{"id":15278,"date":"2025-07-07T16:20:42","date_gmt":"2025-07-07T15:20:42","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=15278"},"modified":"2025-07-11T15:04:16","modified_gmt":"2025-07-11T14:04:16","slug":"entre-o-nada-e-o-troca-tintas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=15278","title":{"rendered":"Entre o nada e o troca-tintas"},"content":{"rendered":"\n<p>Anunciado como orador da terceira edi\u00e7\u00e3o das conversas Economia 100 Makas, o l\u00edder da UNITA, Adalberto Costa J\u00fanior, prometia uma abordagem centrada nos desafios econ\u00f3micos de Angola. <\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o que se seguiu foi uma interven\u00e7\u00e3o dominada por considera\u00e7\u00f5es constitucionais, acusa\u00e7\u00f5es veladas e um discurso que, apesar de extenso, pouco acrescentou ao debate econ\u00f3mico \u2014 deixando at\u00e9 os mais simpatizantes sem palavras.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante mais de uma hora e meia, Costa J\u00fanior falou longamente sobre a Constitui\u00e7\u00e3o, revelando ter sido abordado \u2014 por emiss\u00e1rios n\u00e3o identificados \u2014 para apoiar uma revis\u00e3o constitucional que permitiria um terceiro mandato presidencial. <\/p>\n\n\n\n<p>A den\u00fancia n\u00e3o foi acompanhada de provas concretas, e o pr\u00f3prio l\u00edder da UNITA reconheceu que os contactos foram posteriormente negados pelos alegados intermedi\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>A sua recusa em apoiar qualquer revis\u00e3o antes das elei\u00e7\u00f5es foi clara, mas o discurso oscilou entre a rejei\u00e7\u00e3o firme e a admiss\u00e3o de que uma revis\u00e3o \u00e9 \u201cindiscutivelmente necess\u00e1ria\u201d \u2014 apenas n\u00e3o agora. <\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sabe o que quer e mente, mente e mente.<\/p>\n\n\n\n<p>A ambiguidade n\u00e3o passou despercebida.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando finalmente abordou a economia, Costa J\u00fanior limitou-se a repetir diagn\u00f3sticos j\u00e1 conhecidos. Apontou n\u00fameros, mas sem fontes claras ou propostas concretas. As ideias da UNITA para a reforma do Estado, educa\u00e7\u00e3o e boa governa\u00e7\u00e3o foram apresentadas em tra\u00e7os largos, com palavras de ordem como \u201cdespartidariza\u00e7\u00e3o\u201d e \u201ctranspar\u00eancia\u201d, mas sem um plano detalhado ou metas quantific\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo os objectivos mais ambiciosos \u2014 como um sal\u00e1rio m\u00ednimo justo ou o combate \u00e0 fome \u2014 foram lan\u00e7ados sem ancoragem em pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas ou viabilidade or\u00e7amental.<\/p>\n\n\n\n<p>A interven\u00e7\u00e3o de Costa J\u00fanior pareceu mais dirigida aos seus apoiantes do que ao p\u00fablico em busca de solu\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas. A cr\u00edtica ao \u201cpartido-Estado\u201d e \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de novos partidos como estrat\u00e9gia de dispers\u00e3o eleitoral desviou-se do tema central do evento: a economia.<\/p>\n\n\n\n<p>No final, ficou a sensa\u00e7\u00e3o de que o l\u00edder da UNITA perdeu uma oportunidade de ouro para apresentar uma alternativa econ\u00f3mica cred\u00edvel. <\/p>\n\n\n\n<p>Em vez disso, optou por um discurso pol\u00edtico centrado na Constitui\u00e7\u00e3o \u2014 contradizendo a promessa inicial e deixando at\u00e9 os cronistas da casa sem saber como resumir a sess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Adalberto Costa J\u00fanior foi convidado para falar de economia, mas preferiu revisitar velhas m\u00e1goas constitucionais. Uma cr\u00edtica ao sistema \u00e9 leg\u00edtima sem propostas s\u00f3lidas e coerentes, um discurso que \u00e9   mais um eco do passado do que uma vis\u00e3o de futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Oscilou entre o nada e o troca-tintas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anunciado como orador da terceira edi\u00e7\u00e3o das conversas Economia 100 Makas, o l\u00edder da UNITA, Adalberto Costa J\u00fanior, prometia uma abordagem centrada nos desafios econ\u00f3micos de Angola. 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