{"id":10348,"date":"2023-06-08T09:56:00","date_gmt":"2023-06-08T08:56:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=10348"},"modified":"2023-06-12T11:48:36","modified_gmt":"2023-06-12T10:48:36","slug":"um-cao-tinhoso-entre-boa-gente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=10348","title":{"rendered":"Um c\u00e3o tinhoso entre boa gente"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">Bissau, dia 24 de Junho de 1978. H\u00e1 45 anos Agostinho Neto chegou com a sua comitiva \u00e0 capital da Guin\u00e9. Na placa do aeroporto era esperado pelo Presidente Lu\u00eds Cabral e todos os membros do seu Governo. O \u00faltimo da fila era o ministro da Cultura, M\u00e1rio Pinto de Andrade, angolano de nascimento e guineense por op\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Agostinho Neto, depois de abra\u00e7ado por Lu\u00eds Cabral, foi cumprimentar todos os governantes das Guin\u00e9. Quando chegou frente a M\u00e1rio Pinto de Andrade os dois envolveram-se num forte e prolongado abra\u00e7o. Logo ap\u00f3s a chegada come\u00e7ou a reuni\u00e3o com o Presidente Ramalho Eanes. No primeiro dia de conversa\u00e7\u00f5es correu tudo bem. No segundo, nem por isso. Ao fim da tarde, o director do Jornal de Angola, Fernando Costa Andrade (Ndunduma) foi buscar-me ao hotel porque o Presidente Neto queria falar comigo. <\/p>\n\n\n\n<p>Os portugueses querem que Angola lhes devolva as fazendas, os pr\u00e9dios, as empresas. O que digo ao General Eanes? Confesso que j\u00e1 tinha bebido qualquer coisinha por isso n\u00e3o me intimidei no papel de conselheiro informal. Respondi de imediato: <\/p>\n\n\n\n<p>Camarada Presidente, isso \u00e9 f\u00e1cil. Eles podem levar tudo mas pagam o transporte desses bens para Portugal. Mas se quiserem as empresas, as ro\u00e7as e os pr\u00e9dios, regressam a Angola e ajudam-nos a construir o pa\u00eds donde nunca deviam ter sa\u00eddo. Outra boa solu\u00e7\u00e3o \u00e9 a troca. Os portugueses devolvem os escravos e todas as riquezas roubadas em Angola. Depois levam as ro\u00e7as, empresas e pr\u00e9dios pagando n\u00f3s o frete. <\/p>\n\n\n\n<p>Neto percebeu o meu ponto de vista, sorriu e depois de uma longa troca de impress\u00f5es com muitas gargalhadas pelo meio, terminou assim o encontro: N\u00e3o lhe ofereci nada de beber porque est\u00e1 com um a barriga que parece um bal\u00e3o! Beba menos, camarada! <\/p>\n\n\n\n<p>Podem n\u00e3o acreditar mas segui o conselho do m\u00e9dico. O meu olho esquerdo bebia muito mais do que o direito e cortei-lhe a bebida. De castigo. No dia seguinte, Agostinho Neto disse \u00e0 delega\u00e7\u00e3o portuguesa que todos os bens abandonados foram nacionalizados. Mas o Governo Angolano devolvia tudo aos leg\u00edtimos propriet\u00e1rios portugueses quando regressassem a Angola. Alguns voltaram mesmo! <\/p>\n\n\n\n<p>Hoje o primeiro-ministro portugu\u00eas Ant\u00f3nio Costa desembarcou em Luanda com uma grande comitiva de ministros e empres\u00e1rios. Entre eles, um tal Costa e Silva, mentiroso compulsivo, criado dos seus donos de sempre, infiltrado ao servi\u00e7o das secretas que mais paguem. Em Portugal diz que foi preso e torturado em Angola. Mais um her\u00f3i destacad\u00edssimo nas opera\u00e7\u00f5es contra a Independ\u00eancia Nacional e o Povo Angolano. Fiquei de olho nos abra\u00e7os, n\u00e3o fosse Jo\u00e3o Louren\u00e7o abra\u00e7ar o traidor de trazer por casa, como Neto abra\u00e7ou o seu camarada e compatriota M\u00e1rio Pinto de Andrade. Que se visse, a baixeza n\u00e3o aconteceu. <\/p>\n\n\n\n<p>Cada povo tem os ministros que merece. Os guineenses mereceram largamente M\u00e1rio Pinto de Andrade, angolano, fundador do MPLA. Os portugueses, perdidos por cem perdidos por mil. Mais mentiroso compulsivo menos mentiroso, tanto faz. Mais traidor menos traidor \u00e9 igual ao<br>litro. Mais canalha menos canalha \u00e9 a prata da casa, Ainda vamos ter que libertar os portugueses do banditismo pol\u00edtico e medi\u00e1tico. <\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f3nio Costa \u00e9 o melhor que se pode arranjar