{"id":10260,"date":"2023-05-26T10:32:18","date_gmt":"2023-05-26T09:32:18","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=10260"},"modified":"2023-05-31T15:48:28","modified_gmt":"2023-05-31T14:48:28","slug":"papelao-inflamavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunadeangola.org\/?p=10260","title":{"rendered":"Papel\u00e3o inflam\u00e1vel"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">Tirei o dia ontem para me deslocar a pedido de um amigo de longa data, em repasto demorado numa tasca simples numa viela de Lisboa, a dona Albertina caprichou na cabidela com pir\u00e3o de milho branco.<\/p>\n\n\n\n<p>O tema foram as saudades da terra que est\u00e1 l\u00e1 longe, t\u00e3o longe, lembran\u00e7as enferrujadas, e coisas frescas que teimam em repetir-se no nosso ch\u00e3o, com os lun\u00e1ticos sempre a espalhar\u00a0cacos por querer ser aquilo que n\u00e3o s\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Comecemos por Isa\u00edas Samakuva e\u00a0a odisseia do seu t\u00e3o propagado livro. Come\u00e7ou a ser escrito h\u00e1 duas d\u00e9cadas pelo jornalista Rui Bacelar da RFI, Radio France International, e\u00a0tinha o prop\u00f3sito de se demarcar da UNITA e denunciar a selvajaria na Jamba, para tal tinha a fam\u00edlia toda em Londres.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto empurrado para a lideran\u00e7a\u00a0do Galo Negro, recuou e acompanhado apoiado na di\u00e1spora por Ernesto Mulato, ent\u00e3o na Alemanha, e por Samuel Chiwale e Kamalata Numa nas bases da UNITA, apoderou-se da heran\u00e7a pessoal de Jonas Savimbi e do Partido, e recuou no rumo do livro e a nova vers\u00e3o coincidiu com o falecimento do referido jornalista, em Paris, um aven\u00e7ado dos kwatchas.<\/p>\n\n\n\n<p>O jornalista em Lisboa que est\u00e1 a ultimar o livro, que pediu anonimato, diz ser um livro repleto de contradi\u00e7\u00f5es, muitas ideias sem documenta\u00e7\u00e3o de sustenta\u00e7\u00e3o, resumindo a narrativa, adivinha-se um desejo de afastamento da UNITA e assumir uma postura independente nacionalista, pau para toda colher.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto toca o telefone e era o Pedro de Joanesburgo a perguntar se Adalberto Costa J\u00fanior estava na posse de todas as suas faculdades\u00a0mentais. Sem saber que eu estava presente, como leitor di\u00e1rio da Tribuna de Angola j\u00e1 tinha lido a minha posi\u00e7\u00e3o, que entendo o &#8220;B\u00e9tinho&#8221;\u00a0de Quinjenge\u00a0necessitar acompanhamento psiqui\u00e1trico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 que o l\u00edder da UNITA num jantar na \u00c1frica do Sul, discursou como se fosse o Chefe de Estado em Angola, apresentou n\u00fameros da sua vit\u00f3ria eleitoral, disparou em todas as dire\u00e7\u00f5es, multiplicou contradi\u00e7\u00f5es, at\u00e9 admitiu dar uma pasta ministerial\u00a0a Isabel dos Santos.<\/p>\n\n\n\n<p>A orat\u00f3ria estendeu-se em mais de uma hora, n\u00e3o tinha ingerido \u00e1lcool, mas o caldo entornou-se quando elogiou o Apartheid e o colonialismo portugu\u00eas, como tempos \u00e1ureos que ele pensa recuperar.<\/p>\n\n\n\n<p>Confesso que me intrigam as mentes produzidas na UNITA, \u00e9 gente insana que o Povo sofredor n\u00e3o esquece, constata-se que a fragmenta\u00e7\u00e3o evidente adv\u00e9m do facto de atrav\u00e9s de artimanhas, \u00e9 tamb\u00e9m um Partido de muitos exclu\u00eddos, da\u00ed ser uma oligarquia d\u00e9spota familiar, cujas verdadeiras lideran\u00e7as s\u00f3 mudam com a morte. <\/p>\n\n\n\n<p>Adalberto Costa J\u00fanior \u00e9 hoje uma figura representativa do idiota \u00fatil, do pateta no papel de anima\u00e7\u00e3o, e a sua insanidade deriva de em momentos de lucidez descortinar a indig\u00eancia que o destino dos bo\u00e7ais lhe tra\u00e7ou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tirei o dia ontem para me deslocar a pedido de um amigo de longa data, em repasto demorado numa tasca simples numa viela de Lisboa, a dona Albertina caprichou na cabidela com pir\u00e3o de milho branco. 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