{"id":15689,"date":"2025-09-20T19:51:02","date_gmt":"2025-09-20T18:51:02","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=15689"},"modified":"2025-09-22T18:48:42","modified_gmt":"2025-09-22T17:48:42","slug":"isabel-e-irina-envergonham-o-povo-de-angola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=15689","title":{"rendered":"Isabel e Irina envergonham o povo de Angola"},"content":{"rendered":"\n<p>Em Angola, duas figuras femininas com aspira\u00e7\u00f5es pol\u00edticas t\u00eam ocupado espa\u00e7o medi\u00e1tico de forma peculiar: Irina n\u00e3o sei qu\u00ea da UNITA e Isabel dos Santos. Mais do que discursos ou propostas concretas, o que se v\u00ea s\u00e3o imagens cuidadosamente produzidas \u2014 poses glamorosas, roupas de luxo, cen\u00e1rios de ostenta\u00e7\u00e3o. A pol\u00edtica, nesse caso, parece ter sido substitu\u00edda por um desfile de vaidades, onde o corpo e o vestu\u00e1rio falam mais alto do que qualquer programa de governa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa est\u00e9tica de poder, centrada na exibi\u00e7\u00e3o de riqueza e sofistica\u00e7\u00e3o, levanta uma quest\u00e3o fundamental: que vis\u00e3o de Angola est\u00e1 por detr\u00e1s dessas imagens?<\/p>\n\n\n\n<p>Num pa\u00eds marcado pela pobreza, onde grande parte da popula\u00e7\u00e3o enfrenta dificuldades b\u00e1sicas \u2014 em grande medida devido ao papel do pai de Isabel e dos seus amigos corruptos, e \u00e0 guerra promovida pelo partido de Irina \u2014 o que significa apresentar-se como uma \u201cpin-up\u201d pol\u00edtica?<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta pode estar na l\u00f3gica da ofusca\u00e7\u00e3o \u2014 uma estrat\u00e9gia que aposta no brilho para esconder o vazio. O luxo serve como cortina de fumo, desviando a aten\u00e7\u00e3o da aus\u00eancia de propostas, da falta de compromisso com os problemas reais do povo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais grave ainda \u00e9 o efeito que essa est\u00e9tica pode ter sobre o eleitorado. H\u00e1 quem se deixe impressionar por corpos bem vestidos, como se a apar\u00eancia fosse sin\u00f3nimo de compet\u00eancia. Vota-se na imagem, n\u00e3o na ideia. \u00c9 uma esp\u00e9cie de tara colectiva, uma obsess\u00e3o pela superf\u00edcie, que transforma o voto \u2014 acto de cidadania \u2014 num gesto de consumo. O eleitor vira espectador, seduzido por uma encena\u00e7\u00e3o que pouco tem a ver com a realidade do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse tipo de comunica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica revela uma desconex\u00e3o profunda com Angola. Mostra l\u00edderes que n\u00e3o se reconhecem no povo, que n\u00e3o partilham das suas dores, que preferem o palco ao terreno. E isso \u00e9 perigoso. Porque Angola n\u00e3o precisa de estrelas, precisa de servidores p\u00fablicos. Precisa de quem troque o salto alto por sapatos gastos, de tanto andar pelas ruas, ouvindo as pessoas. Precisa de quem fale menos de si e mais do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 um concurso de beleza. \u00c9 um espa\u00e7o de responsabilidade, de escuta, de ac\u00e7\u00e3o. E quem entra nele apenas para brilhar, est\u00e1 no lugar errado. Angola merece mais do que imagens. Merece ideias, coragem e compromisso. Porque o futuro n\u00e3o se constr\u00f3i com vestidos caros, mas com trabalho s\u00e9rio e vis\u00e3o colectiva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Angola, duas figuras femininas com aspira\u00e7\u00f5es pol\u00edticas t\u00eam ocupado espa\u00e7o medi\u00e1tico de forma peculiar: Irina n\u00e3o sei qu\u00ea da UNITA e Isabel dos Santos. 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