{"id":15691,"date":"2025-09-20T19:55:33","date_gmt":"2025-09-20T18:55:33","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=15691"},"modified":"2025-09-23T21:40:45","modified_gmt":"2025-09-23T20:40:45","slug":"a-unita-de-volta-ao-passado-traicoeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=15691","title":{"rendered":"A UNITA: de volta ao passado trai\u00e7oeiro"},"content":{"rendered":"\n<p>Nos \u00faltimos tempos, tem-se assistido ao renascimento de alian\u00e7as pol\u00edticas que, longe de representar os interesses do povo angolano, parecem repetir os erros hist\u00f3ricos da UNITA durante o per\u00edodo do apartheid. A aproxima\u00e7\u00e3o da UNITA a for\u00e7as da extrema-direita europeia levanta s\u00e9rias preocupa\u00e7\u00f5es sobre o rumo ideol\u00f3gico do partido e os riscos de uma nova trai\u00e7\u00e3o aos valores africanos de soberania, inclus\u00e3o e justi\u00e7a social.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Portugal, o jornal <em>Observador<\/em> tem-se afirmado como plataforma de divulga\u00e7\u00e3o das ideias da extrema-direita, funcionando, cada vez mais, como porta-voz informal do partido Chega, ao mesmo tempo que os seus jornalistas apoiam descaradamente a UNITA nos textos que publicam no jornal.<\/p>\n\n\n\n<p>O Chega, identificado por organiza\u00e7\u00f5es internacionais como promotor de discursos racistas, anti-imigra\u00e7\u00e3o e anti-direitos civis, tem mantido rela\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas com figuras da UNITA, em especial atrav\u00e9s de eventos p\u00fablicos e articula\u00e7\u00f5es medi\u00e1ticas. A presen\u00e7a de representantes da UNITA em iniciativas ligadas ao Chega n\u00e3o \u00e9 apenas simb\u00f3lica \u2014 \u00e9 pol\u00edtica. E essa pol\u00edtica tem ra\u00edzes perigosas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais preocupante ainda \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o a grupos crist\u00e3os extremistas associados ao governo de Viktor Orb\u00e1n, na Hungria. Orb\u00e1n tem promovido uma agenda ultraconservadora, nacionalista e xen\u00f3foba, com forte apoio de sectores religiosos que defendem vis\u00f5es excludentes e autorit\u00e1rias da sociedade. <\/p>\n\n\n\n<p>A aproxima\u00e7\u00e3o da UNITA a esse universo ideol\u00f3gico n\u00e3o representa uma abertura ao di\u00e1logo internacional, mas sim uma ades\u00e3o a um projecto pol\u00edtico que nega os princ\u00edpios de igualdade racial, justi\u00e7a social e autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos africanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Este alinhamento com o neo-racismo europeu, o radicalismo extremista e a supremacia branca n\u00e3o \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o \u2014 \u00e9 um facto documentado por relat\u00f3rios internacionais e pela pr\u00f3pria actividade p\u00fablica dos envolvidos. Tal como no passado, quando a UNITA colaborou com o regime segregacionista da \u00c1frica do Sul, recebendo apoio log\u00edstico e militar da SADF (South African Defence Force), hoje volta a surgir como aliada de for\u00e7as que desprezam o legado das lutas africanas pela liberdade. Recorde-se que durante os anos 1980, a UNITA de Jonas Savimbi foi financiada e armada por Pret\u00f3ria, numa alian\u00e7a que ignorava por completo os interesses do povo angolano, favorecendo antes a l\u00f3gica da Guerra Fria e da domina\u00e7\u00e3o regional.<\/p>\n\n\n\n<p>A ret\u00f3rica da nova UNITA, envolta em discursos de moderniza\u00e7\u00e3o e reconcilia\u00e7\u00e3o, esconde uma viragem ideol\u00f3gica que amea\u00e7a os fundamentos da cidadania angolana. A participa\u00e7\u00e3o em academias juvenis organizadas por partidos como o Chega, e a presen\u00e7a em f\u00f3runs internacionais dominados por sectores ultraconservadores, revelam uma estrat\u00e9gia de reposicionamento que n\u00e3o se baseia em valores africanos, mas sim em modelos excludentes e autorit\u00e1rios importados da Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>A Hist\u00f3ria ensina que alian\u00e7as contra o povo t\u00eam consequ\u00eancias duras. E Angola, que pagou caro pela guerra civil e pela divis\u00e3o alimentada por interesses externos, n\u00e3o pode permitir que se repita o ciclo da trai\u00e7\u00e3o. A UNITA tem o dever de se posicionar claramente: ou est\u00e1 com o povo africano, na sua diversidade e dignidade, ou est\u00e1 com os que querem impor um modelo de exclus\u00e3o, racismo e autoritarismo.<\/p>\n\n\n\n<p>O futuro de Angola n\u00e3o pode ser constru\u00eddo com base em alian\u00e7as obscuras e ideologias importadas que negam a Hist\u00f3ria e os valores do continente. \u00c9 tempo de vigil\u00e2ncia, de den\u00fancia e de reafirma\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios que guiaram a luta pela independ\u00eancia: liberdade, justi\u00e7a e soberania popular.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos tempos, tem-se assistido ao renascimento de alian\u00e7as pol\u00edticas que, longe de representar os interesses do povo angolano, parecem repetir os erros hist\u00f3ricos da UNITA durante o per\u00edodo do apartheid. 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