quando o neonazismo avan\u00e7a em Portugal como um cavalo louco. Se o Tio C\u00e9lito convocar elei\u00e7\u00f5es para os amigos tomarem o poder, por favor, votem Partido Socialista e Ant\u00f3nio Costa. Mal por mal Marqu\u00eas de Pombal que era filho de uma senhora do Libolo. Por isso os reaccion\u00e1rios do seu tempo lhe chamavam \u201cquinto neto da Rainha Jinga\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Rafael Marques, o condecorado de Jo\u00e3o Louren\u00e7o, deu uma grande entrevista ao jornal que promove os neg\u00f3cios dos ladr\u00f5es do Povo Portugu\u00eas. Despejou os recados que seus donos lhe encomendam e mais nada. Andam a gastar muita cera com ruim defunto. <\/p>\n\n\n\n<p>Antes da entrevista ele publicou no \u201csite\u201d Maka Angola a acusa\u00e7\u00e3o contra o conselheiro presidente do Tribunal Supremo, Joel Leonardo. J\u00e1 est\u00e1! A Procuradoria-Geral Rafael Marques acusou. Num texto intitulado \u201cAcusamos\u201d o PGRM acusa \u201cAdalberto Gon\u00e7alves, Alberto Tib\u00e9rio, Anabela Valente, Ant\u00f3nio Santana, Carlos Cavuquila, Correia Bartolomeu, Daniel Geraldes, Emanuela Vunge, Fernando Gomes, Francisco Luemba, Jo\u00e3o Paulino, Jos\u00e9 Cosme, Jos\u00e9 Domingos, Jos\u00e9 Lopes, Mateus Domingos, Sebasti\u00e3o Bessa, Solange Pereira e T\u00e2nia Br\u00e1s, todos vogais do Conselho Superior da Magistratura Judicial (CSMJ) de se mostrarem c\u00famplices, ao menos por fraqueza de esp\u00edrito, de um dos espect\u00e1culos institucionais mais tristes do s\u00e9culo: a descredibiliza\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a angolana\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Eis a acusa\u00e7\u00e3o do condecorado de Jo\u00e3o Louren\u00e7o: \u201c Acusamo-los de, tendo nas m\u00e3os as provas adequadas, n\u00e3o iniciarem um processo disciplinar contra Joel Leonardo, presidente do Tribunal Supremo, como a lei exige e a moral obrigam. Acusamo-los de se tornarem c\u00famplices dos mesmos alegados crimes de Joel Leonardo, por omiss\u00e3o de comportamento. Acusamo-los de terem feito uma sindic\u00e2ncia da mais monstruosa parcialidade relativamente aos casos de Agostinho Santos, Anabela Vidinhas e outros ju\u00edzes do Supremo Tribunal objecto de processos disciplinares do CSMJ. Acusamo-los de aprovarem ou redigirem delibera\u00e7\u00f5es erradas ou usurpadoras de poderes, a menos que um exame m\u00e9dico os declare doentes de algum mal da vista ou de julgamento. Acusamo-los de poderem estar a encobrir ilegalidades, debaixo de ordens\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>A Procuradoria-Geral Rafael Marques (PGRM) acusou, est\u00e1 acusado. Senhor Presidente da Rep\u00fablica: Quando um condecorado excrementa a condecora\u00e7\u00e3o com a qual foi distinguido perde o direito a ela. Quando o seu condecorado se comporta como um rafeiro tinhoso ao servi\u00e7os do George Soros e outros ladr\u00f5es de alto coturno n\u00e3o \u00e9 digno da condecora\u00e7\u00e3o. Ainda vai a tempo de corrigir o seu erro grav\u00edssimo ao condecorar um falso jornalista a soldo. Se n\u00e3o o fizer, corre o risco de ser acusado como foram acusados venerandas e venerandos membros do Conselho Superior da Magistratura judicial. \u00c9 hora de avan\u00e7ar a autoridade do Estado. <\/p>\n\n\n\n<p>Patr\u00edcio Vilar Bicudo aplaudiu o aumento do pre\u00e7o da gasolina em 100 por cento. Um pobre diabo acomodado que d\u00e1 pelo nome de Adebayo Vunge amplificou os elogios a mando da Dona Vera. Senhor Titular do Poder Executivo, n\u00e3o se deixe encantar pela m\u00fasica dos acomodados. Eles s\u00f3 querem tacho. Olhe para os acontecimentos de hoje no Huambo. Podem incendiar toda a pradaria. N\u00e3o subestimem o Povo Her\u00f3ico e Generoso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bissau, dia 24 de Junho de 1978. H\u00e1 45 anos Agostinho Neto chegou com a sua comitiva \u00e0 capital da Guin\u00e9. Na placa do aeroporto era esperado pelo Presidente Lu\u00eds Cabral e todos os membros do seu Governo. 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