{"id":10898,"date":"2023-08-20T09:47:12","date_gmt":"2023-08-20T08:47:12","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=10898"},"modified":"2023-08-22T13:21:32","modified_gmt":"2023-08-22T12:21:32","slug":"nas-festancas-de-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=10898","title":{"rendered":"Nas festan\u00e7as de Portugal"},"content":{"rendered":"\n<p>Um dos mais agressivos jornalistas\/ativistas contra Jo\u00e3o Louren\u00e7o n\u00e3o p\u00f5e os p\u00e9s em Angola h\u00e1 meses, se n\u00e3o h\u00e1 anos. No entanto, todos os s\u00e1bados de manh\u00e3 no seu programa de r\u00e1dio destila ataques ferozes ao governo e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o como se estivesse no centro de Luanda e a par de tudo o que se passa. Na verdade, n\u00e3o est\u00e1 e n\u00e3o sabe o que se passa.<\/p>\n\n\n\n<p>O que esse jornalista\/ativista faz \u00e9 passar a semana e fins-de-semana em festan\u00e7as em Portugal. <\/p>\n\n\n\n<p>Este fim-de-semana reporta a presen\u00e7a numa alargada festa de funge com in\u00fameros camaradas angolanos. Diz ele: &#8220;eu que conhe\u00e7o quase toda a gente que vive em Luanda estou a ver mais de metade aqui no Funge do Show do M\u00eas que o Yuri da Sim\u00e3o trouxe a Lisboa.&#8221; E coloca uma imagem da luxuosa festa em Lisboa (ver acima). <\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 um problema s\u00e9rio com que Angola se depara. Nem \u00e9 um problema da Unita, nem do MPLA. Nem \u00e9 uma quest\u00e3o com Portugal ou com os portugueses. \u00c9 um problema daquilo a que poderemos chamar as &#8220;elites angolanas&#8221;. Quase 50 anos ap\u00f3s a independ\u00eancia, quase todos preferem estar em Portugal do que em Angola. O seu ponto de conv\u00edvio, de descanso, de compras, de cultura, de educa\u00e7\u00e3o, de sa\u00fade, \u00e9 Portugal. <\/p>\n\n\n\n<p>Esta atrac\u00e7\u00e3o por Portugal \u00e9 muito grave. N\u00e3o vamos discutir o que representa em termos ideol\u00f3gicos e de patriotismo e valoriza\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o angolana. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas vamos discutir o que representa em termos de pol\u00edtica e de pol\u00edticas. Haver sempre a fuga para Portugal, implica que as elites n\u00e3o se preocupem em melhorar a vida em Angola, mas sim em criar canais financeiros e outros para Portugal. Implica fuga de capitais para Portugal, fuga de c\u00e9rebros para Portugal, gastos exagerados em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>Os governantes est\u00e3o mais tempo em Portugal do que em Angola, os ativistas fazem de Portugal a sua base. Angola torna-se um ponto de passagem ou de extra\u00e7\u00e3o de mais valias para serem gastas em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>Este esp\u00edrito tem de acabar. Para grandes males, grandes rem\u00e9dios. J\u00e1 que as elites gostam tanto das coisas portuguesas, vamos buscar um exemplo hist\u00f3rico ao que se devia aplicar a Angola: a chamada Pragm\u00e1tica San\u00e7\u00e3o do Conde de Ericeira. Expliquemos:<br>As Pragm\u00e1ticas s\u00e3o leis aprovadas para normalizar pr\u00e1ticas sociais, nomeadamente o combate ao luxo, regulamentando, limitando e proibindo o vestu\u00e1rio luxuoso de determinados grupos sociais, bem como conter gastos exorbitantes na aquisi\u00e7\u00e3o de produtos sumptu\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1677, o conde da Ericeira, pro\u00edbe o uso de produtos importados para fomentar a ind\u00fastria portuguesa. E a verdade \u00e9 que esta legisla\u00e7\u00e3o de fomento ao uso de produtos de fabrica\u00e7\u00e3o nacional permitiu um desenvolvimento da ind\u00fastria manufatureira em Portugal, sobretudo a n\u00edvel dos tecidos de l\u00e3, nomeadamente na regi\u00e3o da Covilh\u00e3, onde abundava \u00e1gua (fundamental para o tingimento dos tecidos) e gado ovino.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Dom Pedro, por Gra\u00e7a de Deus Pr\u00edncipe de Portugal e dos Algarves (\u2026).<br>Primeiramente ordeno e mando que nenhuma pessoa de qualquer condi\u00e7\u00e3o, grau, qualidade, t\u00edtulo, dignidade, por maior que seja, assim homens como mulheres, (\u2026) possa usar, nos adornos das suas pessoas, filhos e criados, casa, servi\u00e7o e uso, que de novo fizer, de seda, rendas, fitas, bordados as guarni\u00e7\u00f5es que tenham ouro ou prata fina ou falsa (\u2026).<br>Nenhuma pessoa se poder\u00e1 vestir de pano que n\u00e3o seja fabricado neste reino; como tamb\u00e9m n\u00e3o poder\u00e1 usar de voltas, de rendas, cintos, talins, e chap\u00e9us que n\u00e3o sejam feitos nele.<br>Lisboa, a 25 de janeiro de 1677.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Para terminar com os abusos em Angola tem de se come\u00e7ar a adoptar medidas radicais que impulsionem a ind\u00fastria nacional e o esp\u00edrito patri\u00f3tico, e a primeira delas \u00e9 terminar com as viagens exageradas a Portugal, com os fluxos de capital para Portugal e com as importa\u00e7\u00f5es do pa\u00eds, concentrando as pessoas em Angola e dando condi\u00e7\u00f5es para se desenvolverem as ind\u00fastrias em Angola.<\/p>\n\n\n\n<p>Como est\u00e1 agora, o pa\u00eds apenas serve para levantar recursos para gastar noutro lado. N\u00e3o pode ser.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos mais agressivos jornalistas\/ativistas contra Jo\u00e3o Louren\u00e7o n\u00e3o p\u00f5e os p\u00e9s em Angola h\u00e1 meses, se n\u00e3o h\u00e1 anos. 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