{"id":15981,"date":"2026-01-03T09:59:14","date_gmt":"2026-01-03T08:59:14","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=15981"},"modified":"2026-01-06T13:22:59","modified_gmt":"2026-01-06T12:22:59","slug":"15981","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=15981","title":{"rendered":"Activistas criminosos"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><\/h1>\n\n\n\n<p>A crescente instrumentaliza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico por indiv\u00edduos que se apresentam como activistas, mas que actuam \u00e0 margem da lei, exige um debate frontal sobre responsabilidade, \u00e9tica e limites jur\u00eddicos. Nos \u00faltimos meses, duas pr\u00e1ticas distintas \u2014 mas igualmente graves \u2014 voltaram a demonstrar como a ret\u00f3rica da \u201ccidadania vigilante\u201d pode ser usada para encobrir comportamentos que, em tese, se enquadram em il\u00edcitos penais claros.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro caso, a divulga\u00e7\u00e3o p\u00fablica de actos, factos ou documentos pertencentes a um processo judicial ainda sujeito a segredo de justi\u00e7a- o dos russos- por determinado activista conhecido- levanta s\u00e9rias d\u00favidas quanto ao cumprimento das normas que regem a administra\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a. O <strong>Artigo 356.\u00ba do C\u00f3digo Penal<\/strong> \u00e9 inequ\u00edvoco: <em>quem der a conhecer actos, factos ou o conte\u00fado de documentos de um processo protegido por segredo de justi\u00e7a, ou cujo acesso p\u00fablico n\u00e3o tenha sido autorizado pela lei processual ou pelo juiz, incorre em pena de pris\u00e3o at\u00e9 tr\u00eas anos ou multa at\u00e9 360 dias<\/em>. A raz\u00e3o de ser desta norma \u00e9 simples: proteger a investiga\u00e7\u00e3o, garantir a presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia e impedir que a opini\u00e3o p\u00fablica seja manipulada por fragmentos de informa\u00e7\u00e3o fora de contexto. <\/p>\n\n\n\n<p>Quando um interveniente p\u00fablico decide expor elementos processuais ainda n\u00e3o acess\u00edveis ao escrut\u00ednio geral, n\u00e3o est\u00e1 a exercer jornalismo investigativo \u2014 est\u00e1, em tese, a violar um dever legal estruturante do Estado de Direito.<\/p>\n\n\n\n<p>No segundo caso, surgem den\u00fancias de indiv\u00edduos que, sob a capa de activismo, ter\u00e3o exigido pagamentos a Minoru Dondo em troca da n\u00e3o publica\u00e7\u00e3o de alegadas not\u00edcias. Tal conduta, se verificada, aproxima\u2011se perigosamente do tipo legal de <strong>extors\u00e3o<\/strong>, previsto no <strong>Artigo 425.\u00ba do C\u00f3digo Penal<\/strong>. A norma estabelece que <em>quem, com o prop\u00f3sito de obter vantagem econ\u00f3mica indevida, usando viol\u00eancia ou amea\u00e7a com mal de significativa import\u00e2ncia, coagir algu\u00e9m a realizar uma disposi\u00e7\u00e3o patrimonial que lhe cause preju\u00edzo, \u00e9 punido com as penas aplic\u00e1veis ao crime de roubo<\/em>. A amea\u00e7a de dano reputacional \u2014 quando usada como instrumento de press\u00e3o para obter dinheiro \u2014 constitui precisamente o tipo de \u201cmal de significativa import\u00e2ncia\u201d que o legislador pretendeu prevenir. N\u00e3o se trata de activismo, nem de jornalismo: trata\u2011se, em tese, de uma forma de chantagem economicamente motivada.<\/p>\n\n\n\n<p>A democracia n\u00e3o se fortalece com actores que se colocam acima da lei, nem com a normaliza\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas que corroem a confian\u00e7a p\u00fablica. <\/p>\n\n\n\n<p>O escrut\u00ednio \u00e9 essencial, mas deve ser exercido dentro dos limites legais e \u00e9ticos que protegem tanto os cidad\u00e3os como as institui\u00e7\u00f5es. Quando esses limites s\u00e3o ultrapassados, n\u00e3o estamos perante activistas \u2014 estamos perante criminosos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crescente instrumentaliza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico por indiv\u00edduos que se apresentam como activistas, mas que actuam \u00e0 margem da lei, exige um debate frontal sobre responsabilidade, \u00e9tica e limites jur\u00eddicos. 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