{"id":15458,"date":"2025-08-05T21:23:53","date_gmt":"2025-08-05T20:23:53","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=15458"},"modified":"2025-08-09T09:37:09","modified_gmt":"2025-08-09T08:37:09","slug":"refletindo-sobre-o-caminho-longe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=15458","title":{"rendered":"Refletindo sobre o\u00a0caminho longe"},"content":{"rendered":"\n<p>Neste\u00a0ch\u00e3o ocre empoeirado onde se rasgaram caminhos gentios entre capim perfumado de orvalho, cani\u00e7os e bambus, onde a terra rasgada pela correnteza dos rios que se abra\u00e7am e nos\u00a0levam ao mar, todos nascemos angolanos ternamente acolhidos no carinho\u00a0de m\u00e3e, iniciamos no primeiro choro e nossa exist\u00eancia, nos primeiros passos o caminho comprido repleto de esta\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>Nessas esta\u00e7\u00f5es vamos moldando aquilo que somos, nascemos livres e vamos encontrar amarras onde a nossa consci\u00eancia vai enraizando o pensamento que nos guiar\u00e1 nos caminhos que temos\u00a0de percorrer num tempo que n\u00e3o perdoa, e cruzamentos que nos colocar\u00e3o perante escolhas, que ir\u00e3o revelar perenemente os que somos e o que dizem as nossas impress\u00f5es digitais. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c1frica \u00e9 uma m\u00e3e generosa e exigente, terra de liberdade e desafios, de conquistas derrotas e vit\u00f3rias, seremos testados na nossa\u00a0bondade ou maldade,e nas v\u00e1rias esta\u00e7\u00f5es iremos aprender que somos construtores do nosso destino, mas que n\u00e3o estamos s\u00f3s, somos um entre milh\u00f5es de irm\u00e3os de grande m\u00e3e Angola, a quem devemos, todos, nas horas dif\u00edceis, revelar generosidade, amor, toler\u00e2ncia e respeito, e a diversidade de quem, no caminho comprido, optou por outras esta\u00e7\u00f5es, ergueu-se uma diversidade que deve ser o fermento da constru\u00e7\u00e3o das pontes que precisamos todos para atravessar os rios, para que nenhum morra afogado para tristeza da nossa m\u00e3e Angola. <\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 algo sublime e profundo que define o homem, o sentimento, como h\u00e1 um armaz\u00e9m onde se guarda o mais \u00ednfimo de n\u00f3s, a mem\u00f3ria, e h\u00e1 marcas que rasgam a alma, o pecado,onde mora a inveja, a gula e gan\u00e2ncia, que tolda os sonhos e os transforma em pesadelos.\u00a0 <\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 dois pensamentos que definem as nossas escolhas, temos sempre de tentar com esfor\u00e7o e dedica\u00e7\u00e3o melhorar a vida, mas em simult\u00e2neo, pensar que h\u00e1 sempre algu\u00e9m que est\u00e1 pior que n\u00f3s, que tamb\u00e9m \u00e9 filho da m\u00e3e Angola, e precisa\u00a0da sua solidariedade.\u00a0 <\/p>\n\n\n\n<p>Lutar, agredir, instigar \u00e0 maldade, \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o da racionalidade, n\u00e3o se ca\u00e7am moscas com vinagre, n\u00e3o se despendem\u00a0energias contra a for\u00e7a, a confronta\u00e7\u00e3o \u00e9 a derrota da esperan\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 destruindo muros, \u00e9 erguendo paredes que o futuro e a esperan\u00e7a se abra\u00e7am, e olhando para tr\u00e1s, para longe, bem longe, para l\u00e1 do crep\u00fasculo da cor do fogo, onde o sol se esconde atr\u00e1s da montanha, como seria lindo \u00e0 volta da fogueira, ver o sorriso e as traquinices das nossas crian\u00e7as. <\/p>\n\n\n\n<p>Onde est\u00e3o os arcos, o caco de vidro no caminho, o carrinho de cana de milho com rodas de casca de maboque ou cisnas\u00a0das garrafas,a fisga, o cani\u00e7o com fio\u00a0de nylon e b\u00f3ia de rolha, para pescar\u00a0bagre ao anoitecer com luz de lanterna? S\u00e3o estas as cicatrizes eternas da irmandade, da fraternidade, que alimentam a toler\u00e2ncia que as vicissitudes das desaven\u00e7as dissiparam, que hoje est\u00e3o a faltar para que nos juntemos \u00e0 volta da fogueira, e todos juntos encontremos uma ponte para o futuro de todos os filhos da M\u00e3e Angola.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste\u00a0ch\u00e3o ocre empoeirado onde se rasgaram caminhos gentios entre capim perfumado de orvalho, cani\u00e7os e bambus, onde a terra rasgada pela correnteza dos rios que se abra\u00e7am e nos\u00a0levam ao mar, todos nascemos angolanos ternamente acolhidos no carinho\u00a0de m\u00e3e, iniciamos no primeiro choro e nossa exist\u00eancia, nos primeiros passos o caminho comprido repleto de esta\u00e7\u00f5es. 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