{"id":15410,"date":"2025-07-29T13:37:10","date_gmt":"2025-07-29T12:37:10","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=15410"},"modified":"2025-07-31T22:29:04","modified_gmt":"2025-07-31T21:29:04","slug":"triste-realidade-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=15410","title":{"rendered":"Triste realidade"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Sinto que quando a voz do Povo \u00e9 usurpada pelo vandalismo, precisamos urgentemente de um Lamento de Consci\u00eancia Patri\u00f3tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao que testemunhamos ontem, em Luanda, n\u00e3o foi apenas o diesel que subiu, subiram tamb\u00e9m as nossas d\u00favidas, os nossos medos e, sobretudo, a nossa vergonha. Aquilo que devia ser um exerc\u00edcio constitucional, leg\u00edtimo e honesto de cidadania, transformou-se diante dos nossos olhos num triste palco de aproveitamento pol\u00edtico, vandalismo e destrui\u00e7\u00e3o gratuita.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu escrevo com o cora\u00e7\u00e3o apertado, porque vi o meu povo, jovens como eu, pais como eu, cidad\u00e3os como eu, perderem o rumo num mar de manipula\u00e7\u00e3o e f\u00faria cega. E me pergunto, diante das cinzas ainda quentes dos carros queimados, das portas arrombadas de estabelecimentos de trabalho honesto, das l\u00e1grimas silenciosas de quem foi impedido de exercer sua atividade dignamente: onde estamos a ir? Para quem, afinal, estamos a lutar?<\/p>\n\n\n\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o, esse direito nobre consagrado pela Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de Angola, n\u00e3o foi o que vimos. O que assistimos foi o sequestro da democracia, foi a m\u00e1scara ca\u00edda de quem n\u00e3o quer apenas gritar contra o pre\u00e7o do combust\u00edvel, mas incitar ao caos com fins que nada t\u00eam a ver com o bem comum.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 m\u00e3os invis\u00edveis, sim. H\u00e1 interesses obscuros que n\u00e3o t\u00eam qualquer compromisso com o povo, mas apenas com o poder. E os instrumentos que usam, lamentavelmente, somos n\u00f3s: a juventude. Aqueles que mais precisam de esperan\u00e7a, s\u00e3o os primeiros a serem usados como escudo para uma batalha que n\u00e3o lhes pertence.<\/p>\n\n\n\n<p>Sou jovem, sim. Tenho necessidades, sim. Mas a viol\u00eancia, o saque, o fogo, a destrui\u00e7\u00e3o\u2026 resolver\u00e3o os meus problemas? Agindo assim, garanto um futuro melhor para mim, meus filhos e meus netos?<\/p>\n\n\n\n<p>Que tipo de legado estou eu a deixar, como pai, como filho, como futuro dirigente deste pa\u00eds? Que tipo de hist\u00f3ria contarei aos meus netos quando me perguntarem onde estive quando Angola clamava por lucidez?<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quem grite &#8220;liberdade&#8221;, mas que no fundo quer apenas confus\u00e3o. H\u00e1 quem se esconda por tr\u00e1s de jovens de rosto limpo e sonhos suados, apenas para queimar o que n\u00e3o construiu, para destruir o que outros ergueram com sacrif\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Pergunto com tristeza: que jovem com sua juventude a florescer, com planos no bolso e sonhos no cora\u00e7\u00e3o, arriscaria sua vida a troco de nada? Quem lideraria com entusiasmo verdadeiro uma multid\u00e3o rumo ao fogo, ao crime, ao confronto com as autoridades, se n\u00e3o por promessas ocultas ou recompensas clandestinas?<\/p>\n\n\n\n<p>Sejamos sinceros: algu\u00e9m est\u00e1 a querer estragar o que n\u00f3s, com sacrif\u00edcio e sangue, temos constru\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p>E digo mais: manifesta\u00e7\u00e3o, sim mas com dignidade. Protesto, sim mas com respeito. Voz, sim mas sem gritar destrui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podemos permitir que transformem o direito \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o num instrumento de sabotagem nacional. N\u00e3o sejamos c\u00famplices, nem massa de manobra.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem saqueia, queima e destr\u00f3i est\u00e1 a destruir o pr\u00f3prio pa\u00eds que diz querer salvar. Est\u00e1 a ferir o povo que diz querer defender. Est\u00e1 a condenar as gera\u00e7\u00f5es que diz querer libertar.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses actos, meus irm\u00e3os, n\u00e3o nos beneficiar\u00e3o em nada. A dor que causamos hoje, voltar\u00e1 amanh\u00e3 contra n\u00f3s. E a reconstru\u00e7\u00e3o, sempre mais dif\u00edcil do que a destrui\u00e7\u00e3o, recair\u00e1 sobre os nossos ombros, n\u00e3o sobre os daqueles que nos incitaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, algu\u00e9m quer o poder a todo custo. E se for preciso incendiar Angola para isso, eles n\u00e3o hesitar\u00e3o. Mas n\u00f3s, o povo, temos o dever de dizer n\u00e3o. N\u00e3o sejamos tolos. N\u00e3o sejamos usados. Usemos a raz\u00e3o. Fa\u00e7amos da consci\u00eancia o nosso guia. Recusemos ser instrumentos de \u00f3dio e desordem.<\/p>\n\n\n\n<p>Manifestar-se \u00e9 direito. Vandalizar \u00e9 crime.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que os mesmos que ontem destru\u00edram cidades, hoje incentivam os filhos a fazer o mesmo. \u00c9 um ciclo que precisa ser quebrado, e s\u00f3 se quebra com educa\u00e7\u00e3o, responsabilidade e coragem de dizer basta.<\/p>\n\n\n\n<p>Angola precisa de n\u00f3s. Precisa das lojas saqueadas, dos carros queimados, dos rostos feridos. Precisa dos nossos bra\u00e7os para construir, n\u00e3o para destruir. Precisa das nossas vozes para dialogar, n\u00e3o para incitar. Precisa do nosso patriotismo l\u00facido, n\u00e3o do fanatismo pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, rejeitemos as atitudes simuladas de manifesta\u00e7\u00e3o. Identifiquemos os verdadeiros inimigos da paz, os instigadores da desordem, os mercadores de sonhos alheios.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 tarde. Ainda podemos mudar o rumo. Ainda podemos proteger a Angola que queremos deixar aos nossos filhos. Mas precisamos come\u00e7ar por n\u00f3s mesmos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sinto que quando a voz do Povo \u00e9 usurpada pelo vandalismo, precisamos urgentemente de um Lamento de Consci\u00eancia Patri\u00f3tica. Quanto ao que testemunhamos ontem, em Luanda, n\u00e3o foi apenas o diesel que subiu, subiram tamb\u00e9m as nossas d\u00favidas, os nossos medos e, sobretudo, a nossa vergonha. 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