{"id":15621,"date":"2025-08-31T10:27:57","date_gmt":"2025-08-31T09:27:57","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=15621"},"modified":"2025-09-03T16:39:46","modified_gmt":"2025-09-03T15:39:46","slug":"a-actuacao-da-russia-em-africa-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=15621","title":{"rendered":"A Actua\u00e7\u00e3o da R\u00fassia em \u00c1frica, hoje"},"content":{"rendered":"\n<p>A presen\u00e7a da R\u00fassia no continente africano tem-se intensificado de forma not\u00e1vel nos \u00faltimos tempos. <\/p>\n\n\n\n<p>A actua\u00e7\u00e3o russa em \u00c1frica assenta, em grande medida, na explora\u00e7\u00e3o das fragilidades institucionais de v\u00e1rios Estados africanos. Pa\u00edses como a Rep\u00fablica Centro-Africana, o Mali, o Sud\u00e3o e a L\u00edbia tornaram-se palcos privilegiados para a projec\u00e7\u00e3o do poder russo, muitas vezes atrav\u00e9s da presen\u00e7a de mercen\u00e1rios ligados ao ex- Grupo Wagner, uma organiza\u00e7\u00e3o paramilitar com liga\u00e7\u00f5es ao Kremlin. Estes operacionais n\u00e3o apenas garantem seguran\u00e7a a regimes vulner\u00e1veis, como tamb\u00e9m asseguram o acesso da R\u00fassia a recursos naturais estrat\u00e9gicos, nomeadamente ouro, diamantes e ur\u00e2nio, em troca de apoio militar e pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente, Moscovo tem investido na constru\u00e7\u00e3o de uma narrativa antiocidental, capitalizando o ressentimento hist\u00f3rico de muitos pa\u00edses africanos face ao colonialismo europeu e \u00e0 inger\u00eancia das pot\u00eancias ocidentais. Atrav\u00e9s de campanhas de desinforma\u00e7\u00e3o, apoio a l\u00edderes autorit\u00e1rios e promo\u00e7\u00e3o de uma imagem de parceiro \u201cn\u00e3o intervencionista\u201d, a R\u00fassia procura posicionar-se como alternativa ao modelo liberal ocidental, oferecendo coopera\u00e7\u00e3o sem exig\u00eancias democr\u00e1ticas. <\/p>\n\n\n\n<p>A instabilidade pol\u00edtica em \u00c1frica tem sido terreno f\u00e9rtil para a penetra\u00e7\u00e3o russa, especialmente em contextos de golpes de Estado.  <strong>A mudan\u00e7a de regime em \u00c1frica assente na instala\u00e7\u00e3o de governos &#8220;amigos&#8221; da R\u00fassia, faz parte da estrat\u00e9gia de Moscovo.<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, \u00c1frica tem assistido a uma sucess\u00e3o de golpes de Estado, particularmente na regi\u00e3o do Sahel, onde o descontentamento popular, a inseguran\u00e7a provocada por grupos jihadistas e o desgaste das rela\u00e7\u00f5es com antigas pot\u00eancias coloniais criaram um terreno f\u00e9rtil para rupturas institucionais, que redundaram no apoio \u00e0 R\u00fassia por parte de novos governos africanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2021, o Mali assistiu \u00e0 deposi\u00e7\u00e3o do Presidente Bah Ndaw pelo coronel Assimi Goita, que assumiu o poder sob promessas de elei\u00e7\u00f5es futuras. No mesmo ano, a Guin\u00e9-Conacri viu o Presidente Alpha Cond\u00e9 ser deposto e preso pelo coronel Mamady Doumbouya, que dissolveu a Constitui\u00e7\u00e3o e assumiu o controlo do pa\u00eds. O golpe de Estado no N\u00edger, ocorrido em Julho de 2023, \u00e9 emblem\u00e1tico desta nova din\u00e2mica. A deposi\u00e7\u00e3o do Presidente Mohamed Bazoum pela guarda presidencial foi seguida por manifesta\u00e7\u00f5es populares em Niamey, onde se viram bandeiras russas e palavras de ordem contra a Fran\u00e7a, antiga pot\u00eancia colonial. <\/p>\n\n\n\n<p>Tal como no Mali e em Burkina Faso, o discurso dos militares justificou a tomada de poder com a alegada incapacidade do governo civil em combater o terrorismo isl\u00e2mico e a corrup\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo que se denunciava a influ\u00eancia francesa na pol\u00edtica interna.<\/p>\n\n\n\n<p>A R\u00fassia, atrav\u00e9s do Grupo Wagner \u2014 uma for\u00e7a paramilitar com liga\u00e7\u00f5es ao Kremlin \u2014 tem desempenhado um papel crescente nestes contextos. <\/p>\n\n\n\n<p>No Mali, ap\u00f3s os golpes de 2020 e 2021, os militares expulsaram as tropas francesas e estabeleceram acordos de coopera\u00e7\u00e3o com Wagner, que passou a fornecer treino militar e apoio log\u00edstico em troca de acesso a recursos naturais. <\/p>\n\n\n\n<p>No Burkina Faso, o padr\u00e3o repetiu-se: dois golpes em 2022 culminaram na expuls\u00e3o das for\u00e7as francesas e na aproxima\u00e7\u00e3o a Moscovo, com bandeiras russas a serem exibidas em manifesta\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0 junta.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Rep\u00fablica Centro-Africana, outro exemplo paradigm\u00e1tico, o Presidente Faustin-Archange Touad\u00e9ra mant\u00e9m-se no poder gra\u00e7as \u00e0 protec\u00e7\u00e3o de Wagner, que se tornou a for\u00e7a dominante no pa\u00eds ap\u00f3s a retirada das tropas francesas. <\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo se verifica na L\u00edbia, onde o general Khalifa Haftar, l\u00edder de facto do leste do pa\u00eds, recebe apoio russo para consolidar o seu controlo territorial.<\/p>\n\n\n\n<p>A  actua\u00e7\u00e3o russa representa uma nova fase na geopol\u00edtica africana, onde m\u00faltiplos actores disputam influ\u00eancia num continente cada vez mais central para os equil\u00edbrios do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A presen\u00e7a da R\u00fassia no continente africano tem-se intensificado de forma not\u00e1vel nos \u00faltimos tempos. 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