u00e3o e alimentam a perce\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o existe um projeto alternativo respons\u00e1vel, coerente e nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 precisamente esta deriva que refor\u00e7a a necessidade de uma <strong>Nova Rep\u00fablica<\/strong>, capaz de renovar institui\u00e7\u00f5es, corrigir desequil\u00edbrios hist\u00f3ricos e consolidar um sistema pol\u00edtico que n\u00e3o dependa de aventuras populistas nem de tutelas externas. <\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 tamb\u00e9m por isso que muitos defendem que o MPLA \u2014 renovado, reformado e responsabilizado \u2014 continua a ser, para j\u00e1, o \u00fanico garante de estabilidade institucional e de continuidade do Estado. <\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o por aus\u00eancia de cr\u00edtica, mas porque a alternativa que alguns setores oposicionistas apresentam \u00e9 profundamente irrespons\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A democracia exige maturidade. O pa\u00eds n\u00e3o pode ser entregue a quem confunde estrat\u00e9gia com ressentimento, nem a quem acredita que a solu\u00e7\u00e3o para os problemas nacionais passa por importar modelos autorit\u00e1rios ou por replicar populismos estrangeiros. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num momento em que Angola enfrenta desafios profundos de consolida\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, torna\u2011se imposs\u00edvel ignorar um fen\u00f3meno inquietante: a crescente tenta\u00e7\u00e3o das oposi\u00e7\u00f5es em flertar com modelos pol\u00edticos que nada t\u00eam de democr\u00e1ticos. 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