{"id":15653,"date":"2025-09-06T16:44:30","date_gmt":"2025-09-06T15:44:30","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=15653"},"modified":"2025-09-14T21:34:48","modified_gmt":"2025-09-14T20:34:48","slug":"as-redes-russas-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=15653","title":{"rendered":"As redes russas em Portugal"},"content":{"rendered":"\n<p>Em Angola, outros assuntos t\u00eam acompanhado a actualidade, mas h\u00e1 que n\u00e3o esquecer a grande amea\u00e7a  \u00e0 ordem constitucional e tranquilidade p\u00fablica que foram as tentativas terroristas relativas \u00e0 visita do Presidente Biden e a rede russa de subvers\u00e3o e infiltra\u00e7\u00e3o. O perigo \u00e9 real e estende-se a todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Maio de 2025, Portugal foi surpreendido pela revela\u00e7\u00e3o de que um casal de espi\u00f5es russos viveu no pa\u00eds durante v\u00e1rios anos sob identidades falsas, operando clandestinamente ao servi\u00e7o dos servi\u00e7os secretos de Moscovo. <\/p>\n\n\n\n<p>A descoberta, fruto de uma investiga\u00e7\u00e3o internacional que envolveu ag\u00eancias de seguran\u00e7a brasileiras, norte-americanas e portuguesas, exp\u00f4s uma rede sofisticada de agentes conhecidos como \u201cilegais\u201d \u2014 espi\u00f5es que constroem uma vida aparentemente normal, com documentos aut\u00eanticos, empregos leg\u00edtimos e rela\u00e7\u00f5es sociais, tudo com o intuito de recolher informa\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas sem levantar suspeitas.<\/p>\n\n\n\n<p>O casal, que se apresentava como Manuel Francisco Steinbruck Pereira e Adriana Carolina Costa Silva Pereira, chegou a Portugal em 2018, oriundo do Brasil, onde mantinha um neg\u00f3cio de antiguidades no Rio de Janeiro. No papel, eram cidad\u00e3os brasileiros comuns, mas na realidade tratava-se de Vladimir Aleksandrovich Danilov e Yekaterina Leonidovna Danilova, agentes russos treinados para viver sob cobertura durante anos. A sua presen\u00e7a em territ\u00f3rio portugu\u00eas foi detectada pelo Servi\u00e7o de Informa\u00e7\u00f5es de Seguran\u00e7a (SIS), ap\u00f3s um alerta das autoridades brasileiras, que haviam iniciado uma investiga\u00e7\u00e3o aprofundada ap\u00f3s a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia em 20222.<\/p>\n\n\n\n<p>A opera\u00e7\u00e3o russa, apelidada de \u201cF\u00e1brica de Espi\u00f5es\u201d, utilizava o Brasil como plataforma para criar identidades falsas com base em documentos reais, muitas vezes obtidos atrav\u00e9s de certid\u00f5es de nascimento de crian\u00e7as falecidas ou de beb\u00e9s que nunca chegaram a nascer. Com estas identidades, os agentes conseguiam obter nacionalidade e resid\u00eancia em pa\u00edses terceiros. No caso portugu\u00eas, \u201cManuel Pereira\u201d obteve a nacionalidade por alegar ser filho de pai portugu\u00eas, o que permitiu \u00e0 sua \u201cesposa\u201d adquirir autoriza\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante os anos em que viveram em Portugal, os espi\u00f5es mantiveram uma vida discreta, arrendando uma casa na zona do Bonfim, no Porto, e evitando comportamentos que pudessem levantar suspeitas. O seu objectivo era claro: construir uma fachada cred\u00edvel que lhes permitisse operar como cidad\u00e3os nacionais, recolhendo informa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis e transmitindo-as \u00e0s autoridades russas. A sua descoberta s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o internacional e ao cruzamento de dados entre ag\u00eancias de seguran\u00e7a, incluindo uma notifica\u00e7\u00e3o azul da Interpol que colocou os seus nomes e impress\u00f5es digitais nas m\u00e3os das autoridades de 196 pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Este epis\u00f3dio levanta preocupa\u00e7\u00f5es sobre a vulnerabilidade dos sistemas de registo civil e imigra\u00e7\u00e3o, bem como sobre a capacidade dos servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o em detectar amea\u00e7as latentes. A presen\u00e7a de espi\u00f5es \u201cadormecidos\u201d em territ\u00f3rio europeu n\u00e3o \u00e9 novidade, mas a sofistica\u00e7\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o russa e a dura\u00e7\u00e3o da infiltra\u00e7\u00e3o em Portugal revelam um n\u00edvel de planeamento e paci\u00eancia que desafia os m\u00e9todos tradicionais de contra-espionagem.<\/p>\n\n\n\n<p>A detec\u00e7\u00e3o e expuls\u00e3o destes agentes representa uma vit\u00f3ria para os servi\u00e7os de seguran\u00e7a portugueses, mas tamb\u00e9m um alerta para a necessidade de refor\u00e7ar os mecanismos de verifica\u00e7\u00e3o documental e de coopera\u00e7\u00e3o internacional. Num mundo cada vez mais marcado por tens\u00f5es geopol\u00edticas e guerras de informa\u00e7\u00e3o, epis\u00f3dios como este demonstram que a espionagem continua a ser uma arma silenciosa, mas poderosa, ao servi\u00e7o dos interesses estrat\u00e9gicos das grandes pot\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Resta saber o que se passou e passa em Angola, onde se antev\u00ea que a rede seja muito mais ampla e diverisificada, operando h\u00e1 algum tempo e com a coniv\u00eancia de pessoas destacadas angolanas na pol\u00edtica e no jornalismo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Angola, outros assuntos t\u00eam acompanhado a actualidade, mas h\u00e1 que n\u00e3o esquecer a grande amea\u00e7a \u00e0 ordem constitucional e tranquilidade p\u00fablica que foram as tentativas terroristas relativas \u00e0 visita do Presidente Biden e a rede russa de subvers\u00e3o e infiltra\u00e7\u00e3o. O perigo \u00e9 real e estende-se a todo o mundo. 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